terça-feira, 14 de novembro de 2017

Poupa água que eu dou-te um verso....


habito neste país de água por engano 


Al Berto,  Trabalhos do Olhar



òleo de - Felix Vallotton , 1922

domingo, 12 de novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O rito do sossego.... numa bela receita

   Poucos conhecem, e menos ainda reconhecem, a eficácia da cura que passarei a explicar. Mas é talvez a única receita que nunca desilude. Quis chamar-lhe cura do rosto, porque não há quem não tenha na memória um grupo não muito grande de caras cuja visão produz alegria.
   O rito do sossego é o seguinte. Duas cadeiras e uma mesa, um patê de fígado de aves, torradas de pão fresco e de trigo integral, uma garrafa gelada de vinho de Sauternes, e diante de ti a cara do amigo, da  amiga, o rosto que conheces, um dessses que só de vê-los nos devolvem a calma.
   O patê lembra aos amigos que são carne. O pão não os deixa esquecer que tudo nasce da terra e tudo a ela regressa. O espírito do vinho de Sauternes aviva o que mais nos põe vivos: a possibilidade de unir os pensamentos.

RECEITAS DE AMOR PARA MULHERES TRISTES, de Héctor Abad Faciolince

Pintura de Felix Vallotton

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Leituras breves mas profundas... ou prazenteiras

    A única noite, disse alguém, é a da insónia, a noite passada em branco. Não se guarda memória das noites dormidas. Assim é o amor: o mais inolvidável é o que nunca foi. 
   Como para a insónia, também o esquecimento existem xaropes e mezinhas. Mas são ambos remédios sem discernimento. Uns far-te-ão dormir tanto (sem sonhos e sem sono) que será como morrer. Com os outros não esquecerás ,  se os tomares, aquilo que queres esquecer: esquecerás tudo, quer tenha sido excelente ou desagradável.
   Não te revelo, pois, as minhas beberagens para o sono e para 
o esquecimento. Possuem o mesmo efeito da cicuta.


Do livro, RECEITAS DE AMOR PARA MULHERES TRISTES, de Héctor Abad Faciolince, 
colombiano

Escultura de Sérgio Pombo, que faz parte de uma exposição patente no CCC.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Perante tudo o que acontece , só vos posso" deixar um verso"

Heri Matisse, 1942




leonor de teles não podia pensar o prazer
porque não existia em linguagem
maneira de exprimi-lo. devia ser óptima na cama e era tudo.

Vasco Graça Moura , elegia para uma gaivota


Boa noite a quem passa e a vida chama por mim. Sim, há mais para lá do aqui e agora.

sábado, 4 de novembro de 2017

Bom fim de semana

Desenho de Man Ray
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo
que inventou o amor com carácter de urgência


Daniel Filipe, A Invenção do Amor

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O culto dos mortos como poética da ausência

Henri Matisse, 1916, "A janela"

"O culto dos mortos como poética da ausência ", de Fernando Catroga, historiador das Ideias AQUI

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Novembro com Sol

"Icarus", de Henri Matisse

Ícaro-Ícaro-
A minha Dor, vesti-a de brocado, 
Fi-la cantar um choro em melopeia, 
Ergui-lhe um trono de oiro imaculado, 
Ajoelhei de mãos postas e adorei-a. 

....

(excerto de poema de José  Régio)

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Falam de relações ou ralações?

Pintor e humorista americano Norman Rockell


Se não se calam, ainda estragam tudo....

terça-feira, 24 de outubro de 2017

A natureza, essa escultora....


AS formas esculturais dos troncos dos pinheiros devido à força dos ventos.
Uma paixão minha e dos mais atentos à força da natureza.
Real Pinhal de Leiria era assim.

Casa das Histórias Paula Rego (divulgação)



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Divulgação cultural - Gulbenkian

Em breve, ou já dia 26, na Gulbenkian . (AQUI)

domingo, 22 de outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Várias engenhocas que o não engenheiro deixou nas mão da rapariga...

POEMA

SE...


Se é possível conservar a juventude
respitando abraçado a um marco do correio;
Se a dentadura postiça se voltou contra a pobre senhora
e a mordeu deixando-a em estado grave;
Se ao descer do avião a Duquesa do Quente
pôs marfim a sorrir;
Se Baú-Cheio tem acções nas minas de esterco;
Se na América um jovem de cem anos
veio de longe ver o Presidente
a cavalo na mãe;
Se um bode recebe o próprio peso em aspirina
e a oferece aos hospitais do seu país;
Se o engenheiro sempre não era engenheiro
e a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços;
Se, reentrante, protuberante, perturbante,
Lola domina ainda os portugueses;
Se o Jorge (o «ponto do Jorge!) tentou beber naquela noite
o presunto de Chaves por uma palhinha
e o Eduardo não lhe ficou atrás
ao sair com a lagosta pela trela;
Se «ninguém me ama porque tenho mau hálito
e reviro os olhos como uma parva»;
Se a Mimi Travessuras já não vem a Lisboa
cantar com o Alberto...

... Acaso o nosso destino, tac!, vai mudar?


Alexandre O'Neill

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Olhares sem palavras....


Georgia O'Keefe, Taos Pueblo, New Mexico, 1960 for LOOK, fotografia de Tony Vaccaro

O hábito magazinesco  de legendar fotografias com frases «poétics» foi-se perdendo. Hoje, a fotografia fala por si própria e a fotografia também...
Alexandre O ' Neill

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Hoje....

Pintura naif d Ronaldo Mendes

Que tudo passe depressa para as trevas do esquecimento...  Mas um esquecimento planeado no sentido da renovação.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.

Miguel Torga, Pátria

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Que a música possa aliviar as dores desta vida ....

Zeus, senhor do Olimpo e das águas, nunca ouviu Mozart...
Caso sim, faria que começasse a chover a céu aberto.

domingo, 15 de outubro de 2017

Deixá-los falar, pensa ele (s).... Bom resto de domingo

Desenho de Afonso Cruz
Penso nos meninos do "coro" deste país ...
Uns vão à missa, outros nem tanto, e há os ateus, mas todos assobiam para o ar.