terça-feira, 23 de agosto de 2016

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

bom fim de semana... por hoje, refresquem-se

                                                     Melanie Biasio, pianista 

VERÃO

Lentos lentos
os dias do Verão

que passa
veloz como o vento.


ÚLTIMA LUZ DO DIA

No Verão, antes de escurecer,
os pássaros chilreiam sem parar
como se a luz quisessem prender
antes de a noite a tragar.

Poemas do Conta-Gotas
por João Pedro Mésseder

(breve regressarei aos blogues amigos)


sábado, 13 de agosto de 2016

"A sociologia da panela e do alguidar"☆


Antigamente as cozinheiras dos bons restaurantes portugueses eram umas Senhoras rechonchudas e coradas, em geral já de idade respeitável, com nomes bem portugueses ainda a cheirar a aldeia – a D. Adozinda, a D. Felismina, a D. Gertrudes – e por vezes com uma sombra de buço que parecia fazer parte dos atributos da senioridade na profissão. Tinham começado por baixo e aprendido o ofício lentamente, espreitando por cima do ombro dos mais velhos. E tinham apurado a mão ao longo dos anos, para saberem gerir cada vez com mais mestria a arte do tempero, a ciência dos tempos de cozedura, os mistérios da regulação do lume. A escolha dos ingredientes baseava-se numa sabedoria antiga, de experiência feita, que determinava o que “pertencia” a cada prato, o que “ia” com quê, os sabores que “ligavam” ou não entre si. Traziam para a mesa verdadeiras obras de arte de culinária portuguesa, com um brio que disfarçavam com a falsa modéstia dos diminutivos – “Ora aqui está o cabritinho”, “Vamos lá ver se gosta do bacalhauzinho”, “Olhe que o agriãozinho é do meu quintal”. Ficavam depois a olhar discretamente para para nós, para nos verem na cara os sinais do prazer de cada petisco, mesmo quando à partida já tinham a certeza do triunfo, porque cada novo cliente satisfeito era como uma medalha de honra adicional. E a melhor recompensa das boas Senhoras era o apetite com que nos viam: “Mais um filetezinho?” “Mais uma batatinha assada?”.

Hoje em dia, ao que parece, nestes tempos de terminologias filtradas, já não há cozinheiros, há “chefes”, e a respectiva média etária ronda a dos demais jovens empresários de sucesso com que os vemos cruzarem-se indistintamente nas páginas da “Caras” e da “Olá”. Os nomes próprios seguem um abcedário previsivel – Afonso, Bernardo, Caetano, Diogo, Estêvao, Frederico, Gonçalo, … – e os apelidos parecem um anuário do Conselho de Nobreza, com uma profusão ostensiva de arcaismos ortográficos que funcionam como outros tantos marcadores de distinção – Vasconcellos, Athaydes, Souzas, Telles, Athouguias, Sylvas… Quase nunca os vemos, claro, porque os deuses só raramente descem do Olimpo, mas somos recebidos por um exército de divindades menores cuja principal função é darem-nos a entender o enorme privilégio que é podermos aceder a semelhante espaço tão acima do nosso habitat social natural. A explicação da lista é, por isso, um longo recitativo barroco, debitado em registo enjoado, em que, mais do que dar-nos uma ideia aproximada das escolhas possíveis, se pretende esmagar-nos com a consciência da nossa pressuposta inadequação à cerimónia em curso.

A regra de ouro é, claro, o inusitado das propostas culinárias em jogo e, preferivelmente, a sua absoluta ininteligibilidade para o cidadão comum. Mandam, pois, o bom senso e o próprio instinto de auto-defesa que se delegue na casa a escolha do menu, sabendo-se, no entanto, que não vale a pena sonhar com que pelo meio nos apareça um pobre cabrito assado no forno, um humilde sável com açorda, ou uma honesta posta de bacalhau preparada segundo qulquer das “Cem Maneiras” santificadas das nossas Avós. Seja o que Deus quiser! E começam então a chegar a “profiterolle de anchova em cama de gomos de tangerina caramelizados, com espuma de champagne”,  o “ceviche de vieira com molho quente de chocolate branco e raspa de trufa”, a “ratatouille de pepino e framboesa polvilhada com canela e manjericão”, e por aí fora, em geral com largos minutos de intervalo entre cada prato e o seguinte, para nos dar tempo de meditar sobre a experiência numa espécie de retiro espiritual momentâneo…

E é de experiência que se pode aqui falar no sentido mais fugaz do termo. Deliciosa ou intragável, a oferta tende a ser, por princípio, “one time only”, porque quando o empregado anuncia, na sua meia voz enfadada, o “camarão salteado em calda de frutos silvestres e açafrão”, o uso do singular não é metafórico – é mesmo um exemplar único da espécie que se nos apresenta em toda a sua glória, ainda que possa reinar isolado no meio de um prato em que em tempos caberia um costeletão de novilho com os respectivos acompanhamentos. Se se detestar, há pelo menos a consolação de que não haverá qualquer hipótese de reincidência do crime; se se adorar – o que há que reconhecer que muitas vezes acontece – ficará apenas a memória fugidia do prazer inesperado. A função do “chefe” é proporcionar-nos no palato esta sucessão de sensações momentâneas  irrepetíveis, todas elas em doses cuidadosamente homeopáticas, um pouco como as configurações sempre novas de um caleidoscópio – ou, se se preferir uma imagem mais forte, como a versão gastronómica de uma poderosa substância alucinogénea, daquelas que faziam as delícias da geração hippie dos anos 60 quando lhe davam a ver, ora elefantes cor-de-rosa, ora hipopótamos azul-celeste. Wow!

Que saudades das Donas Adozindas, das Donas Felisminas, das Donas Gertrudes, mais camponesas ainda do que citadinas, com a sua sabedoria, as suas receitas de família, a sua simplicidade, a sua fartura, o seu gosto de servir bem, o seu sentido de tradição e de comunidade!

Texto de Rui Vieira Nery
Titulo surripiado a Antonio Ribeiro no comentario ao texto.  Tudo no FB.
Imagem Google,  "cozinheiras tradicionais  portuguesas"

sexta-feira, 29 de julho de 2016

"quando desejamos, pomo-nos à disposição de quem esperamos", assim foi , assim é...até breve


Pinturas de Edward Hopper, 1950
"A obra que trazemos em nós parece-nos sempre mais bela do que aquela que fizemos"

Alphonse Daudet (1840-1897)

A todos os amigos que por aqui passam habitualmente e gentilmente deixam um comentário, as minhas desculpas por falta de retribuição. Majo, Graça, Puma, Justine, e outros que passam mas só lêem, que me desculpem por falta de comparência. Mudanças na vida . Boas, mas que tiram tempo e diposição para a blogosfera.  Irei passando. Tudo de bom para vós. Vou tirar um tempo de descanso deste Mar à Vista mas sem vos deixar com vista de mar.

terça-feira, 26 de julho de 2016

procurando frescura nas palavras e nas imagens...

"quartos pelo mar", Edward Hopper


"quando escrevo mar
o mar todo entra pela janela"


Al berto

sábado, 23 de julho de 2016

hoje, sonho esta praia....

Raquel Taraborelli - Pintora brasileira contemporânea



sábado, 16 de julho de 2016

o calor, O`Neill e o meu repasto, com música (2)...

Pensando no almoço de amanhã na companhia de Alexandre O`Neill.

Salada deliciosa:

3 bananas
2 tomates
1 cebola

Corta-se em miúdos, deita-se-lhe azeite virgem e limão. è uma das melhores saladas conhecidas.

Do livro, JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU, ASSÍRIO&ALVIM

quinta-feira, 14 de julho de 2016

as noites musicais de verão...anos 60 (1)

porque é por ti que vivo é por ti que nasço

     porque amo o ouro vivo do teu rosto
                                    
                  António Ramos Rosa (Amo o teu túmido candor de astro) 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

"A bola e o Goleiro" de Jorge Amado e a crónica de Rui Martins no DN de hoje.... Por mim, já acalmei das diatribes futebolísticas. Férias....





Adicionar legenda

Uma coleção que já não existe, nasceu nos anos 8o do séc. passado, esgotou pela beleza e pela escolha dos autores e ilustradores. Não era barata... , mas eu tenho-a. De 4 em 4 anos venho a este livro de Jorge Amado, altura em que as coisas do futebol me entusiasmam. 
E, acabo por aqui a minha acalmia, deixando-vos tambem a c´ronica de hoje,  no DN,  de Rui Cardoso Martins. Uma ´pérola.

(quem quiser ler o livro todo e ver as ilustrações , deixei-o na minha página de FB)

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"Num gesto chauvinista e antifrancês (eu, que chorei pela França e pelos amigos franceses, neste ano de terrorismo, e fui beber uma cerveja no Le Carrillon e acho que nisto eles são uns bravos), fiz passar pela sala um exemplar em marroquim do livro El-Rey Junot, de Raul Brandão, que nos conta os delírios das invasões de Portugal, no princípio do século XIX, quando isto parecia ser tudo deles e quando ainda hoje tantos respeitam um assassino de massas, salteador sem misericórdia, Napoleão Bonaparte. Lembrámos as derrotas futebolísticas de 1984, 2000, 2006, quando a França nos eliminava e tratava a seguir como se o nosso fracasso estivesse contemplado no artigo 2 de um eterno código napoleónico.

Crónica completa, AQUI

segunda-feira, 11 de julho de 2016

vista aérea do estádio de Saint Denis, quando.... (momentos de ouro)

Exibindo IMG-20160711-WA0004.jpg

meu piloto de eleição, TAP, sobrevoava o estádio no glorioso dia de ontem a caminho do Luxemburgo. Que festa, pá!

terça-feira, 5 de julho de 2016

momentos de ouro...


Pinturas de Edouard Manet


Porque gosto de miúdos, porque fui professora, de miúdos(as)... Mãe do António, avó do Gabriel, 16 M, fizemos hoje o nosso primeiro dia de praia com todas as traquitanas, não muitas, que tal performance requer.
A maré estava baixa, lindas algas passeavam-se ao sabor da maré baixa, cardumes de belos peixes, sinal da pureza das águas,  deslizavam junto das nossas pernas.
Não tem preço o prazer de iniciar o meu pequenito nas texturas marinhas, que lhe causam ainda algum "frisson".
Ao meu colo, porto seguro, bracinhos de mel agarravam o meu pescoço.

E, de tudo um pouco aconteceu. "Petit à petit", até que um dia, quando falar, me peça :- vovó, eu quero um mar pequenino, só para mim, para eu brincar...
Há 36 anos foi o que o pai me pediu e eu eu dei-lhe o oceano, todos os oceanos do mundo.

domingo, 3 de julho de 2016

Camilo de Oliveira... 1924-2016 . Boas memórias tenho....

Teatro Caras Direitas, Buarcos, Figueira da Foz, fundado pela avó de Camilo de Oliveira, que nos deixou hoje depois de 91 anos bem vividos . 
Eu não sabia que Camilo tinha nascido na Figueira, mas sei que as minhas primeiras memórias de Teatro, são da Companhia de Teatro Rafael de Oliveira, companhia itinerante, que se instalava por meses na Figueira . Teatro e outras variedades. 
Hoje fiquei mais rica por saber que estou ligada por naturalidade e não só , a uma figura importante do teatro e da comédia portuguesa.
Bem Hajas, Camilo de Oliveira. Aqui

sábado, 2 de julho de 2016

Alvin Toffler, 1924-2016

IDEIAS DE ALVIN TOFFLER

Alvin Toffler acreditava que havia uma sobrecarga de informações devido ao aumento das tecnologias e que isso impactava diretamente no cotidiano das pessoas. Foi ele que criou o termo "sobrecarga informativa", onde dizia que há muitas informações para serem processadas em um período de tempo muito pequeno.
A sobrecarga informativa era o tema mais defendido por Toffler desde o início de sua carreira, atribuindo este fenómeno a um grande stress da população que gera um problema social.
O sucesso de suas ideias é que Toffler teve a capacidade de prever que todas as pessoas seriam dominadas pela tecnologia e teriam um computador em casa.
Da mesma forma que continua com suas previsões futuristas, Alvin Toffler acredita que em um futuro próximo seremos vigiados por câmeras constantemente, sendo totalmente dominados pela tecnologia.
Em algumas entrevistas dadas a Revista Veja, Toffler ainda afirma que a agricultura do futuro irá focar na tecnologia para melhoria da qualidade dos alimentos, podendo produzir cada vez mais produtos bons a baixo custo, sendo possível até diminuir a miséria do mundo através de uma alimentação mais saudável e barata. Porém ele afirma que nada disso será possível sem educação.
De modo geral, suas ideias analisam as tecnologias atuais para prever as que ainda virão e, ironicamente, ele acertou quase todas as previsões futuristas apresentadas em seus livros, artigos e palestras.

pesquisa Google, in Portal de Gestão

quinta-feira, 30 de junho de 2016

leituras breves... , mas profundas

ESCRITO
NA PEDRA
“Os jogos infantis são graves ocupações. Apenas os adultos
brincam” Henri Barbusse (1873-1935), escritor francês

Jornal Público de hoje.


(uma das faces do berço de família)

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A pausa continua..

Pintura de David Hockney, para dizer que estou viva , mas afónica e sem PC.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

quarta-feira, 22 de junho de 2016

que ganhe. que ganhe Portugal. Nestes dias tento também entusiasmar-me....


com o jogo que há uns 40 anos eu pensava ser só de e para homens.... Por aqui, a paridade aumentou substancialmente. 
Nestas alturas,  tento sempre compreender "a dança"...  Afinal são só 90minutos... Mas, depois passa-me. E, daqui a 4 anos há mais. 
E, vem-me à memória , o euro de 2004, a forma como o vivi, em Bruxelas, de preferência na Place du Lexemboug, a do Parlamento Europeu, na já mistura fina europeia a pulsar de entusiasmo  e gritaria. Viver um euro quando se vive e trabalha fora, e eu não era emigrante , mas trabalhadora do ensino por vontade própria, tem uma emoção infinita, com o nome de SAUDADE, ou  a defesa de "cria" que é nossa. 
Aconteceu....

terça-feira, 21 de junho de 2016

o dia mais longo do ano, verão.... e...

Porque não também o beijo mais longo do ano?

segunda-feira, 20 de junho de 2016

leituras breves, mas profundas... Vida

...

é a vida, vulnerável, tremulamente riscada e tenazmente arriscada na vontade de a compreender e manter firme, nesse hirto virtuoso, assaz curioso, a dar ares de poderoso. Entre-o-pode-e-não-pode, o tem-te e não-caias, raia a imensidão incerta, no trémulo pontão e serena escuridão, que não deixa perceber se é para andar, se é para ficar, para cair ou erguer. E assim, por entre os pingos da chuva, rompemos e permanecemos na caminhada alada. Umas tantas vezes no fio da navalha, por onde calha, a suster portes, a pedir sortes, e fracos ou fortes, gemendo e rogando, andando, tentando não cair até ao fim de um caminho encurtado.

Do livro, ESTRANHOS DIAS À JANELA, EXCERTO DO CONTO "VULNERABILIDADES", de Mário Jorge 
Branquinho

Pintura sobre acrílico, autor desconhecido, "A àrvore da Vida"

sábado, 18 de junho de 2016

bom fim de semana... e, os versos prometidos

Jose de Alamada Negreiros, desenho

Pois tudo era memória, acontecia
há muitos anos, e quem se lembrava
era também memória que passava,
um rosto que entre os outros rostos se perdia.

Manuel António Pina, Numa Estação de Metro

sexta-feira, 17 de junho de 2016

amanhã já são 18, dia de ir para a rua defender a querida Escola Pública

(imagem  e texto surripiados ao Jornal on-line, Tornado) AQUI
O economista Eugénio Rosa analisou o financiamento do ensino privado nos últimos 15 anos e concluiu que o Estado gastou, nesse período, perto de 4,5 mil milhões de euros a financiar o ensino básico e secundário privado