segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

São sonhos, senhores, são sonhos...

Há quem diga que todas as noites são de sonhos. 
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância. 
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou
Marc Chagall, Sonho de Uma Noite de Verão, 1939
 acordado. (W. Shakespeare

ela está aí, "a indiferença"

Indiferença em Política

Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional. 
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia. 
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações - a liberdade

in, Prosas da Época Coimbrã , Antero de Quental

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Com um dia de atraso, mas há sempre tempo para a História

                                                            31 e um de Janeiro de 1891, Porto

sábado, 31 de janeiro de 2015

"dentro do homem existe um Deus desconhecido".... leituras nem sempre breves...

O Homem é um Deus que se Ignora

Dentro do homem existe um Deus desconhecido: não sei qual, mas existe- dizia Sócrates soletrando com os olhos da razão, à luz serena do céu da Grécia, o problema do destino humano. E Cristo com os olhos da fé lia no horizonte anuveado das visões do profeta esta outra palavra de consolação - dentro do homem está o reino dos céus. Profundo, altíssimo, acordo de dois génios tão distantes pela pátria, pela raça, pela tradição, por todos os abismos que uma fatalidade misteriosa cavou entre os irmãos infelizes, violentamente separados, duma mesma família! Dos dois pólos extremos da história antiga, através dos mares insondáveis, através dos tempos tenebrosos, o génio luminoso e humano das raças índicas e o génio sombrio, mas profundo, dos povos semíticos se enviam, como primeiro mas firme penhor da futura unidade, esta saudação fraternal, palavra de vida que o mundo esperava na angústia do seu caos - o homem é um Deus que se ignora
Grande, soberana consolação de ver essa luz de concórdia raiar do ponto do horizonte aonde menos se esperava, de ver uma vez unidos, conciliados esses dois extremos inimigos, esses dois espíritos rivais cuja luta entristecia o mundo, ecoava como um tremendo dobre funeral no coração retalhado da humanidade antiga! Os combatentes, no maior ardor da peleja, fitam-se, encaram-se com pasmo, e sentem as mãos abrirem-se para deixar cair o ferro fratricida. Estendem os braços... somos irmãos ! 
Primeiro encontro, santo e puríssimo, dos prometidos da história! Manhã suave dos primeiros sorrisos, dos olhares tímidos mas leais desses noivos formosíssimos, que o tempo aproximava assim para o casamento misterioso das raças! 
Não há no mundo palácio de rei digno de lhes escutar as primeiras e sublimes confindências! Só um templo, alto como a cúpula do céu, largo como o voo do desejo, puro como a esperança do primeiro e inocente ideal humano! 
Esse templo tiveram-no. Naquela palavra de dois loucos se encerra tudo. Nenhuma montanha tão alta, aonde a olho nu se aviste Deus, como o voo desta frase, a maior revelação que jamais ouvirá o mundo - dentro do homem está Deus

Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Novas Conferências do Casino , amanhã

Conferencias do Casino

Programa na sua totalidade AQUI

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

tempo de amores quase (im)perfeitos...


E, por falar em amores , quem não deu um pezinho de dança "com"... ou a pensar "em", ao som da voz de Demi Roussus ?
Seria a emoção do resultado das eleiçoes na Grécia? 
Não ficou para ver. Que os anjos cantem com ele.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

27 de Janeiro de 1945

 Por volta das 9.00h, as tropas de reconhecimento da 100ª divisão de infantaria soviética descobrem a enfermaria dos prisioneiros no campo de concentração de Auschwitz. O resto da divisão chega 30 minutos mais tarde. As tropas soviéticas entram no campo principal na parte da tarde, onde derrubam a resistência alemã à custa de de 231 vidas. Nesta altura, apenas 7.000 presos permanecem em toda a infraestrutura de Auschwitz; a maior parte tinha sido previamente enviada para as marchas da morte

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Aritósteles e a dúvida ...

"A dúvida é o princípio da sabedoria", Aristóteles
Imagem Google
As minhas fotos
Um dia hei-de ir a Grécia com o olhar da prosperidade e da alegria.
Que as dúvidas se dissipem com esta nova era que ontem começou.

domingo, 25 de janeiro de 2015

olhares.... bom domingo


.... no silêncio das ruas da parte velha da cidade. Coimbra.
Muros há que são verdadeiros muros de lamentações...
O meu olhar ao descer o Quebra Costas...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

o Pedro, o "DIÁRIO de um QUIOSQUE" e a vida... ou a forma de contornar a crise, rindo...

... com o  Pedro e dos seus   olhares santos e "pecaminosos", vistos da janelinha do quiosque "bordelico" , porque tem que ser mesmo assim, como as drogarias de bairro, onde na

 sua anarquia se encontra o que se precisa e o seu contrário...
 Quando passo pela Figueira da Foz, gosto sempre de passar pelo quiosque do Pedro, cada vez menos, porque a família deixou a casa ribeirinha, Praça 8 de Maio, e agora passou a estar mais próxima da cultura...  Passou-se para uma casa junto ao Museu e Biblioteca Santos Rocha. Um afecto para a minha Mãe, emérita ex- funcionária da Biblioteca Municipal.


"Do interior da grandeza dos seus escassos 6 metros quadrados, há um quiosque que se não limita a vender jornais e revistas. Soltando-se do rótulo de típico elemento urbanístico, ultrapassando o seu complexo de inferioridade, conquistando vida própria e adquirindo a personalidade que só os grandes-pequenos quiosques ousam almejar, há um quiosque pequeno, é certo, mas com sentimentos. A provar o que todos sabiam mas que ninguém ousara ainda afirmar: os quiosques também têm diários. 
 (in contracapa do livro do Pedro)10 euros
..

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A minha 1ª grande viagem...


.... e, pela 1ª vez vi neve.
Ainda se lembram das linhas de Caminho de Ferro?
Figueira da Foz - Pampilhosa, fechou.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Deixemos a humanidade...


DEIXEMOS A HUMANIDADE...
Não aleijemos a pobre humanidade mais do que ela já está com tantas sacudidelas da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, de cima para baixo e de baixo para cima. Do individualismo para o colectivismo e do colectivismo para o individualismo. Não sejamos tão crianças que queiramos levantar ao ar a esfera pretendendo agarrá-la apenas pelo hemisfério da direita ou apenas pelo da esquerda, ou apenas pelo hemisfério superior, porque a única maneira de agarrá-la bem tão-pouco é pôr-lhe as mãos por baixo, nem ainda abraçando-a com os dois braços e os dedos metidos uns nos outros para não deixar escapar as mãos e com o próprio peito do lado de cá a ajudar também; a única maneira de equilibrar a esfera no ar é deixá-la estar no ar como a pôs Deus Nosso Senhor, ás voltas à roda do sol, como a lua à roda de nós e assegurada contra todos os riscos dos disparates da humanidade. 
Não temos mais remédio do que ir aprender tecnicamente como funcionam estas coisas tão naturais! 
O Mundo da Natureza é o modelo dos modelos de todas as maquinarias, porque não havemos então de acertar também o mundo social no seu próprio funcionamento como todas as outras máquinas do mundo? 
Almada Negreiros, in "Ensaios" 
exercício de desenho com linhas picassianas, de Almada Negreiros

domingo, 18 de janeiro de 2015

a vida de um livro ou um livro na vida de alguém...

Já neste Mar se falou deste livro. Nunca é de mais relembrar a sua função... AQUI

ser ou não ser "Charlie"

4. Os assassinos da equipa do CH (e depois do ataque à mercearia kosher), sim, têm passado, contexto, tal como a França, a Europa ou aqueles chefes de Estado unidos na compaixão global, uma frente tão inclusiva que não excluiu assassinos de Estado. Charlie realmente não merecia que Netanyahu fosse Charlie. Fora essa frente, e mercenários em geral, bom ver tanta gente junta pela liberdade. A liberdade de expressão sai mais forte de tudo isto, quero crer, a começar pelo CH pós-matança ter saído com um Maomé a dizer “Je suis Charlie”.

AQUI , JORNAL Público, com Alexandra Lucas Coelho

sábado, 17 de janeiro de 2015

bom fim de semana. será propício a leituras breves ou profundas...

 Eu quisera que como base de toda a moral se estabelecesse e firmasse no coração do educando uma única virtude primordial em que todas as outras se contivessem e da qual ele formasse uma noção perfeita e clara. Esta virtude não pode ser senão a Justiça. Justiça é tudo, justiça é as virtudes todas, justiça é religião, justiça é caridade, justiça é sociabilidade, é respeito às leis, é lealdade, é honra, - é tudo enfim.
Garrett, Da Educação.
Desenhos de Almada Negreiros
Texto sugerido no FB, por Joana Bernardes

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

de propósito e a pretexto de Antero de Quental, "As Fadas", foi um livro de cabeceira e partilhado com o meu jovem público, as "minhas" crianças



AS FADAS (Antero de Quental)

                             
           
               
AS FADAS 
As fadas… eu creio nelas! 
Umas são moças e belas, 
Outras, velhas de pasmar… 
Umas vivem nos rochedos, 
Outras, pelos arvoredos, 
Outras, à beira do mar… 

Algumas em fonte fria 
Escondem-se, enquanto é dia, 
Saem só ao escurecer… 
Outras, debaixo da terra, 
Nas grutas verdes da serra, 
É que se vão esconder… 

O vestir… são tais riquezas, 
Que rainhas, nem princesas 
Nenhuma assim se vestiu! 
Porque as riquezas das fadas 
São sabidas, celebradas 
Por toda a gente que as viu… 

Quando a noite é clara e amena 
E a lua vai mais serena, 
Qualquer as pode espreitar, 
Fazendo roda, ocupadas 
Em dobar suas meadas 
De ouro e de prata, ao luar. 

O luar é os seus amores! 
Sentadinhas entre as flores 
Ficam-se horas sem fim, 
Cantando suas cantigas, 
Fiando suas estrigas, 
Em roca de oiro e marfim. 

Eu sei os nomes de algumas: 
Viviana ama as espumas 
Das ondas nos areais, 
Vive junto ao mar, sozinha, 
Mas costuma ser madrinha 
Nos batizados reais. 

Morgana é muito enganosa; 
Às vezes, moça e formosa, 
E outras, velha, a rir, a rir… 
Ora festiva, ora grave, 
E voa como uma ave, 
Se a gente lhe quer bulir. 

Que direi de Melusina? 
De Titânia, a pequenina, 
Que dorme sobre um jasmim? 
De cem outras, cuja glória 
Enche as páginas da história 
Dos reinos de el-rei Merlim? 
Umas têm mando nos ares; 
Outras, na terra, nos mares; 
E todas trazem na mão 
Aquela vara famosa, 
A vara maravilhosa, 
A varinha de condão. 

O que elas querem, num pronto, 
Fez-se ali! parece um conto… 
Mesmo de fadas… eu sei! 
São condões, que dão à gente 
Ou dinheiro reluzente 
Ou joias, que nem um rei! 

A mais pobre criancinha 
Se quis ser sua madrinha, 
Uma fada… ai, que feliz! 
São palácios, num momento… 
Beleza, que é um portento… 
Riqueza, que nem se diz… 

Ou então, prendas, talento, 
Ciência, discernimento, 
Graças, chiste, discrição… 
Vê-se o pobre inocentinho 
Feito um sábio, um adivinho, 
Que aos mais sábios vai à mão! 

Mas, com tudo isto, as fadas 
São muito desconfiadas; 
Quem as vê não há de rir, 
Querem elas que as respeitem, 
E não gostam que as espreitem, 
Nem se lhes há de mentir. 

Quem as ofende cautela! 
A mais risonha, a mais bela, 
Torna-se logo tão má, 
Tão cruel, tão vingativa! 
É inimiga agressiva, 
É serpente que ali está! 

E têm vinganças terríveis! 
Semeiam coisas horríveis, 
Que nascem logo no chão… 
Línguas de fogo, que estalam! 
Sapos com asas, que falam! 
Um anão preto! um dragão! 

Ou deitam sortes na gente… 
O nariz faz-se serpente, 
A dar pulos, a crescer… 
É-se morcego ou veado… 
E anda-se assim encantado, 
Enquanto a fada quiser! 

Por isso quem por estradas 
For, de noite, e vir as fadas 
Nos altos, mirando o céu, 
Deve com jeito falar-lhes, 
Muito cortês e tirar-lhes 
Até ao chão o chapéu. 

Porque a fortuna da gente 
Está às vezes somente 
Numa palavra que diz. 
Por uma palavra, engraça 
Uma fada com quem passa 
E torna-o logo feliz. 

Quantas vezes já deitado, 
Mas sem sono, inda acordado 
Me ponho a considerar 
Que condão eu pediria, 
Se uma fada, um belo dia, 
Me quisesse a mim fadar… 

O que seria? Um tesoiro? 
Um reino? Um vestido de oiro? 
Ou um leito de marfim? 
¿Ou um palácio encantado, 
Com seu lago prateado 
E com pavões no jardim? 

Ou podia, se eu quisesse, 
Pedir também que me desse 
Um condão, para falar 
A língua dos passarinhos, 
Que conversam nos seus ninhos… 
Ou então, saber voar! 

Oh, se esta noite, sonhando, 
Alguma fada, engraçando 
Comigo (podia ser?) 
Me tocasse co’a varinha 
E fosse minha madrinha, 
Mesmo a dormir, sem a ver… 

E que amanhã acordasse 
E me achasse… eu sei! me achasse 
Feito um príncipe, um emir!… 
Até já, imaginando, 
Se estão meus olhos fechando… 
Deixa-me já, já dormir!
          
Antero de Quental
          
          

domingo, 11 de janeiro de 2015

Um domingo um pouco diferente dos outros...


museum
museum
Todos os quadros são criados a partir das fotografias originais do museu.

Marc Chagall - Newlyweds with Paris in the background

Todos os quadros são criados a partir das fotografias originais do museu.

Marc Chagall - Newlyweds with Paris in the background