sexta-feira, 26 de junho de 2009

Haverá sempre barquinhos.... e homens!



Eu não sei de oração senão perguntas
ou silêncios ou gestos ou ficar
de noite frente ao mar não de mãos juntas
mas a pescar.

Não pesco só nas águas mas nos céus
e a minha pesca é quase uma oração
porque dou graças sem saber
se Deus é sim ou não.

Poema de Manuel Alegre de homenagem aos pescadores...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Fim a alguma côr...

Este retrato da afegã Sharbat Gula, correu mundo .... A intensidade das cores deu-lhe a alma que colou ao nosso olhar, "vibrantes, ricas e intensas".
Retratos como este , não haverá mais! A técnica que lhe dava esse suporte, KODACHROME , foi banida devido à massificação do digital....
Esperança que as novas tecnologias nos mantenham o prazer da imagem e da côr e este foi o pretexto de rever os olhos de Gula... Lindos, não são?

Ah!!!!!!!!

Pequenos ladrões, de Bouguereau

Hoje, o MP assumiu que os ladrões do BPN, o são de verdade e cuidado... andam por aí à solta!
Como o mundo seria melhor se em cada um dos muitos que por aí andam ...fossem o "pequeno ladrão" que existe dentro de nós... de fruta ou de flores!

Perguntas...

Nesta época estival que se aproxima... muitas perguntas poderíamos começar a formular....
Criar mesmo um livrinho de perguntas, tentar já pôr algumas respostas, pois elas já vão aparecendo por aí, sob a forma de promessas...
Mas a poética é tema mais elevado, pelo menos neste cantinho, mais ao menos no Mar à Vista plantado...

XLIX

Quando vejo o mar de novo,
o mar viu-me ou não me viu?

Porque é que as ondas me perguntam
o mesmo que eu lhes pergunto?

E porque batem nas rochas
com tanto entusiasmo vão ?

Não se cansam de repetir
à areia a sua declaração?

Livro das perguntas de Pablo Neruda

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dia de S. João...



Ontem a véspera, hoje o dia... dia que é mais nuns sítios do que noutros....
Festejei as gentes do norte! Mas não estarei a ser injusta com as do centro? É que na minha terra natal, Figueira, também se festeja o S. João e é feriado municipal.
Liguei há pouco para a minha mãe, que me dizia estar a cidade linda , toda engalanada pelos barcos e barquinhos e em acto de procissão de mar!

Ainda bem, pois por vezes sinto uma pontinha de desdém pelas festas de hoje, e não pode ser!
Eu já parti há muito mas os outros estão por lá...
Mas não posso deixar de sentir a nostalgia do S. João da minha infãncia , pleno de magia, alegria e que durava muitos dias...
Pela manhã alvorada, Zés Pereiras e Gigantones minhotos e muito fogo de artifício...

As ruas todas enfeitadas com arcos e balões. Dezenas de tendas de barristas, que acampavam pelo menos duas semanas... e o mexericar em tudo como se os olhos estivessem nas mãos... E lá estava o Senhor Domingues, mais tarde de nome artístico, MISTÉRIO, o pai dos bonecos de "venta" larga... Rosa Ramalho, descoberta para outros dons pelo artista António Quadros, e em boa hora! Ana Baraça e outro tantos que se deram a conhecer e outros que teriam ficado no anonimato....
A procissão do mar, linda e sentida... que a vida no mar é feita de fé!

Depois os carroceis, o algodão doce e as várias visitas à sempre eterna DONA LÚCIA, que vendia as melhores farturas do mundo!

E o banho santo! Em que as mulheres e homens do campo , meio vestidos, á mistura com os "figueirinhas," mergulhavam de madrugada, naquele mar de prata, para afugentar os maus olhados e pedir prosperidade..
Era assim o S. Joâo da minha meninice.
Para o ano não posso faltar... para assim me reconciliar! E depois, então falaremos....



terça-feira, 23 de junho de 2009

Noite de S. Joâo...

S. João no Deserto, de Mestre da Lourinhã, SÉC.xv
Muita folia e reinação, é o que desejo aos amigos que brincam com o S. João!
E viva o norte...

SÃO JOÃO

Mas é assim que és
E, é assim que serás,
Até que pisem esta terra os pés
Do ultimo fado que o destino traz.

Eu a julgar-te até católico,
E, tu saes-me maçon.
Bem, aí é que há espaço para tudo,
Para o bem temporal do mundo vario.
Que o teu sorriso doure quanto estudo
E o teu Cordeiro
Me faça sempre justo e verdadeiro,
Pronto a fazer falar o coração
Alto e bom som
Contra todas as fórmulas do mal,
Contra tudo o que torna o homem precário.
Se és maçon,
Sou mais do que maçon – eu sou templário.

Esqueço-te santo
Deslembro o teu indefinido encanto.
Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.

(Excerto de poema, que é enorme.... de Fernando Pessoa, Os Santos Populares, edições Salamandra)



Espero as vossas palavras...


Pintura de Nathan Altman, 1914/15

Gostei muito de ter descoberto esta espécie de Mona Lisa... Mas é o retrato de Anna Akhmatova!
Não deixa de ser de perturbadora beleza...
Não vos quereis exprimir?

segunda-feira, 22 de junho de 2009

ESCREVIVENDO - exposição






Escritor, professor, jornalista, ensaísta e crítico literário Urbano Tavares Rodrigues (Lisboa, 1923) apresenta uma obra de grande diversidade de género (ficção, crítica, ensaio, crónica) e temática (amor, morte, consciência, liberdade, individualidade, esperança) desenvolvendo-a em torno dos sentimentos e ideias, criando personagens de grande realismo psicológico, onde as questões eróticas, socio-económicas e ético-políticas se expressam como inquietação, crítica ou mesmo denúncia a um certo quotidiano da sociedade portuguesa, numa aproximação ao universo cultural neo-realista.Rosto da oposição à ditadura, de generosa e continuada resistência em prol da liberdade e da dignidade, soube através dos seus gestos, encarar a literatura não apenas como ferramenta de comunicação, mas também como arma de intervenção, assumindo a palavra como essência de vida – o seu Escreviver.

Exposição bibliográfica de UTR, que irá até 28/02/2010, no Museu do Neo-realismo
(in Artecapital)

As idades do homem (2)


As modificações do corpo com o avanço da idade fascinaram artistas de todas as épocas e tornaram-se numa maneira previligiada de representar a ideia da decadencia da existência.
Tomemos como exemplo este belo quadro de Gustav klimt, Les trois ages de la femme, 1908, galeria de Arte Moderna em Roma

sábado, 20 de junho de 2009

"Lamechice" para o fim de semana... faz tão bem à alma!




Poema - Véspera


Seríamos dois faunos sobre a praia
Batidos pelo vento e pelo sal,
Tendo por manto apenas a cambraia
Da espuma
e, por fronteira,
o areal

Gémeos de corpo e alma,
ver um era ver o outro:
a mesma voz,
a mesma transparência,
a mesma calma
de búzio, intacto, em cada um de nós!

Felicidade?
Não.
Inconsciência!

E as nossas mãos brincavam com o lume
à beira da impaciência
e do ciúme..
De Pedro Homem de Melo
,in O Rapaz da Camisola Verde

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Poema - O começo de um livro é precioso



Eu estava habituada a vir para casa com um velho amigo
Que me punha a mão nos ombros.
Eu raramente tropeçava
Porque dele irradiava o calor das macieiras e a paz dasTílias.
Era a árvore dos meus passos.
E, regressando a casa,
Regressava à Paisagem que humana me fazia.

Poema De Maria Gabriella Llansol