segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Bruno Ganz , 1941 -2019


“Se o homem fosse um animal ou um anjo, não sentiria angústia. Mas, sendo uma síntese, angustia-se. E tanto mais sente a angústia, quanto mais humano for.”
Soren Kierkegaard, O Conceito de Angústia

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Arte



 Trabalhos de Francisco Tropa , brevemente na Gulbenkian .

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Bom fim de semana . Uma mesma canção em tempos diferentes


Anos 80 do séc. passado.
Rosalía. hoje .

sábado, 2 de fevereiro de 2019

"os poemas maiores" , Cesariny

passagem de emile henri

Era no tempo da palavra papel
da pluma bem comida lançando ideias de justiça aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um

Depois de ver com os seus próprios olhos como é que o ratazana toma o seu chazinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA

Mario Cesariny

Fotografia de Robert Doisneau

Emile Henri,  foi um anarquista francês responsável por dois atentados a bomba, o mais notório destes no Café do Hotel Terminus, na Gare Saint-Lazere , Paris .
26 de setembro de 1872, Barcelona, e morreu em 194 em Paris

Fevereiro proverbial



Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.

Óleo de Van Gogh

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O olhar dos outros




Fotografias guardadas na minha pasta, surripiadas auma amiga do FB que já não está entre nós . 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Crianças , pela mão de Eugénio de Andrade

Em Louvor das Crianças

Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. 
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. 
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus. 


Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário' 

sábado, 26 de janeiro de 2019

Bom fim de semana


Takashi Murakami

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

RTP2 e o "Sentido da Beleza"

                                                 Sandro Botticelli, "O Nascimento de Vênus
.
"Num tempo de profunda berraria televisiva, marcada por um amontoado de programas feitos de nada e coisa nenhuma, a RTP 2 continua a surgir-nos como o oásis onde podemos beber a diferença, a curiosidade, a inquietação, a interrogação que nos faz seres pensantes e não apenas recetáculos acéfalos.
Só num canal virado para o serviço público, capaz de entender a televisão como um espaço por onde flui a inteligência, seria possível um programa como “O Sentido da Beleza”, transmitido às terças-feiras e em parte ainda disponível na RTP Play.

O que é a beleza? Eis uma das perguntas cruciais com que se tem defrontado o homem ao longo dos tempos. Escreveram-se tratados. Há infinitas reflexões filosóficas. Trilharam-se inúmeros caminhos à procura de uma resposta.
Há correspondência entre o belo e o feio? O que é belo aos olhos de alguns – um rosto, uma paisagem, uma obra de arte – pode configurar o horrendo aos olhos de outros? Saberá alguém definir exatamente o que é a beleza? Ou essa, e ainda bem, é uma impossibilidade absoluta?
O homem começou a procurar e a expressar o sentido de beleza mesmo antes de ter desenvolvido uma qualquer noção de linguagem. Nas cavernas encontramos as primeiras obras de arte alguma vez criadas pelo homem. Olhá-las, como olhar a reprodução do imaginário rosto de um homem ou mulher daqueles tempos primordiais, é perceber como os conceitos de beleza se modificaram ao longo dos tempos.
Há diferentes atitudes culturais perante a beleza, conforma o contexto geográfico, ou até social, em que nos encontremos. Mesmo com a galopante padronização ocidental a embrenhar-se no mundo todo, a noção de belo para um asiático ou para um africano contém ainda substanciais diferenças em relação à noção de belo de um europeu ou um norte-americano.
A série documental em seis episódios da responsabilidade de Massimo Brega e apresentada pelo escritor inglês Dominic Frisby coloca-nos perante o poder da beleza através de uma viagem á volta do mundo e das diversas noções de beleza, com o contributo de artistas, críticos de arte, filósofos e cientistas.
Com imagens belíssimas, o programa recorda-nos a cada instante como a beleza sempre esteve, está e continuará a estar no centro das preocupações humanas. Ou será por acaso que todos os dias são investidos milhões de euros por pessoas que querem tornar as coisas mais bonitas, ou querem elas próprias sentirem-se ou parecerem mais bonitas? E porque será que, segundo vários estudos, as pessoas mais atraente ganham, em média, mais 12,5% do que as pessoas com aparência normal?

De Valmerar Cruz, no Expresso Curto de hoje.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Árvores e livros . Vida



As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas. 
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras. 
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas». 
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.


Herbário , de Jorge Sousa Braga , de Jorge Sousa Braga

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Não ando muito por aí, amigos blogueiros , mas de vez em quando venho até aqui ...



Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.

Orson Welles

Fotografias de Robert Doisneau, 1950

sábado, 5 de janeiro de 2019

Sophia faria hoje 100 anos . Programa do seu centenário


Sophia, " O Mar dos meus Olhos"


Para um dia como outro qualquer ... Hoje e sempre, as crianças

                                                                                                                           
As crianças são o Tempo de Haver .
Sua presença no mundo é de gritos e protesto. Mas, às vezes, adaptam-se e isso implica uma luta quase heróica e anónima que a maior parte ignora.
Alimentam os dias dos homens, mas elas próprias são o espelho da solidão.
Em ses olhos enormes e grandes, uma criança contempla o mundo e não o entende. Ouve palavras e as palavras são flechas que lhe perturbam o sonho em que se refugia para sobreviver.
Tudo nelas é inicial e puro: o riso e a violência, o sonho e as lágrimas.
Projectadas para o alto, são estrelas cadentes.

...
Uma criança espera, no mundo.
E que o mundo lhe devolva a esperança para sempre.
Que os homens, por um segundo em cada dia, suspendam seus deveres mais urgentes e pense na criança que espera. 
E lhe garantam a Paz.
E lutem pelo seu bem estar
E se envergonhem de ainda haver, sobre a abundância desnecessária de tantos, a sombra de milhares de crianças que sucubem da fome e da doença sem um vislumbre de ternura ou solução.
Que nós nos envergonhemos.
E que a dor não seja, nunca mais, como a solidão, uma palavra nos seus dias.
Que a CRIANÇA sorria ao mundo.
Que o mundo lhe conserve o sorriso.
Hoje. E para sempre.
   
De Matilde Rosa Araújo, Crónicas
O Tempo e Voz
Edição ITAU, s/d

Do livro da mesma autora, recolha de textos e poemas dos nossos queridos escritores e poetas de meados do séc. XX, A INFÂNCIA LEMBRADA,
Livros Horizonte, 1986


Um livro a que regresso sempre que me apetece sentir o amor ou desamor da vida de homens e mulheres que relembram a sua infância e relação com a Mãe. 

Como a vida não muda para tantas e tantas crianças no mundo. Matilde, era uma referência para nos professores do 1º ciclo. Ainda guardo um pequeno livro, comprado no ITAU, no Campo Grande, Infância Perdida.


Imagem de crianças jamaicanas 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O tempo diz adeus ao tempo ... Um outro tempo está a chegar . Um ano de 2019 bem sucedido

O Tempo
“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um individuo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante tudo vai ser diferente.
Para você, desejo o sonho realizado,
o amor esperado,
a esperança renovada.
Para você, desejo todas as cores desta vida,
todas as alegrias que puder sorrir,
todas as músicas que puder emocionar.
Para você, neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família seja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas…
Mas nada seria suficiente…
Então desejo apenas que você tenha muitos desejos,
desejos grandes.
E que eles possam mover você a cada minuto
ao rumo da sua felicidade.”
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 29 de dezembro de 2018

A espuma dos meus dias ...




" A minha casa é profunda e ramosa. Tem recantos em que, depois de tanta ausência , gosto de me perder e saborear o regresso. No Jardim, cresceram matagais misteriosos e fragrâncias que eu desconhecia . O álamo que plantei ao fundo e era esbelto e quase invisível, é agora adulto, a sua casca tem rugas de sabedoria que sobem ao céu e se exprimem num tremor continuo de folhas novas na altura."
ODOR DO REGRESSO
Pablo Neruda, Nasci Para Nascer

O meu olhar numa tarde chuvosa e encoberta , em Serralves

sábado, 22 de dezembro de 2018

Os meus presentes de Natal .... Festas a vosso jeito




   Os meus presentes de Natal repetem-se a cada ano , pois Carl Larsson, aguarelista sueco do século XIX, representa para mim o movimento e a beleza da festa e do encontro.
   Larsson pintava crianças no seu dia a dia de uma forma romantizada. Também ilustrava livros para crianças. 
   Fiquem pois com o seu olhar e imaginação.
   Festas a vosso jeito .

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Presentinhos ... Solstício de Inverno com Carl Larsson


Pintura de Carl Larsson, Solstício de Inverno

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Pelos caminhos de Sintra onde tudo é natural









A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.~
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
- sei que não vou por aí!

José Régio, Cântico Negro

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Bom fim de semana

Pintura de Carl Larsson

Momentos de ouro....





  
 Há dois dias fui passear com o amado Gabriel a Lisboa.
  Não consigo descartar-me, e ainda bem, da minha vida de "prof" . O eterno prazer de passear com miúdos e mostra-lhes a vida e a arte, seja ela qual for.

Ontem, comboio, rio, castanhas assadas nas brasas, o prazer de as descascar, barcos, paquetes, frio, vento, ameaça de chuva ... Uma árvore na Praça do Comercio que não tinha luzinhas, mas uma Praça do Município com animado carrossel .
  Introdução aos eléctricos, antigos e modernos . Sem lhe contar que também se podem virar ... É bom omitir . Mas aconteceu hoje.
Rua do Arsenal, bem moderninha, quase sem transito . Esplanadas . Tempo de copo de leite e avó de imperial com um sonho...
Tempo de regresso, de comboio de novo, ao qual o petiz não achou piada ... Já tinha ido do Estoril ao Cais do Sodré , para quê de novo comboio ? E, aí, começou a chorar pela querida mamã...
Calou-se. Tenho os meus métodos em SOS,
Uma tarde feliz....

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

sábado, 8 de dezembro de 2018

Não é um conto de Natal ...


Não consigo passar mais um dia sem falar de algo que me impressionou muito e que repetidamente , como sempre, as televisões passaram. A agressividade e malfeitoria que os formadores da GNR infligiram aos seus formandos e as mortes nos Comandos são recentes e tortuosas.

Hoje dá para entender a razão da bestialidade desta força de defesa e de ataque, em circunstancias em que não é preciso usar de tal força. Mas quem é humilhado e espancado, quando chega a sua vez faz o mesmo. A violência numa bola de neve.
Faz me lembrar uma professora primária numa aldeia perto da Figueira da Foz, meados do séc. XX, amiga de nossa casa, que mandava um aluno matulão e do seu agrado, bater no rapaz que estivesse no quadro, sem conseguir resolver os complicados problemas a juntar os gritos e insultos da mestra . Imagine-se a nervoseira dos alunos. Passei por isso.
Então, a senhora professora, gritava para o aluno escolhido para substituir a sua régua e cana da índia :_ Ó Carlos, olha que se não bates com força, sou eu que te vou bater a valer. 
Eu, quando a visitava, assisti cenas dessas. Pensava para mim, "se um tipo me batesse a mando, chegava cá fora e derretia-o"... 
Mas a realidade desta conversa tem a ver com as agressões e a minha pouca , mas mesmo muito pouca simpatia pelos militares e forças paramilitares . De uma maneira geral são arrogantes , vaidosos, e que seguem o lema , "obedeço aos meus superiores e mando nos meus inferiores ". 
Tenho estórias contadas de cenas vividas nos quartéis, onde se ía fazer a recruta, caso das Caldas da Rainha, onde um conhecido capitão de Abril mal tratava e insultava com impropérios os seus recrutas. Passado. 
Mas o que me marcou mais, na Figueira da Foz , onde havia dois quartéis de instrução auto . Eram usados uns carros sem portas , o instrutor e instruendo à frente e mais 2 ou 3 soldados atrás. Subiam lentamente uma rua junto a minha casa pela qual eu subia para a escola primária e mais tarde para o liceu. Além dos gritos e impropérios que eu ouvia, várias vezes vi o instrutor dar bofetadas nos pobres soldados, rapazes jovens, 19, 20 anos. 
A semente da revolta e da injustiça cresceu em mim desde miuda e penso que começou nestes gestos de "de pedagogia esclavagista".
Nada ou quase nada mudou quanto a violência intramuros.
Aos militares, se os houver por aqui que não se identifiquem comigo , pois poderão ser boas pessoas....  , não me levarão a mal. Forças de segurança, são hoje mais simpáticos e com outra formação. Mas tal como dizíamos há uns anos largos, "polícia 
é policia em qualquer parte do mundo.
Boa noite .

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Será que já abri a porta de Dezembro ? Carl Larson, vem aí...


Aguarelas de Carl Larson
   Paulatinamente vou entrando no mês e no Mar ... à Vista, quase sempre com vista de mar.
   A vida mudou ou fui eu que mudei? Ah, mudámos as  duas,  porque eu faço parte da vida a que me proponho, da que me surpreende , nem sempre pela positiva, e naquela em que me envolvo por amor e necessidade .
   Os ritmos são outros porque a idade também é outra e por vezes até parece sentir-me na Idade do Gelo...
   O gelo vai derretendo sentido-me por vezes lavada em suores. Um suor de cheiro agradável ,um brilho imenso nos olhos , de onde explodem  lágrimas salgadas e quentes que me deixam num mar que não de lágrimas , mas de amor.
É a metamorfose causada por dois pequenitos, o Benjamim e o Gabriel, sangue do meu sangue e do meu suor. 
   Vida

domingo, 18 de novembro de 2018

O meu olhar


O meu olhar.
Casa no Monte Estoril.


O Outono mata-me de prazer.
Na Primavera ressuscitarei .

domingo, 11 de novembro de 2018

11 de Novembro , aqui, em modo de poesia

A Guerra

E tropeçavam todos nalgum vulto, 
quantos iam, febris, para morrer: 
era o passado, o seu passado — um vulto 
de esfinge ou de mulher. 

Caíam como heróis os que não o eram, 
pesados de infortúnio e solidão. 
(Arma secreta em cada coração: 
a tortura de tudo o que perderam.) 

Inimigos não tinham a não ser 
aquela nostalgia que era deles. 
Mas lutavam!, sonâmbulos, imbeles, 
só na esp'rança de ver, de ver e ter 
de novo aquele vulto 
— imponderável e oculto — 
de esfinge, ou de mulher. 
David Mourão-Ferreira, in "Tempestade de Verão"