quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Não olhes....



Não olhes o meu rosto devastado pela idade
a vida para mim é como se chovesse
mas se viesses seria como se me acontecesse
cantar contigo a perene mocidade

Ruy Belo
Volume of Light, um projeto criativo do fotógrafo Thomas Brown

"Navegação de Cabotagem "

Jorge Amado (excerto)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Melodias de sempre, serão para trabalhadores ou era uma vez Madalena .... (Eurovisão premiada em 1966 e agora por Savador em 2017)

Para as pessoas da minha geração e a viverem em cidades ligadas ao espectáculo estival, aliado ao pequeno ecrã, único entretenimento em épocas de Eurovisão, em que se ía ao café ou às Associações recreativas ou de Bombeiros, ouvir  o nacional cançonetismo não nos era indiferente.

Madalena Iglesias, Simone, António Calvário, Tony de Matos, Artur Garcia , João Maria Tudela , dos que me lembre, passavam quase 3 meses em espectáculos,  no que foi muito belo Casino da Figueira da Foz. 
Eu, teria os meus 12 anos e também tinha um pequeno e bonito livro de autógrafos vermelho , com um calhambeque desenhado, com o qual eu ía pedir autógrafos  quando passavam ou íam a outro icónico e desaparecido café , O NICOLA .

Esse livro perdeu-se, ou roubaram-mo.... Alguma rival, ciumenta,  de algum membro do grupo musical, que anos mais tarde assentou anos a fio na Figueira e onde todos debitaram a sua dedicatória.... Eles eram uns "rebenta corações"...

Madalena era bonita. O despique com Simone de Oliveira era gostoso, como gostoso era ver duas mulheres bonitas e expressivas. 
Assusto-me.... Dizem que a História só se faz ao fim de 50 anos  e eu já a começo a fazer.

(Vejo neste momento na RTP António Calvário. Não é que está novo para a idade?)



Amores e desamores ...




A grande e única paixão de Erik Satie , que o levou a compor entre 1893-94 "Vexations" , horas infinitas de piano, que em forma de performance, Joana Gama interpretou ininterruptamente, no domingo na Gulbenkian.
Arte sem limite .

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Há treinos e treinos....

Todos os resultados ficam á vista.... :)

Boa semana

sábado, 13 de janeiro de 2018

Um poema para vós e fim de semana a vosso jeito....

mário cesariny / you are welcome to elsinore



Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam

e podem dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precipício

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós

e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
e há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras noturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar


mário cesariny
pena capital
assírio & alvim
1982

Para os amigos que aqui vão passando um enorme abraço. Não tenho visitado as vossas casas virtuais, mas estais no meu pensamento. Logo, a qualquer momento...



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Concerto de Ano Novo


Hoje, no Centro Olga Cadaval, um Concerto de Ano Novo" sui generis", com o Coral Sinfónico de Portugal. 

Ensaiam 1 vez por mês em Torres Novas , vindos de várias partes do país, pois é onde vive a maestrina .

Esta soprano deixou-me encantada pela sua interpretação e beleza, vestida numa saia preta de blusa vermelha . Sedutora . 
Era proibido fazer fotografias. Mas, à saída , dou-me de caras com ela e saiu-me : " é tão bonita e esteve tão bem que por favor, deixe-me fotografá-la agora".
E assim foi . O meu amigo Nuno Porto , ao lado ficou bem enriquecido.... 
Bem haja.


sábado, 6 de janeiro de 2018

Um poema para quem passa e fim de semana a vosso jeito....

A Concha


A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fachada de marés, a sonho e lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.      
          
Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.      
             
E telhados de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta ao vento, as salas frias.         
                
A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.      
                 
Vitorino Nemésio, O Bicho Harmonioso (1938)

As minhas fotografias

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

A cada uma o seu exorcismo...


"Algumas, num genuflexório e atrás de uma rede escura, confessam-se. Outras, talvez mais sábias, tomam banho e lavam-se. Umas outras ficam limpas e vazias de culpa. Um duche, um banho de imersão, um momento de cavaqueira de peito descoberto. Velhas receitas, boas para tranquilizar"

Felix Vallotton. 1899

Do livro, Receitas de Amor para MulheresTtristes

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Triste, eu? nem por isso....

"Mas que cansaço, não tem um minuto. Mentiras. O que não tem é forças para pensar a vida, calma para sentir como ela corre.
Quando ela não tem tempo, quando ele trabalha muito e mede os segundos como outros medem as horas e os dias, incapaz de se sentar a conversar por um instante, sem ansiedade, não acredites nele. O trabalho é o esconderijo que os homens encontraram para não viverem segundo um ritmo mais humano e mais decente. É a maneira que têm de estar sós sem terem de dizer que querem estar sós. "

Do livro, Receitas de Amor para MulheresTtristes
Pintura de Felix Vallottton, 1898

domingo, 31 de dezembro de 2017

Bom 2018



Haverá

um acordar

Mário Cesariny, A Antoni Artaud

Pintura de Felix Vallotton

sábado, 30 de dezembro de 2017

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Mudam-se as vontades , os gostos, ou a moda reinventa-se ?


Impossível fugir à cusquice real. Qualquer "bom "jornal ou TV promove os "abensonhados" noivos.
 A alguns encontros com pessoas da minha idade que não vejo há muito, como antigos colegas de liceu da Figueira da Foz,  o prazer de relembrar o que estava adormecido. Eu,  chamo de SUDOKU afectivo.
Hoje, ao ver esta fotografia dos noivos, talvez numa visita oficial, o casaco de Meghan , fez-me lembrar o meu casaco de noiva. A minha roupagem de dia de casamento . 
Um casaco lindo de morrer, escolhido por mim e minha mãe na revista francesa JOURS DE FRANCE ou ELLE , feito com carácter de urgência ( a noiva não estava grávida....), por uma grande modista da Figueira, que só o fez por ser quem era, e eu não era princesa....  , mas já era próximo do Natal, e a Dona Maria José  gostava muito de mim.
 Casaco que na 1ª prova , na companhia do noivo, ia fazendo acabar o casamento que durou 12 anos. ( como dizia a família, " os artistas são esquisitos... ). Casaco com muitos pontos e pespontos , tantos como a vida dá. 
Mas , ao que eu quero chegar. Ao fim de 44 anos , idade da minha fotografia , os noivos reais em termos de moda, não são nada diferentes dos reais noivos do sec. XXI.(1973 // 2017).
Quando subia o Chiado e ía à Brasileira, eu uma novata moradora em Lisboa , em principio de vida, via algumas mulheres olharem ostensivamente para mim. Ficava admirada e perguntava . "Será que olham para o meu casaco????"
Ao que,  o já marido,  respondia com o seu sentido de humor e vai-da-de. "olham para ti a ver se me vêem. " 
Até o noivo tem ares de Harry..... , mas todo mediterrânico.

UMA HISTÓRIA DE FIM DE ANO,  SEM CARTOLA

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

domingo, 24 de dezembro de 2017

Natal a vosso jeito , mas que seja bom . Boas Festas, e....




deixo aqui os meus presentes favoritos de Natal.....

As aguarelas de Carl Larsson, Sueco, 1853- 1919

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Solstício de inverno 2017 (Hemisfério norte). 16:28 quinta-feira, 21 de dezembro



Sob a chuva caminhar
é como partir lenha
para o próximo Inverno


Rui Lage

Pintura de Carl Larsson , 185-1919

domingo, 17 de dezembro de 2017

"Natal genuíno" de aldeia de Cabeço, Serra da Estrela, entre Seia e TorreEsta semana








Esta semana, o Expresso Diário pesponteou-nos  com uma reportagem sobre a aldeia de Cabeço, na Serra da Estrela, entre Seia e Torre, sobre o seu Natal comunitário enfeitado unicamente com produtos da terra . Foi uma das aldeias também sofredora com os fogos mas as suas mulheres não ficaram de braços cruzados sem deixar de cumprir a tradição do Natal,  já sobejamente conhecido.
Depois do terço, as mulheres reuniram-se numa associação onde trabalharam os enfeites interiores e exteriores da sua aldeia. 
Por memórias afectivas , sinto já o cheiro das lareiras e do fumo que sai das chaminés e se espalha destas aldeias beirãs.  
Deixo-vos um video de 2015. Vejam atá ao fim, e vão gostasr.
Bom fim de semana.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017



AO ROSTO VULGAR DOS DIAS
Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.

Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.

Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.

Ao rosto vulgar dos dias,
À vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.

Imaginar, primeiro é ver.
Imaginar, é conhecer, portanto agir.
Alexandre O`Neill, No reino da Dinamarca

Pintura de artista japonês

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Vanhinê no te Tiarê (A Mulher da Flor)



" Eu trabalhava febrilmente, duvidando de que não fosse duradoira aquela vontade. Retrato de mulher: Vahinê no te Tiarê (A mulher com flor). Trabalhava depressa e com paixão. Foi um retrato parecido com aquilo que aperceberam os meus olhos velados pelo meu coração. Acima de tudo julgo que ficou parecido com o interior, esse fogo forte de uma pujança contida. Trazia uma flor na orelha, e esta ouvia-lhe o perfume. Na sua majestade, nas suas linhas sobre-elevadas, o rosto lembrava uma frase de Poe: «Não existe beleza perfeita sem alguma singularidade nas proporções»
Noa Noa, de Gauguin, uma edição & etc, 1977

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Leituras breves . A minha escolha


O mar na Figueira da Foz

". O que nos distingue dos demais seres vivos, o que está na origem da 'cultura humana'? O sentimento,"tradutor" na mente das situações (afetos) que vivemos, responde Damásio. O sentimento é, pois, "a personagem central do livro". Mas não só, como ele explica à Clara: "É também central uma coisa que me preocupa muito, o presente estado da cultura humana. Que é terrível. Temos o sentimento de que não está apenas a desmoronar-se, como está a desmoronar-se outra vez e de que devemos perder as esperanças visto que da última vez que tivemos tragédias globais nada aprendemos. O mínimo que podemos concluir é que fomos demasiado complacentes, e acreditámos, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, que haveria um caminho certo, uma tendência para o desenvolvimento humano a par da prosperidade. Durante um tempo, acreditámos que assim era e havia sinais disso”.



Leio isto e dou-me conta que Dorothy (Judy Garland) cantou nos écrans precisamente no ano em que a Segunda Guerra Mundial começava na Europa. Acreditando que "somewhere, over the rainbow", haveria um mundo melhor - quando o pior ainda nem tinha vindo. É definitivamente uma canção com 78 anos que merece (voltar a) ser título. Ora experimente ouvi-la enquanto, ao longo do dia, consulta o site do Expresso, da Tribuna ou da Blitz. Lá para as 18h, quando a tempestade já estiver longe e a frente polar a chegar, sai "quentinho" para as redes o Expresso Diário.Tenha um dia bom."


Em Expresso Curto de hoje


sábado, 9 de dezembro de 2017

Oração das Mães palestinas e israelitas



Está acontecendo um pequeno grande milagre quase completamente ignorado pelos meios de comunicação: milhares de mulheres judias, muçulmanas e cristãs tem caminhado juntas em Israel pela paz. Em um novo vídeo oficial do movimento "Women Wage Peace", a cantora israelita Yael Deckelbaum canta a canção "Prayer of the Mothers", junto a mulheres e mães de todas as religiões, mostrando que o mundo está mudando e deve mudar. Um milagre todo feminino que vale mais que mil palavras. Compartilhe! Shalom! Salam! Peace! Paz!💟

OXALÁ
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A vida não é para ser vivida à espera que a tempestade passe,
mas para aprender a dançar com a chuva

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Como os preços vão inflacionar ... Estremoz e o seu barro

Sempre acalentei o desejo de ter um presépio de barro de Estremoz.
Como acalentei o desejo de ter ficado com bonecos que ajudei a adquirir e sem os quais fiquei , de Mistério.  Velha história,  de quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é tolo ou não tem arte. Quando é dado a chance de repartir , claro. 
 Restam-me umas "Alminhas", que vi fazer e pintar, numa viagem a aldeia do Mistério, para os lados de Barcelos. Dupla relíquia. 
Mas , sei que se tudo correr bem, o meu neto Gabriel , poderá herdar uma bela colecção de bonecos de Estremoz, agora Património Imaterial da Humanidade.

Ler AQUI

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Olhares....

"Ce qui a vraiment un sens dans l'art, c'est la joie. Vous n'avez pas besoin de comprendre. Ce que vous voyez vous rend heureux ? Tout est la."
Costantin Brancusi


Pintura de Luciana La Marca

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

As coisas do frio ... Boa semana

Durante o dia até está calor. Mas aqueles graus de sol que nos aquecem as pernas pagam-se caros. Estão a condicionar-nos para o f***. Tiramos a camisola para mais avidamente ir à procura dela, mal o sol começa a cair de tão gasto, lá para as cinco da tarde, quando o f*** acorda para nos enregelar o corpo e a vida e a própria esperança.


Pintura de Félix Vallotton



Excerto da crónoca de Miguel Esteves Cardoso, AQUI



Excerto da crónica de Miguel Esteves Cardoso , AQUI

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Nada é para sempre, Zé Pedro, a não ser....


O amor que se leva dentro de nós....

Bem hajas...

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Haja esperança....


Fotografias de Cheg-Ran
.... para Angola, para os homens e crianças vendidos em regime de escravatura, para os explorados , oprimidos e torturados da humanidade. 

Século XXI. Quem diria?