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domingo, 15 de março de 2015

Afinal é tão simples o que parece complicado ... é uma questão de "códigos"...


O Simples e o Complicado

As pessoas não querem que se lhes dê lições. É por isso que não compreendem agora as coisas mais simples. No dia em que o quiserem, verificar-se-á que são capazes de compreender também as coisas mais complicadas. Até lá, as instruções são: continuar a trabalhar, discutir o menos possível. Com efeito, só poderíamos dizer a um indivíduo: você é um imbecil, a outro: você é um patife, e há boas razões que excluem a realização expressiva de tais convicções. Sabemos, de resto, que estamos diante de pobres diabos, que receiam por um lado chocar, prejudicar as suas carreiras e que, por outro lado, se encontram acorrentados pelo medo do que está recalcado neles próprios. Teremos de esperar que todos eles morram ou se tornem lentamente minoritários. De qualquer maneira, o que acontece de fresco e de novo é a nós que pertence. 

Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud' 

segunda-feira, 9 de março de 2015

a repetição do acto...

"Tenta sempre. Falha sempre.

Não interessa. 

Tenta outra vez, falha outra vez,

falha melhor"...

Samuel Beckett



Talvez um dia acertes..


Óleo de Pedro Pascoinho

sábado, 17 de janeiro de 2015

bom fim de semana. será propício a leituras breves ou profundas...

 Eu quisera que como base de toda a moral se estabelecesse e firmasse no coração do educando uma única virtude primordial em que todas as outras se contivessem e da qual ele formasse uma noção perfeita e clara. Esta virtude não pode ser senão a Justiça. Justiça é tudo, justiça é as virtudes todas, justiça é religião, justiça é caridade, justiça é sociabilidade, é respeito às leis, é lealdade, é honra, - é tudo enfim.
Garrett, Da Educação.
Desenhos de Almada Negreiros
Texto sugerido no FB, por Joana Bernardes

domingo, 21 de dezembro de 2014

Leituras no meu jardim, com sol ...



Jardim dos Passarinhos ou Carlos Anjos, Monte Estoril


"Devemos o progresso aos insatisfeitos", A. Huxley. hoje, ESCRITO NA PEDRA, jornal Público

Pensando bem ou andando a pensar mais ou menos bem, por estas bandas , progresso é coisa que vai faltar. 
Individualmente, cada um pode superar algo na sua vida, se para isso a arte e o engenho ajudarem .
No colectivo, não vejo, nem uma sombra disso acontecer. 
Parece não haver insatisfeitos nem indignados.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

"ARAUTOS DO AMOR" (1)

Há semanas parece que Caetano Veloso esteve por cá. Fins de Abril. Espectáculos ao vivo que mãos exterminadoras e implacáveis me impediram de ir. Não estou só nestes actos de prazer . Somos muitos....
Contudo o prazer de leituras de revistas de estimação, esta também já "moribunda" no outro lado do Atlântico, ! BRAVO, fez-me relembrar esta crónica de Inês Gonçalves, Na !BRAVO de dezembro de 2011.

(excerto)
Devo às canções do Brasil a minha fé no amor. Não é coisa pouca nem leve; acredito no amor como os outros acreditam na Virgem de Fátima : à revelia dos tropeços da História. Não há lágrima que eu não  transforme em prisma de uma nova visão do mundo, nem ruínas de ilusão sob as quais não encontre o sinal de uma alegria maior. As canções brasileiras, em particular as de Caetano Veloso e Chico Buarque, deram-me um doutorado naquilo a que o Padre António Vieira chamou "amor fino" - o amor a fundo perdido.

(CONTINUA)


terça-feira, 15 de abril de 2014

Todos diferentes, todos bonitos, os amores..., imperfeitos (leituras breves)


Não é fácil entre dois – rotinas, segredos e angústias são matéria que apenas a um deveria pertencer. Quase nunca sucede. Crescemos na ideia de que o amor é a junção de dois, um equívoco que nos faz falhar. Construir o que é comum pressupõe a soma dos dois, não a sua fusão. Isso, quando temos sorte, acontece na cama e não fora dela. Tentemos então seguir um com o outro na vida tal como ela é, e um no outro na absoluta intimidade. Mas nunca te esqueças de que a plenitude não se faz da superfície – a pessoa que tens ao lado é o que vês e o que guarda dentro de si, faz amor com ela completa e não te contentes com a metade que te mata a fome.

Retirado de SÓ ENTRE NÓS, de Luís Osório

(as minhas fotos)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"quando Augusto se torna ele próprio, a vida começa - e não só para Augusto: para toda a humanidade"

Seremos nós próprios, unicamente nós próprios, é algo de extraordinário. 
Mas como chegar a isso, como alcançá-lo? Ah!, eis o truque mais difícil de todos. Difícil, precisamente, porque não envolve qualquer esforço. (...)
E eis que de repente lhe surgiu a ideia - tão simples! - que ser um Zé-ninguém ou ser Alguém ou ser mesmo toda a gente não o impedia de ser ele próprio. Se era realmente um Palhaço, então sê-lo-à sempre e sempre, desde a hora madrugadora do levantar até ao momento nocturno de fechar os olhos.


Excerto do livro O SORRISO AOS PÉS DA ESCADA, DE Henry Miller
Ilustrações de Frederico Rocha
Fotografia de Marcel Marceau

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Fim de semana a caminho.... Boa viagem

"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno do tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha não escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfu
C
me antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de frangância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta, e eu te sinto tremular contra mim, como um lua na água."

Julio Cortázar

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Este gato tem dono, o João...Outros há que gostariam de ser donos deste gato...


Dali tinha o desesperante costume de projetar gatos no ar para depois os poder fotografar, em pose surreal, ou seja, sem terem qualquer hipótese de chegarem inteiros ao chão. No fundo, ao contrário de Picasso, Dali não gostava de gatos, e fazia gala nisso. E Gala também, essa que já fora mulher,  e musa de Éluard, poeta que gostava de gatos e de cantar a liberdade como se cantasse a mais esplendorosa das amantes.
Sabe-se que um dos gatos, lançado no ar como um projétil de uma guerra a fingir, se viu subitamente apetrechado com um belo par de asas que lhe permitiram esvoaçar, triunfal, sobre a cabeça de Salvador Dali i Domènech, conde de Púbol, bufão de todas as cortes do génio, publicitário de si mesmo, arlequim do excesso e da estonteante violência das cores.

                                                         Fotografia de João Viana

...
De José Jorge Letria, em AMADOS GATO (EXCERTO)

Fotografia Dali Atomicus

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Por aqui, só as leituras breves me animam. É tudo tão cansativo...

Nos teus olhos altamente perigosos
vigora ainda o mais rigoroso amor

Alexandre O`Neill, em um Adeus Português

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Leituras breves... «Os Josés»...

21 de outubro de 1965

Na República 17 de Outubro o Alberto e eu éramos alternadamente eleitos Presidentes... Numa das ocasiões em que eu chefiava o o Estado, aproveitei a ausência do Alberto em férias e zás, proclamei-me  Ditador... Até mandei cunhar moedas especiais: os «Josés»!!!
O poder, mesmo teórico, apodrece as almas e as convicções! (Nessa altura eu era romanticamente republicano à Victor Hugo.)
Os «Josés»... Coro de vergonha atrasada.

José Gomes Ferreira, em Dias Comuns-1

domingo, 13 de outubro de 2013

Leituras breves.Olhares. José Gomes Ferreira. Sub ou sobrevalorizado....?

 13 de outubro de 1965

Releitura de Cesário, antes de me entregar ao imbecil trabalho de todos os dias:
      
Se eu não morresse nunca! E eternamente
buscasse e conseguisse a perfeição das coisas.

Das coisas - notem bem - que depois, por sua vez, talvez aperfeiçoassem o Homem.
Fotografias tiradas em Monserrate, Sintra.

Excerto de texo de José Gomes Ferreira, em Dias Comuns -1

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

De Bruges para Portugal.... ou a repetição da História , ou seremos mesmo assim, nem tanto ou ainda piores...




 No fundo, bem no fundo, nestas questões nada parece ter mudado muito desde 1426...

Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a D. Duarte, em 1426, resumo feito por Robert Ricard e constante do seu estudo «L’Infant D. Pedro de Portugal et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”», in Bulletin des Études Portugaises, do Institut Français au Portugal, Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).
 "O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício."




Texto chegado via email  por mão amiga

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O que a(s) campanha(s) eleitoral me sugeriu....

(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. 
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. 
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi. 

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ai Pacheco, Pacheco... Leituras breves....

 Domingo de manhã fui com a Amada para a praia nos rochedos junto do mar vi pela primeira vez o seu corpo nu feito espuma e onda. Ficamos calados (como quem esta só) escondidos de todos à beira-água (como quem a ama, apetecendo-a como os suicidas), o seu corpo cheirava a maresia (cheiraria?). Numa grande doidice de beijos e carícias leves beijei seus pés de espuma macia... em lírica, diria: pés de sereia; em realística, diria: pés de virgem (feia); em novelística, da antiga, diria: pés de deusa brinca-brincando na areia; em novelística, novíssima: patitas catitas de centopeia..., beijei seus pés; por ali mesmo a comecei a beijar. Caprichos de libertino: o corpo da Amada ficou lá nos rochedos à beira-água onda infatigável desfeito liquefeito brisa de maresia pairando no bafo quente do ar e eu guardo no meu quarto na minha colecção mais um sexo de donzela conservado em álcool e memória, numa mistura fácil de três por dois, tintos.
Luiz Pacheco, excerto de “Os Namorados”
Imagem Google
Pintura de Jesus de Perceval, in Poetas Apaixonados

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Abençoados surrealistas... Fugir dos novos-ricos (surrealizantes)... defenestrem-se...

                                                                  Casa de Cruzeiro Seixas

  REMODELAÇÕES GOVERNAMENTAIS


 - Podem sentar-se, meu senhores - determinou o Presidente aos Ministros que, atentos, o esperavam ao longo da mesa magnífica. E sentou-se também, no lugar que lhe competia. - Parece-me ser conveniente uma remodelação integral do ministério.
   Entre o silêncio respeitoso, o Presidente levou a mão discreta ao bolso interior do casaco. Tirou o apito e apitou. Três vezes.
   A porta da antiquíssima sala dos Passos Longos abriu-se. De para em par. A guarda presidencial entrou e abateu os Ministros com rajada de metralhadora competente. Todos.
   - Muito bem - confirmou o Presidente, levantando-se. 
   O cabo Ludovino encostou a metralhadora à parede, com todo o cuidado. Esfregou o nariz, olhou em volta, sorriu e atirou o Presidente pela janela daquele andar.

Tempo de tudo e para tudo... Cuidem-se...

.
Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
.
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
.
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça


Sophia de Melo Breyner




 Mário  Henrique Leiria
.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A humanidade precisa de ouvir mais música...

22 de Agosto de 1965

Em Paris constitui-se um tribunal, composto por Bertrand Russell, Sartre, Simone de Beauvoir, etc., para julgar, como criminosos de guerra o presidente Johnson e dois dos seus ministros de que não vale a pena lembrar os nomes.
Fabricantes de esqueletos.
Neste momento exacto, a ouvir na rádio os Estudos Sinfónicos de Schumann senti de súbito pena que o mundo não tivesse sido criado por certos homens - com música assim na atmosfera de respirar, em vez da luta carniceira pela vida que nos está a arrastar para a 3ª Guerra Mundial...
E isto, que parece literatura, não é.

Diários de José Gomes Ferreira
in Passos Efémeros, Dias Comuns-1

Imagem Google
Video, Estudos Sinfónicos de Schumann

terça-feira, 20 de agosto de 2013

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Asas do desejo...

4 de Julho de 1966

   Esguedelhado na desordem geral das escolas, modas e experiencialismos literários, pela primeira vez sinto na pele a desilusão do desejo ardente de me isolar e seguir, humilde, as pegadas do meu pequenino rasto, para não me perder na tempestade de areia...
   Pela primeira vez, vou talvez recitar o conhecido monólogo que começa invariavelmente por esta frase de meditação tola:
- Eu que estou acima das escolas...
Ah! mas que pena as asas servirem, quase sempre, para fugirmos do mundo!

De José Gomes Ferreira, em Passos Efémeros, Dias Comuns-1