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Duas sombras têm acompanhado a minha vida e estão aqui a meu lado... Minha mãe gastou-se a sonhar, só nervos e paixão; viu cair por terra todos os seus sonhos - e teimou em sonhar, atrevendo-se contra todo o universo! A realidade temerosa afastou-a sempre de si. Venceu-a. Deu-nos vida a todos. Alimentou'nos do mesmo sonho que a devorou até final, sem medo da morte, como se a morte fosse a continuação natural da vida. Foi dela que herdei a sensibilidade e o amor pelas árvores, pela água, e dela herdei também o sonho... ... Raul Brandão,Memorias
Pintura de Joaquim Reis

" «Amigo» é a solidão derrotada "

AMIGO

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,

Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço ùtil, um tempo fértil,
»Amigo vai ser, é já uma grande festa!


Alexandre O'Neill, Poesias Completas

Pintura de Felix Vallotton

Hoje dou-vos um verso

Foi contigo que aprendi a amar
desordenadamente.

Eduardo Pitta (Foi contigo que aprendi a cidade )

Aguarela de Carl Larsson

Esta noite sonhei com Vincent ...

Vai  alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Alberto Caeiro

Hoje, nada é igual . Nem as frésias ou goivos perfumam a minha casa. 
Recorro a Vincent . Ele gostaria ...

Silêncio...

Entre uma rapariga e outra ....

Enquanto aquela mulher do Rijksmuseum
atenta no silêncio pintado
dia após dia derrama
o leite da jarra na tigela,
o Mundo não merece
o fim do mundo. Wislawa Szymborska, “Vermeer” (retirado de “Um Amor Feliz”, Companhia das Letras, 2011) Fonte, Jornal Expresso

Olhar de frente o Sol ...

Assim se aprendem as letras iniciais da Solidão

David Mourão- Ferreira

Bom recolhimento ...

Gosto de me passear pelas obras de Kasimir Malevich, construtivista russo (Kiev1877 - S: Petersburg 1935).
Estes rostos "sem alma", pois esta espelha-se nos olhos, faz-me lembrar o momento que atravessamos que nos priva do olhar das pessoas que amamos. Assim terá que ser. Bom recolhimento ... Afinal há tanta coisa que se pode fazer por casa .

Nem tudo o vento levou . . .

Surrealismo no seu melhor....

                                   Obras de Dorothea Tanning, 1910 - 2012

Sobre a mulher e a artista, aqui.
Dois dias seguidos de escuridão e nevoeiro como não via e sentia há muito.
Sou levada a procurar Turner, o pintor da luz.


 Bom fim de semana a quem passa. A vosso jeito.

Casas, que las hay las hay,,,

 Pinturas de Hunderwasser , pintor austríaco, 1928-2000 

"Vivemos um período alegadamente próspero. Sublinho o “alegadamente”: um casal jovem de classe média alta (repito: alta) não consegue comprar ou alugar uma casa no Porto ou Lisboa para iniciar a sua vida".


Excerto da crónica de Daniel de Oliveira, Expresso Diário

Dia De Reis ....

"
Pedro Lima Editor-adjunto de Economia Dia de Reis e Senhores – e também de festa
Hoje é dia de Reis, fim oficial das festividades de Natal, celebração que assinala a visita dos três reis magos ao Menino Jesus. E é também dia de festa pois o Expresso celebra mais um aniversário – mas já lá vamos.

Os dias que vivemos não nos deixam motivos para grandes celebrações. Os ‘reis e senhores’ deste planeta persistem em jogos de guerra, que muitas vezes não resultam em nada mais do que algumas ‘excitações momentâneas’ – mas, já nos mostrou a História, também podem acabar mal para a Humanidade. É o que se passa mais uma vez na martirizada região do Médio Oriente."
In. Expresso Curto
Pintura de  Gentil Fabriano, pintor gótico italiano´, 1370-1427

Gosto do número que se segue, 2020

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto …

Boas Festas a quem passa . Natal a vosso jeito...

Natal, e não Dezembro
Entremos, apressados, friorentos,
numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio,
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos, e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.

Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
Das mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.

David Mourão-Ferreira, in 'Cancioneiro de Natal'
Pintura de Cláudia Costa, "O Improvável recreio dos Ícones"
Tricotar. Uma viagem para lá outra para cá . Ou as voltas que a vida tece .

Anamar

Aguarela de Carl Larsson


Querer, queria...

Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão 
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda
Pintura de Carl Larsson

Se...

Se falo, falo-me; se ouço, ouço-me; se pinto, pinto-me ... o único ideal somos nós mesmos.

Gerardo Burmester
Pintura de João Dixo . 1941-2012

Tempo de marmelos e marmelada .... Tempo de doçura

Luis Egidio Meléndez, séc. XVIII

outono, natureza morta, Josefa d´Óbidos