quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
"lançamos o barco,sonhamos a viagem : quem viaja é sempre o mar", como na vida....
excerto de um pequeno livro de que muito gosto, MAR ME QUER, de Mia Couto, lançado durante a EXPO`98
ilustração escolhida a partir dos desenhos de Ana Biscaia,ilustradora infantil
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Luísa Dacosta, 1927-2015
Mas as suas "Universidades" foram as mulheres de A-Ver-O-Mar, que murcham aos trinta anos, vivem e morrem na resignação de ter filhos e de os perder, na rotina de um trabalho escravo, sem remuneração, espancadas como animais de carga (- Ele não me bate muito, só o preciso) e que, mesmo afeitas, num treino de gerações, ás vezes não aguentam e se suicidam (oh! Senhora das Neves! E tu permites!) depois de um parto, quando o mundo recomeça num vagido de criança! Ás mulheres de A-Ver-O-Mar "Deve" a língua ao rés do coloquial.
Foi professora do ciclo preparatório e alguma coisa deve também aos alunos: o ter ficado do lado do sonho. Isso a tem motivado a escrever para crianças.
Dois poemas de Luísa Dacosta
Entretenimento
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
Apelo
Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
A Maresia e o Sargaço dos Dias, Porto: Edições Asa, 2002
Como quem procura conchas à beira do mar,
escolho as palavras para te dizer,
quando o silêncio dos teus braços
vestir o frio dos meus ombros.
Apelo
Atravessa os campos da noite
e vem.
A minha pele
ainda cálida de sol
te será margem.
Nas fontes, vivas,
do meu corpo
saciarás a tua sede.
Os ramos dos meus braços
serão sombra rumorejante
ao teu sono, exausto.
Atravessa os campos da noite
e vem.
viva o cinema...
Nostalgia, nome do filme de Andrei Tarkovski, dedicado à sua mãe, conta a história de exílios e impedimentos políticos, questões ligadas às tantas impossibilidades de estar na vida e nos lugares, demonstrando, ao mesmo tempo, que estamos sempre em poder das lembranças que, muitas vezes, norteiam as nossas rotas.
Um filme há muito adiado. Foi hoje o meu serão. Para ver com todos os sentidos e calma.
Preferencialmente com o cabo USB ligado á televisão.
Primeiro filme que A. Tarkovki, filmou fora da URSS.
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
a 16 de fevereiro de 1942 (não apaguem a memória)
1942
¾ Em Munique, aparecem as famosas frases grafitadas Fora com Hitler! Viva a liberdade! da autoria do grupo
estudantil Weiße Rose (Rosa Banca). Nesse ano, Hans Scholl, um estudante de medicina na universidade de Munique, a sua irmã Sophie, Christoph Probst, Willi Graf e Alexander Schmorell formam o movimento Weiße Rose, um dos poucos grupos alemães que se insurgiu publicamente contra a política genocida do regime nazi. A tirania do regime e apatia dos cidadãos alemães face aos crimes abomináveis choca os membros idealistas do grupo. Muitos sabiam já dos massacres de judeus polacos; Hans Scholl foi soldado na frente leste e pode testemunhar as deportações e os maus-tratos infligidos. O grupo expande-se então, tornando-se uma organização estudantil com ramificações em Hamburgo, Friburgo, Berlim e Viena. Correndo riscos incalculáveis, os membros da organização transportam e enviam folhetos mimeografados que denunciam o regime. Numa tentativa de parar o esforço de guerra, eles defendem a sabotagem da indústria de armamento. Não vamos ficar calados.Somos a vossa má consciência. A Weiße Rose não vos deixará em paz!, escrevem aos seus colegas. Após a derrota do exército alemão em escrevem aos seus colegas, Estalinegrado no final de janeiro de 1943, os Scholls distribuem panfletos onde chamam à rebelião os estudantes de Munique. Mas, no mês seguinte, são denunciados à Gestapo por um zelador da universidade que os vê a distribuir os panfletos. Hans e Sophie Scholl e Christoph Probst são decapitados a 22 de fevereiro de 1943, condenados por traição. O professor de Filosofia Kurt Huber, mentor do grupo, também é preso e executado. (http://www.ushmm.org/wlc/en/ article.php?ModuleId=10007188 )
É ou não verdade que todo o alemão honesto se envergonha atualmente do seu governo? Quem de entre nós tem alguma conceção das dimensões da vergonha que cairá sobre nós e sobre os nossos filhos quando um dia o véu cair dos nossos olhos e o mais horrível dos crimes - crimes que são infinitamente impossíveis de medir pelo ser humano - alcançar a luz do dia?
— Primeiro panfleto do movimento Weiße Rose
Paula Almeida
Técnica Superior
Departamento de Desenvolvimento Estratégico
Divisão de Animação, Promoção e Patrimónios Culturais
Câmara Municipal de Cascais
Espaço Memória dos Exílios
(excerto da página diária feita pela Drª Paula Alameida)
domingo, 15 de fevereiro de 2015
sem palavras...
sábado, 14 de fevereiro de 2015
com beijo e sem beijo, o amor acontece...
O Beijo
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
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Rodin (?). filme
Partidas de S. Valentim...
Entre a ficção e a realidade , mas onde o real é a parte negra vivida entre as décadas de 60-70, com factos verdadeiros de um Portugal que já não existe , mas que foi bom relembrar na magistral narrativa de Miguel Real, do considerado "o último grande amor português", O ÚLTIMO MINUTO NA VIDA DE S. Lê-se num golpe de tempo.
Forma tocante de exprimir o desamor e o Amor que aconteceu com carácter de urgência. Foi curto. Os amantes morreram no auge da paixão.
Outras paixões vão morrendo ao longo da curtas ou longas vidas que se vão vivendo.
Excertos do livro de Miguel Real, O ÚLTIMO MINUTO NA VIDA DE S.
FOTOGRAFIA DE LEeN MILLER
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
como eu gosto dos homens...
![]() |
| Jean Flandrin Hippolyte ( 1809-1864) , Jovem nu sentado à beira-mar, 1836 Museu do Louvre Gravatas amadas, gravatas odiadas, mas como eu gosto mesmo dos homens.... Nuinhos e à beira-mar sentados... E, tudo parece ter vindo da China. AQUI, ou, outrora, não fossem os chineses os vendedores de rua por excelência ,de "glavatas balatas". Quem por Coimbra passou ou viveu, sabe bem disso. Em Todas as Ruas te Encontro.....Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco Mário Cesariny, in "Pena Capital" (excerto) |
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
87 belos anos, hoje, os de minha Mãe
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apagas
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
luz que não apagas
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
(Carlos Drummond de Andrade)
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
e, quem brinca com o fogo, queima-se
" O Governo grego quer defender a dignidade e a vida dos gregos e Passos Coelho não suporta esse atrevimento. Passos Coelho nem percebe como é que Tsipras não considera uma honra servir os poderosos deste mundo e lamber a sola cardada das suas botas, deleitando-se na volúpia da submissão. Passos Coelho não é mais papista que o Papa: é apenas mais alemão do que Angela Merkel e mais obsceno do que Miguel de Vasconcelos."
AQUI
AQUI
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
na "mouche"...
O mês de Fevereiro,segundo Rafael Bordalo Pinheiro:
"Mês febril.
Pertence ao doutor.Pertence aos seus dignos colegas, aos boticários e à empresa funerária".
"Mês febril.
Pertence ao doutor.Pertence aos seus dignos colegas, aos boticários e à empresa funerária".
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Dia Ramalho Ortigão, no CCB, com "Farpas" e sem elas, mas com muita ternura
Para dar início ao centenário da morte de Ramalho Ortigão, hoje no Centro Cultural de Belém, e que terá o seu auge em setembro, várias pessoas foram convidadas para falar do sonhador da alma portuguesa. Todas as vertentes da sua vida foram tocadas e os oradores de excelência. Tanta coisa que eu não sabia...
- "Histórias Cor de Rosa"- Vida e Obra
- "Arte Portuguesa I, II, III
- "As Farpas- Sociedade e a Geração de 70
Excerto do filme de Jorge Paixão da Costa, "O Mistério da Estrada de Sintra"
Todos os momentos foram elevados, mas ouvir José-Augusto França falar sobre "O Martens, modelo do Eça e e Ramalho", foi a cereja em cima do bolo.
Muito interessante , a vinda de muitos familiares, Ramalho Ortigão ou só Ortigão, nome oriundo de uma planta , urtiga ou urtigão (tanto pode ser com "o" como com "u") , que se aplicou a uma mulher da família que tinha muito mau feitio. Picava.
Um encontro muito a jeito das famílias numerosas , com história, que se sente cada dia mais atual.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
porque ainda é sábado e daqui a nada domingo, bom fim de semana
Ainda que Mal
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes; ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'
Desenho de António Quadros
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Olhares que me libertam do dia a dia...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
os contorcionismos da vida...
... ou um certo cansaço do circo. Ou porque a festa acabou...
Vida através da arte, com Picasso nos seus Acrobates, 1930.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
"uma busca da imortalidade"
A epopeia de Gilgamesh é um antigo poema épico da Mesopotâmia, sendo uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Acredita-se que na sua origem estejam diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-herói Gilgamesh, que foram reunidos e compilados no século VII a. C. pelo rei Assurbanipal. Recebeu originalmente o título de Aquele que Viu a Profundeza (Sha naqba imuru) ou Aquele que se Eleva Sobre Todos os Outros Reis (Shutur eli sharri).
A sua história gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro íntimo, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses, para distrair o primeiro e evitar que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar as divindades. A parte final do épico é centrada na reacção de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca da imortalidade.
Versão de Pedro Tamen do texto inglês de N. K. Sandars.
A sua história gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro íntimo, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses, para distrair o primeiro e evitar que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar as divindades. A parte final do épico é centrada na reacção de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca da imortalidade.
Versão de Pedro Tamen do texto inglês de N. K. Sandars.
Gilgamesh de Pedro Tamen
Encontro, hoje, com o meu amigo Zé Manel, um leitor compulsivo, e por quem gosto deixar-me contagiar nos seus gostos e deleite pelas palavras.
Aqui deixo a marca e sugestão de leitura, qua segundo ele, tão importante como Homero e outros mais.
Sala dos Capelos, Coimbra. Aconteceu
Para mim , foi a 1ª vez que assisti a um doutoramento deste gabarito.
Toda a cerimónia está no vídeo, mas os elogios e o resumo da sua obra, feita pelos Professores Doutores, Fernando Catroga e João Bernardes, é feita a partir do minuto 32.
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Doutoramento Honoris Causa,
Historiador Brsileiro
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