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segunda-feira, 30 de julho de 2018

Para um amigo , hoje seu dia de anos


Pintura de João Hogan

Evolução

Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo 
tronco ou ramo na incógnita floresta... 
Onda, espumei, quebrando-me na aresta 
Do granito, antiquíssimo inimigo... 

Rugi, fera talvez, buscando abrigo 
Na caverna que ensombra urze e giesta; 
O, monstro primitivo, ergui a testa 
No limoso paúl, glauco pascigo... 

Hoje sou homem, e na sombra enorme 
Vejo, a meus pés, a escada multiforme, 
Que desce, em espirais, da imensidade... 

Interrogo o infinito e às vezes choro... 
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro 
E aspiro unicamente à liberdade. 

Antero de Quental

sábado, 3 de março de 2018

Será sempre dia de festa, faça chuva ou sol ....




Até ontem,  o meu pequeno Gabriel fazia o "V" com os seus dedinhos para dizer que tinha 2 anos. Mas, entretanto foi aprendendo a posicionar os dedos para dizer que hoje já teria 3 anos. 
Netos, são uma benção . Netos, são os filhos do meu filho e da bela mulher que escolheu para mãe dos mesmos e para outros projectos de vida.
Soubesse eu desenhar, sem génio, mas só com algum engenho, à minha maneira, também compulsivamente, pois tenho todo o tempo do mundo, faria como Picaso, que aos 73 anos descobriu o encanto da família e da paternidade, desenhou e pintou os filhos Paloma e Claude , sem parar .



"Il faut être enfant tout sa vie
tout en ètant un homme"
Matisse

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Nascer, viver, até que....




Se, depois  de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
                                                         Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e da minha morte.
                            Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.

                                                                                       Alberto Caeiro
Daniel Blaufuks , fotografia

terça-feira, 13 de junho de 2017

A cada um o seu "sermão" ....


Santo António e Fernando Pessoa , de Júlio Pomar

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Fim de decanato... Entre o escorpião e o sagitário


1913. Femme brune assise de face, avec guitar, Felix Vallotton

Tivesse ainda tempo e entregava-te 
o coração...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

87 belos anos, hoje, os de minha Mãe

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apagas
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade)

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Grata aos amigos reais e virtuais...

Pintura de Felix Volloton, "Jantar à luz"
... Sempre gentis, fazendo-me sentir ainda mais viva.
Pensei pela manhã, quando vi que a página do Google me era dedicada, lembrando o meu aniversário ,  que os que vivem sós, por opção ou por rejeição, ou porqué "é a vida!", mas quase sempre num enorme desconforto, podem ser "estimados" pelas vias sociais das redes.
O dia foi caloroso. Bem comido, bem regado e adocicado. A minha Mãe, do alto dos seus 86 anos, orgulhosa e encantada pela sua mesa redonda estar toda preenchida.
Mais logo será um outro dia e o desejo que tudo se repita para o ano, mas aí,  já com o pequeno Gabriel,  que vem a caminho...

terça-feira, 20 de maio de 2014

continuação do tempo... com arte



                                              Pintura de António Viana  (AQUI)

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Et voilá, madame Deneuve... Parabéns...

Em uma entrevista recente à revista Paris Match, Deneuve contou o segredo de sua beleza e serenidade: "Sou movida pelo desejo, só faço o que me dá prazer", disse a atriz.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Momentos de ouro.... De um ano para o outro cumpriram-se os anos , 85...


ERA UMA VEZ

A loisa negra em que o menino escreve
aquilo
que a razão,
por qualquer voz,
lhe ensinou.

E a esponja lava o que o menino escreve

O menino,
a esponja,
a loisa,
são tal e qual o que eu sou.

  Poema de Álvaro Feijó


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Maternidade... hoje, porque sim..

     

 POEMA DE ME CHAMAR ANTÓNIO   
                 
 Hoje ao nascer do sol, de manhãzinha,
ouvi cantar um galo no quintal
quando eu tinha seis anos e fui passar as férias do Natal
com a minha madrinha.

Na cama improvisada no corredor
sabiamente fingia que dormia
muito embrulhado num cobertor,
enquanto numa luz melada e quase fria,
o mundo, sabiamente,
fingia que nascia.

E então apeteceu-me também nascer,
nascer por mim, por minha expressa vontade,
sem pai nem mãe,
sem preparação de amor,
sem beijos nem carícias de ninguém,
só, só e só por minha livre vontade.

Dobrado em círculo no ventre do meu cobertor,
enrugado como um feto à espera da liberdade
(viva a liberdade!)
cerrava e descerrava as pálpebras, sabiamente,
como se as não movesse,
como se não sentisse nem soubesse,
abrindo-as numa fenda dissimulada e estreita,
insensível às coisas quotidianas,
mas hábil para aquela alvorada puríssima e escorreita
que me inundava o sangue através das pestanas.
Fremiam-se-me as pálpebras sacudindo na luz um pó de borboletas,
um explodir de missangas furta-cores,
bacilos e vapores,
rendas brancas e pretas.

Cada vez mais feto, mais redondo, mais bicho-de-conta,
mais balão, mais planeta, bola pronta
a meter-se no forno,
mais eterno retorno,
mais sem fim nem princípio, sem ponta nem aresta,
excremento de escaravelho aberto numa fresta.

Foi então
que o tal galo cantou.
Looooooonge...
Muito looooooonge...
no quintal da vizinha,
lá para o fim do mundo mesmo ao lado da casa da minha madrinha.
Era uma voz redonda, débil, inexperiente,
bruxuleante como a chama
que está mesmo a apagar-se e esperta de repente
e novamente morre e de novo se inflama.
Uma voz sub-reptícia, anódina, irresponsável,
fugaz e insinuante,
um canto sem contornos, aéreo, imponderável.
Tudo isso e muito mais, mas principalmente distante.

Foi assim que a voz do galo na capoeira
do quintal da vizinha
que tinha plantado ao centro uma nespereira
mesmo junto da casa da minha madrinha,
penetrou no ventre macio do meu cobertor.
Era uma frente de onda, compacta e envolvente,
pura já na garganta e agora mais que pura,
filtrada
e destilada
nos poros ávidos da minha cobertura.
Chegou e fulminou o meu ser indigente,
exposto e carecido,
naquele gesto mole e distraído
do Deus omnipotente
da Capela Sistina
quando ergue a mão terrível e fulmina
o coração
de Adão.

E pronto. Eis-me nascido. Cheio de sede e fome.

António é o meu nome.

POEMA DE ANTÓNIO GEDEÃO
PINTURA DE GINO SEVERINI (1883-1966)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Muitos , bons e bonitos... anos


Senhora de Fátima, de Ronaldo Mendes

Hoje, a Senhora minha mãe, que com a Senhora de Fátima só tem a ver na bondade que a dita senhora dizem que tinha, completa 82 anos, dos bons e belos ... De resto , é uma aquariana de gema... a mais bonita da Figueira, e , não sou filha coruja. .. É uma constatação...
Resolvi imaginar a mãe Ana, vestida na roupagem do quadro de Ronaldo Mendes, com a família ao seu redor. Uma forma de a festejar.
É uma festa que quero prolongar no tempo... e partilhar com os amigos..