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Boas Festas a quem passa . Natal a vosso jeito...

Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal'
Pintura de Cláudia Costa, "O Improvável recreio dos Ícones"
LISBOA E A DÍVIDA AO ‘COCÓ’!
Talvez muitos lisboetas desconheçam que devem a Avenida da Liberdade aos ‘cocós’ alfacinhas — que nada têm que ver com excrescências, diga-se! Os ‘cocós’ eram pequenos doces folhados de cor castanha, feitos à base de creme de ovos e amêndoas picadas. Fizeram a fama e a fortuna da Confeitaria Rosa Araújo, aberta em 1840 na rua de São Nicolau pelo casal Silva Araújo. Manuel José e Eulália Rosa aumentaram a família nesse mesmo ano com o nascimento de José Gregório da Rosa Araújo. Consta que o pai sabia cativar a clientela miúda, chamando-os da porta: “Venha cá menino! Venha cá comer um cocó...” O filho começou aos 13 anos a servir na casa, herdando uma fortuna colossal, graças ao prestígio dos ‘pastéis de cocó’. Eça de Queirós confirma-o em “O Primo Basílio”, onde Alves Coutinho os fixa como uma especialidade: “Para os folhados, o cocó!” A fama do pastel passou a epíteto do filho, o sr. Rosa Araújo, o ‘Cocó’, cidadão muito respeitado que chegou a presidente da…
OS DOIS EUS E A SOLIDÃO
Em mim
a solidão é já uma pessoa.
Onde a um eu que não chora
um meu outro eu
chora tudo
pelos três.
José Craveirinha, Obra Poética
Tricotar. Uma viagem para lá outra para cá . Ou as voltas que a vida tece .

Anamar

Aguarela de Carl Larsson


Greta Thunber também sabe sorrir... :)

   Espanta-me a forma crítica e arrogante como pessoas criticam uma jovem de 16 anos, super inteligente, fundamentada cientificamente e que incorporou uma preocupação mundial. Deixem para trás o cinismo dos países poluidores .     É conhecida mundialmente? Claro, e ainda bem. Tem sponsers ? Ainda bem , para poder viajar a sensibilizar os jovens e os mais velhos....    Há muita gente acomodada.
Quantas pessoas lutaram por ideais, bem novos, com parcos meios e pouca ou nenhuma liberdade . Eram jovens e diferentes. Hoje, com os meios à disposição, é impossível as " Gretas" deste mundo passarem por entre gotas de água .    Venham mais cinco .
Uma post meu , ontem no FB .

Querer, queria...

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda
Pintura de Carl Larsson

Ontem na Gulbenkian uma Missa alegre e emotiva

Se...

Se falo, falo-me; se ouço, ouço-me; se pinto, pinto-me ... o único ideal somos nós mesmos.

Gerardo Burmester
Pintura de João Dixo . 1941-2012

Edgar Morin em Portugal e a sua ternura por pessoas e pelo país

Gostei de ver ontem,  no noticiário da RTP2  a entrevista que Morin deu à jornalista de serviço. Esqueci seu nome... 
 Pode ser vista na RTP play. AQUI

Há algo que vos deixo também por AQUI . 

PEDRO BRANCO - CONTIGO - O outro lado

José Mário Branco . A capicua traiu-o....1942-2019

Um profundo e sincero adeus, José Mário Branco .

Será que foi agora que chegou a tua verdade ?

"O amor é um sentido "

Excerto do livro  Namorados, de Luis  Pacheco

Pintura de Eugene Delacroix, La Mort d` Ophelie

Os homens.... "E agora José ?"

Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?

Guimarães Rosa

Fotografia do Público /Fugas

Tempo de marmelos e marmelada .... Tempo de doçura

Luis Egidio Meléndez, séc. XVIII

Talvez assim tenha nascido o nome do grande romance .... «Sinais de Fogo" , centenário de Jorge de Sena

Acendi um cigarro. Onde iria jantar? Não me apetecia comer. Apetecia-me fugir. Para onde e porquê? E, de repente ouvi dentro da minha cabeça uma frase: «Sinais de fogo as almas se despedem, tranquilas e caladas, destas cinzas frias.» Olhei em volta. De onde viera aquilo? Quem me dissera aquilo? Que sentido tinha aquela frase?Tentei repeti-la para mim mesmo: «Sinais de fogo... » Mas esquecera-me do resto. Com esforço reconstituía a sequência: »Sinais de fogo os homens se despedem, exaustos e espantados, quando a noite da morte desce fria sobre o mar.» Não tinha sido aquilo. Não era aquilo. E que significava? Seriam versos? Repeti mentalmente: «Sinais de cinza os homens se despedem, lançando ao mar os barcos desta vida». Novamente as palavras eram outras, ou quase as mesmas mas diversamente. Tirei um papel do bolso, e escrevi: »Sinais de fogo os homens se despedem lançando ao mar os barcos desta vida». Reli o que escrevera. E depois? Olhei o mar que escurecia , com manchas claras que on…

outono, natureza morta, Josefa d´Óbidos

Canção de Outono

Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...

Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles

Inquietação ...

"Manet recusa-se a juntar os elementos para contar uma história e é a falta de narrativa, o mistério, que inquietam.” Michael Fried
Ler AQUI

Acontece ...

A minha juventude passou e eu não estava lá .

Manuel António Pina

Pintura de Júlio Reis