Não chamo querido ao mês de agosto, pelo menos "meu querido".
Calor destrutivo de almas e corpos.
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
terça-feira, 14 de agosto de 2018
"A Sésta", agora e sempre que posso...
A Sésta
Pierrot escondido por entre o amarello dos gyrassois espreita em cautela o somno d'ella dormindo na sombra da tangerineira. E ella não dorme, espreita tambem de olhos descidos, mentindo o sôno, as vestes brancas do Pierrot gatinhando silencios por entre o amarelo dos gyrassois. E porque Elle se vem chegando perto, Ella mente ainda mais o sôno a mal-resonar.
Junto d'Ella, não teve mão em si e foi descer-lhe um beijo mudo na negra meia aberta arejando o pé pequenino. Depois os joelhos redondos e lizos, e já se debruçava por sobre os joelhos, a beijar-lhe o ventre descomposto, quando Ella acordou cançada de tanto sôno fingir.
E Elle ameaça fugida, e Ella furta-lhe a fuga nos braços nús estendidos.
E Ella, magoada dos remorsos de Pierrot, acaricia-lhe a fronte num grande perdão. E, feitas as pazes, ficou combinado que Ella dormisse outra vez.
Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'
Desenho "A Sésta", de Almada Negreiros, 1941, Museu de Arte Contemporânea do Chiado
domingo, 12 de agosto de 2018
Excerto de ...
Sem surpresa num autor que cultivou a aventura e a pulsão de viajar, Stevenson não trocaria o conhecimento que nasce da vadiagem ao ar livre pelo saber livresco. “Basta afirmar o seguinte: se um rapaz nada aprender na rua, é porque não possui a capacidade de aprender. Nem o gazeteiro se encontra sempre nas ruas, pois, se assim o entender, pode percorrer os subúrbios ajardinados até ao campo. Pode sentar-se na margem de um regato, junto a uma moita de lilases, e fumar inúmeros cachimbos ao som da água a rolar sobre os seixos. Um pássaro cantará entre as copas. E talvez aí consiga afundar-se numa corrente de pensamentos gentis e ver as coisas de uma outra perspetiva. Se isto não é educação, o que será?” Excelente pergunta.
O elogio do “gazeteiro” ocioso é, no fundo, o elogio do espírito livre — aquele que recusa fazer parte do “coro dos dogmáticos” e se contenta em apreciar a “vista agradável”, embora “pouco imponente”, a que acede no “Miradouro do Senso Comum”. No fundo, tudo se resume a ter consciência da nossa escassa importância no grande esquema das coisas. “Podemos não gostar de o admitir, mas não existe uma única pessoa cujos serviços sejam indispensáveis.” Nem sequer Shakespeare: se o Bardo tivesse morrido jovem, “o cântaro continuaria a ir à fonte, a foice à seara, o estudante à escola; e ninguém teria dado conta de qualquer perda”. É preciso haver desprendimento para apreciar a instável precariedade da existência. E por isso a verdadeira ociosidade só está ao alcance de alguns. Aos outros, que “não conseguem ser ociosos, [porque] a sua natureza não é suficientemente generosa”, resta passar “numa espécie de coma todas as horas que não dedicam ao frenético lufa-lufa diário”.
Expresso de ontem, José Mário Grilo
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| Fotografia de Valdemar Ramalho (Vató) !951-2018 |
sexta-feira, 10 de agosto de 2018
quarta-feira, 8 de agosto de 2018
quarta-feira, 1 de agosto de 2018
terça-feira, 31 de julho de 2018
Vida, vida, acontece quando um homem e uma mulher desejam
Julho acaba .
Saudades, não me deixa . Questões de saúde.
Mas... uma vida nasceu quase há um mês, A minha arvore de vida deu-me mais um neto , o Benjamim, que tem um irmão de três anos, o meu amado Gabriel.
Netos, são uma benção da vida .
Saudades, não me deixa . Questões de saúde.
Mas... uma vida nasceu quase há um mês, A minha arvore de vida deu-me mais um neto , o Benjamim, que tem um irmão de três anos, o meu amado Gabriel.
Netos, são uma benção da vida .
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Para um amigo , hoje seu dia de anos
Pintura de João Hogan
Evolução
Fui rocha em tempo, e fui no mundo antigo
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
O, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl, glauco pascigo...
Hoje sou homem, e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, da imensidade...
Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.
Antero de Quental
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Lá vem ou lá ía ou não chegou a passar o comboio ?
Não conduzo, Tenho perdileção por comboios. Os de hoje, com algum conforto, fazem as minhas delicias.
Ia da Figueira da Foz para Coimbra, ramal da Figueira. Em miúda ía para Vila Franca das Naves, terra da minha avó, e também de Fausto Bordalo , numa máquina como a que aqui vos deixo, carruagens de 1ª classe forradas com uma coberta de brancura alva, mas que chegava ao destino, Vilar Formoso , escura dos nacos de carvão que entravam pelas janelas . Eu , também. Trabalhei em Lisboa, Cascais /Cais do Sodré, na margem sul, linha do Barreiro/ Setúbal.
A Lisboa , via Oeste, Lisboa/Rossio /Figueira, demorava 4h. Só rápido das Caldas da Rainha até não sei onde...
A CP sempre teve má gestão, penso que havia vontade no tempo de Manuel Queiró como administrador, mas saltou com no governo do PS. Mas toda a falta de financiamento de todos os governos levou ao caos de hoje.
domingo, 22 de julho de 2018
quarta-feira, 18 de julho de 2018
terça-feira, 17 de julho de 2018
João Semedo 1951- 2018
Generosidade, uma palavra tão grandiosa e tantas vezes ouvida no dia de hoje.
Não será esquecido,João .Pela nossa geração e dos filhos que gerámos e o acompanharam no pensamento e na acção .
segunda-feira, 16 de julho de 2018
domingo, 15 de julho de 2018
Porque brincais com o mar em tempo de alegrias ?
O mar enrola na areia
ninguém sabe o que ele diz
bate na areia e desmaia
porque se sente feliz ....
Nem sempre o mar se sente feliz , nem sempre as pessoas são tementes à sua aparente calma .
Mais uma tragédia em Espinho. E, mais haverá .
sábado, 14 de julho de 2018
quarta-feira, 11 de julho de 2018
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