quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A fotografia de Rosa ...

O frio nao me tolheu a memória. Ir buscar a fotogrfia de Rosa Tengarrinha ao FB. 
Uma fotógrafa de mao cheia. Sensibilidade e bom gosto.
O frio nao me alterou o programa . Quando programada  a visita ao Museu dos Caminhos de Ferro Portugueses, no Entroncamento , nao se previa o fenómeno gelido da visita. Longa, mas guiada com paixao e conhecimento . Pois isto de comboios  tem muito que se lhe diga.... 
Para os amantes dos ditos e da fotografia , escolham a primavera ou o verão e nao deixem de conhecer.
Este post é  feito  em andamento . De comboio, claro.

domingo, 15 de janeiro de 2017

Gelo

Pieter_Bruegel_the_Elder_-_Hunters_in_the_Snow_(Winter
"Ganhei (perdi) meu dia.
E baixa a coisa fria
também chamada noite, e o frio ao frio
em bruma se entrelaçam, num suspiro"

Carlos Drumond de Andrade

Fonte: Jornal Expresso, metereologia

sábado, 14 de janeiro de 2017

Muros e para além deles . Hoje, dou-te um poema .

Cerca de Grandes Muros Quem te Sonhas

Cerca de grandes muros quem te sonhas. 
Depois, onde é visível o jardim 
Através do portão de grade dada, 
Põe quantas flores são as mais risonhas, 
Para que te conheçam só assim. 
Onde ninguém o vir não ponhas nada. 

Faze canteiros como os que outros têm, 
Onde os olhares possam entrever 
O teu jardim com lho vais mostrar. 
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém, 
Deixa as flores que vêm do chão crescer 
E deixa as ervas naturais medrar. 

Faze de ti um duplo ser guardado; 
E que ninguém, que veja e fite, possa 
Saber mais que um jardim de quem tu és - 
Um jardim ostensivo e reservado, 
Por trás do qual a flor nativa roça 
A erva tão pobre que nem tu a vês... 

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro' 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Hoje , dou-te um verso. Amanhã , não sei....


Num tempo difuso de quebranto,
     Tudo encetei e nada possui...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

rio de Sá-Carneiro, VII-Quasi

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"o segredo"



"o amor nunca está satisfeito, quer sempre mais e mais, faz parte da natureza humana"

Cruzeiro Seixas, 94 anos de idade, em convesa hoje, na RTP2

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Bambi, para todas as idades...

Uma história de miúdos , sobre miudos e que os adultos gostam...
Morreu na sexta feira com 106 anos,  o criador do desenho do BAMBI, Tyrus Wong, nascido em Cantão. Aos 9 anos já desenhava.

Bambi, é uma imagem de ternura para a nossa geração, mas que penso que os pequenotes de hoje não desdenharão. Não sei... Mas confirmo que os ternurentos MIGNONS são a sua perdição.
A mim,  o Bambi fazia-me chorar e eu desejava encontar pessoas que tivessem um pequeno BAMBI dentro do seu coração.

Tenho um amiguinho de 8 anos, o Miguelinho, com quem comecei a trocar uns mails depois que ele este natal ganhou o seu "tablet".
Dei-lhe a notícia, explquei quem era e mandei-lhe este video.
Resposta telegrafica :- Eina, 106 anos... 

Amanhã o meu neto Gabriel faz 22 meses. 
Vou começar por lhe mostrar vídeos pequenos deste animal de estimação ...
O que surgir, logo se verá. ..
Se lhe mostrar um de um MIGNON, sei que começará a rebolar-se dançando, e cabeça para a esquerda e para a direita.
Afinal, em pequenas doses , as avós fizeram-se para "estragar" os meninos, apesar das minhas dúvidas que o tempo de concentração, não dá para estragar nada mas sim para estimular.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Poema de Ano Novo para quem passa.



Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento
Fernando Pessoa
Por motivos "gripais" não tenho coragem de visitar os amigos. Ainda por aqui estou...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

e, mais depressa do que se imagina, estamos quase no fim do ano de 2016, mas sem esquecer o que aqui vos deixo

"Um golo no prolongamento, uma "geringonça" estável, um presidente popular, Guterres na ONU, os resultados do PISA. Este é o ano em que a auto-estima voltou?"

....
"O filósofo José Gil, que aceitou reflectir para este balanço do ano do PÚBLICO, já encontra evidências dessa mudança. “Há uma modificação muito importante num mecanismo da relação dos portugueses com o estrangeiro, que tradicionalmente contribuía para uma imagem negativa dos portugueses. A valorização da imagem que vem de fora mudou este ano, em imensos planos.”

..."José Gil dá um exemplo do que mudou, também aqui. Marcelo Rebelo de Sousa “fez desaparecer a imagem de Cavaco, que era austero”. “O novo Presidente da República reduziu real, e imaginariamente, a distância com o povo. Gestos simbólicos como a abertura dos jardins do Palácio de Belém são muito importantes para esbater essa percepção de distância entre os políticos e os eleitores. É uma forma de democracia participativa de que o povo não tinha o hábito.”

(JORNAL PÚBLICO, artigo completo , AQUI)

sábado, 24 de dezembro de 2016

os desejos, as festas, e as Boas Festas....

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

Pintura de Carl Larsson

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Boas Festas a quem vai passando....


No outro Natal, quando a casa se encheu por causa
das crianças e um de nós ocupou a cabeceira,
não cheguei a saber
se era para tornar a festa menos dolorosa,
se para voltar a sentir o quente do teu colo.

Maria do Rosário Pedreira

Pinturas de Carl Larsson

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

dezembrando à sombra de lembranças

Nicolas de Stael - The Musicians 1953
Volta com os primeiros anjos de dezembro
num vasto laranjal eu quero amar-te
e então a tua vida há-de ser a minha arte
e o teu vulto a única coisa que relembro

Ruy Belo

sábado, 10 de dezembro de 2016

Dia de Clarice Lispector . (1929-1970)

8

Foi criado um dia para Clarice Lispector. Nascida a 10 de dezembro. Por ironia da vida, morreu a 9 de dezembro, véspera  do  seu aniversário . 

No Brasil, Rio de Janeiro e em Paris, há  momentos de festa cultural

Eu sou uma eterna apaixonada por palavras, música e pessoas inteiras. Não me importa seu sobrenome, onde você nasceu, quanto carrega no bolso. Pessoas vazias são chatas e me dão sono.

(colagem feita pela neta Mariana de Clarice)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Leituras breves, olhares profundos

Di Cavalcanti, 1953, "Mulher com gato"
Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.
Preocupa-me pouco aonde ir - disse Alice.
Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o gato.
Lewis Carroll

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O lado B de Ferreira Gullar, pintar e desenhar

"O Gato Gatinho"

Ferreira Gullar. 1930-2016



O QUE SE FOI


O que se foi se foi.
se algo ainda perdura
é só a amarga marca
na paisagem escura.

Se o que se foi regressa,
traz um erro fatal:
falta-lhe simplesmente 
ser real.

Portanto, o que se foi,
se volta, é feito morte.

Então porque me faz
o coração bater tão forte?

sábado, 3 de dezembro de 2016

Uma bela e interessante descoberta... e um verso a condizer


Philip Guston, (1913-1980) (aqui)

Isto vai meus amigos    isto vai

José Carlos Ary dos Santos, Triptico do Trabalho-3- Futuro

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

"por outro lado , somos feitos de esquecimentos", porque esquecer é uma forma de salvação...


De Salvador Dali, ilustração para livro de Alice no País das Maravilhas

O que mais gostei de reter nas minhas breves leituras matinais.
Cada vez menos de prós, a sageza da idade e bom senso a ensinar me a ver cada vez melhor os contra. 
Sempre interessante o Expresso Curto que me entra na caixa do correio pela manhã, entre outros matutinos...
Há sugestões e bons conselhos. Hoje, foi a vez de Nicolau dos Santos. Podia ter escolhido mais itens. Mas fiquei-me pelo quinto, porque Pina deu sempre razões para vir "à baila".
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"Quinto, depois desta decisão, tudo o que de péssimo se passou até aqui na Caixa Geral de Depósitos passa para secundaríssimo plano. E aqui entra o meu querido Manuel António Pina, que como poeta sabia mais de finanças e de tudo que qualquer outra pessoa. “Somos seres para o esquecimento (…) Por outro lado, somos feitos de esquecimentos. Como diria a Rainha Branca de Alice do Outro Lado do Espelho, todos os dias nos esquecemos de meia dúzia de coisas antes do pequeno-almoço. Precisamos absolutamente de esquecer e de saber que esquecemos. Uma má memória, como diria Marc Augé, rejuvenesce” (in “Dito em Voz Alta, entrevistas sobre literatura, isto é, sobre tudo”, Manuel António Pina, Documenta, junho de 2016)."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1ºde Dezembro analisado por dois historiadores no séc. XXI

Cerâmica do artista plástico Ferreira da Silva
Um acrescente ao Mar... , depois de passado os olhos por alguns blogues. E, isto são mesmo memórias.  (AQUI)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Momentos de ouro com o pintor João de Almeida. Aconteceu agora...




Pintura em pastel, de João de Almeida

...  na RTP2, no prograna AFINIDADES, conduzido por Maria João Seixas

João de Almeida, com quase 90 anos, está um jovem pleno de práticas e projectos de pintura.
Uma história de vida incrível. 
Se não puderem ver na televisão, deixo aqui o link com uma entrevista dada há um ano ,a Henrique Monteiro, para o jornal Expresso.  (ler entrevista)

domingo, 27 de novembro de 2016

sábado, 26 de novembro de 2016

bom fim de semana, sem esquecer um ano de optimismo...

Era mesmo o que nos faltava e esse já ninguém nos tira...
Ninguém pode viver eternamente feliz nem infeliz. Há pausas.
A tal de" geringonça" , que eu gostava mais que fosse "passarola", e os seus 365 dias, que cá pelo meu burgo fez força para que existisse. 

Não são as nossas ideias que nos fazem optimistas ou pessimistas, mas o optimismo e o pessimismo de origem fisiológica que fazem as nossas ideias.
Miguel Unamuno

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Fim de decanato... Entre o escorpião e o sagitário


1913. Femme brune assise de face, avec guitar, Felix Vallotton

Tivesse ainda tempo e entregava-te 
o coração...

domingo, 20 de novembro de 2016

Olhar o tempo...

Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade

Vive, dizes, no presente, 
Vive só no presente. 

Mas eu não quero o presente, quero a realidade; 
Quero as cousas que existem, não o tempo que as mede. 

O que é o presente? 
É uma cousa relativa ao passado e ao futuro. 
É uma cousa que existe em virtude de outras cousas existirem. 
Eu quero só a realidade, as cousas sem presente. 

Não quero incluir o tempo no meu esquema. 
Não quero pensar nas cousas como presentes; quero pensar nelas 
                         como cousas. 

Não quero separá-las de si-próprias, tratando-as por presentes. 

Eu nem por reais as devia tratar. 
Eu não as devia tratar por nada. 

Eu devia vê-las, apenas vê-las; 
Vê-las até não poder pensar nelas, 
Vê-las sem tempo, nem espaço, 
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê. 
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma. 

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
 
Fotografia de Mário Branquinho, via FB