Nestes dias de confinamento vou fazendo ajustes aos meus paneis de observação aos quais lhes chamaria paredes.
Sempre fui dada a mudanças na casa a maioria já impossíveis... Nas paredes, de todo. Uma pequena coleçcão de quadros de estimação que os vejo quase sempre na mesma perspectiva ou no mesmo sofá.
Bom, um acrescente de cadeira de conforto no lado oposto fez-me passar a ver de frente quadros para os quais estava de costas.
Com o olhar mais fixo em formas e pensando não sei em quê , veio-me à memória, através destas duas imagens que vos deixo, o desenho à vista que tínhamos que fazer na 4ª classe para admissão ao liceu ou escolas profissionais . Um horror. Inábil . Nunca consegui perceber aquela técnica do lápis na vertical penso que para avaliar o tamanho. Seria ?
Vou retomar o treino, da mesma forma que a semana passada dei comigo a rever os números fraccionários, tão complexos como o lápis...
Há tempo para tudo, meus amigos, desde que haja curiosidade, mesmo a adormecida.
Passem o melhor possível dentro desta tragédia que há-de passar.
Quanta esperança há em mim pelo que vejo à minha volta neste país tão pequeno que tão bem se sabe pôr à altura em momentos imperativos.
Nestes dias de confinamento vou fazendo ajustes aos meus paneis de observação aos quais lhes chamaria paredes.
Sempre fui dada a mudanças na casa, a maioria já impossíveis... Nas paredes, de todo. Uma pequena coleçcão de quadros de estimação que os vejo quase sempre na mesma perspectiva ou no mesmo sofá.
Bom, um acrescente de cadeira de conforto no lado oposto fez-me passar a ver de frente quadros para os quais estava de costas. Com o olhar mais fixo em formas e pensando não sei em quê , veio-me à memória, através destas duas imagens que vos deixo, o desenho à vista que tínhamos que fazer na 4ª classe para admissão ao liceu ou escolas profissionais . Um horror. Inábil . Nunca consegui perceber aquela técnica do lápis na vertical penso que para avaliar o tamanho. Seria ?
Vou retomar o treino, da mesma forma que a semana passada dei comigo a rever os números fraccionários
. Há tempo para tudo, meus amigos, desde que haja curiosidade, mesmo a adormecida.
No ventre de uma mãe havia dois bébés. Um perguntou ao outro:
- Você acredita na vida após o parto? O outro respondeu:
-Claro que sim. Deve haver algo depois do nascimento. Talvez estejamos aqui para nos preparar para o que virá depois.
"Que estupidez", diz o primeiro. "Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria essa? O segundo diz:
-Não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez possamos andar com nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez tenhamos outros sentidos, que não podemos entender agora.
O primeiro respondeu: Isso é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a sua boca? Ridículo! O cordão umbilical nutre-nos e dá-nos tudo o que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto é impossível.
O segundo insistiu: -Bem, acho que há algo e talvez seja diferente do que está aqui. Talvez não precisemos mais deste tubo físico.
O primeiro respondeu: - Além disso, para ter realmente vida após o parto, então por é que ninguém nunca voltou de lá? O parto é o fim da vida e no pós-parto não há nada além do escuro, do silêncio e do esquecimento. Ele não nos levará a nenhum lugar.
- Bem, eu não sei - disse o segundo - mas certamente vamos nos encontrar com a mãe e ela cuidará de nós.
O primeiro respondeu: -A mãe? Você realmente acredita na mãe? Isso é ridículo. Se a mãe existe, então onde está ela agora?
O segundo diz: -Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Somos dela. É nela que vivemos. Sem ela, este mundo não seria nada e não poderia existir.
O primeiro diz: -Bem, eu não posso vê-la, então, como é lógico, ela não existe.
O segundo responde: - Às vezes, quando você está em silêncio, se se concentrar e realmente ouvir, você será capaz de perceber a sua presença e ouvir a sua voz amorosa lá em cima.
Foi assim que um escritor húngaro explicou a existência de Deus..
Depois de você ter esgotado o que há nos negócios, na política, no convívio, no amor e assim por diante – descobrimos que nenhum deles finalmente nos satisfaz tanto e nos usa permanentemente – o que resta? A natureza. Ela permanece para trazer para fora de seus recessos entorpecidos, as afinidades de um homem ou mulher com o ar livre, as árvores, os campos, as mudanças das estações – o sol de dia e as estrelas do céu à noite ”.
Há dois dias fui passear com o amado Gabriel a Lisboa.
Não consigo descartar-me, e ainda bem, da minha vida de "prof" . O eterno prazer de passear com miúdos e mostra-lhes a vida e a arte, seja ela qual for.
Ontem, comboio, rio, castanhas assadas nas brasas, o prazer de as descascar, barcos, paquetes, frio, vento, ameaça de chuva ... Uma árvore na Praça do Comercio que não tinha luzinhas, mas uma Praça do Município com animado carrossel .
Introdução aos eléctricos, antigos e modernos . Sem lhe contar que também se podem virar ... É bom omitir . Mas aconteceu hoje.
Rua do Arsenal, bem moderninha, quase sem transito . Esplanadas . Tempo de copo de leite e avó de imperial com um sonho...
Tempo de regresso, de comboio de novo, ao qual o petiz não achou piada ... Já tinha ido do Estoril ao Cais do Sodré , para quê de novo comboio ? E, aí, começou a chorar pela querida mamã...
Julho acaba . Saudades, não me deixa . Questões de saúde. Mas... uma vida nasceu quase há um mês, A minha arvore de vida deu-me mais um neto , o Benjamim, que tem um irmão de três anos, o meu amado Gabriel. Netos, são uma benção da vida .
Pintura de Rogério Ribeiro, O Mar de Ìcaro, 2000 O tempo falta, os dias passam, com dores e sorrisos. E, veio-me á memória o provérbio, "lágrimas com pão, bem vão", por isso os dias têm que fluir, de preferência com beleza...
Por ser um assunto que me tem passado ao lado , a hipótese de animais de estimação poderem passar a frequentar restaurantes, por estar retida em casa há bastante tempo por questões de saúde muito antipáticas, e por predisposição na noite de ontem para ouvir Pròs e Contras , deixei-me ir até ao fim por aquele paripatético programa.
Gosto de animais . Por ser neta de lavradores e possuidores de vacas leiteiras, pelo lado paterno, sempre convivi directamente com bois, vacas, porcos galinhas, burros burritos,
Também em casa da minha avó materna, havia cães, galinhas e galos, e uma cabrinha, que dizem, vinha chuchar no dedo grande do meu pé, quando a minha mãe me punha deitada no chão, de bela perna ao léu . (gostaria de saber se o meu prazer seria o mesma do dito animal ?).... :)
Lembro-me do rafeiro cão "Pepsodente", que me defendia canideamente das sapatadas da minha mãe. Quantas vezes idealizei que ele me vingasse...
Virei menina e mulher urbana . Nunca mais houve animais em casa a não ser canários e o recorrente provérbio que continuo a perfilhar, "PARA QUE QUERES CÃO SE NÃO TENS PÃO ? "
Passaram-se os anos e um filho surgiu . Com ele, à medida que ía crescendo, alguns animais menores foram passando cá por casa, mas a criança debitava em mim os seus cuidados. Aprendi.
Ao longo da vida privei com pessoas amantes de cães ou gatos, e donos. Relações entre estes bichos, conheci, que me faziam imensa confusão . Amores doentios, lutos sem fim , que superava os relacionamentos com os humanos seus familiares. A meu ver e sentir, claro. Aprendi a silenciar mas também a desconfiar e a não alimentar conversas para preservar as amizades...
Desconfiar? Sim, sim. Os donos de cães são tão cegos no amor aos seus animais, que quando se pergunta "morde?", não nunca mordem, ou então aconteceu algumas vezes, mas o bicho continua a passear-se na maior das impunidades até á próxima dentada.
Exemplo. Há uns 12 anos, minha mãe passeava-se tranquilamente com amigos na Nazaré , e um cãozito veio por trás e ferrou-a. Foi para o Centro de Saúde, os donos do bicho assumiram , e também assumiram que a ´ultima mordidela tinha sido à sogra do Dr. Juíz da Nazaré... Sei , que nunca vi ferida tão feia na vida, demorou meses a fechar e eu tive quer ir para a Figueira cuidar da minha mãe . Os donos do bicho ainda pagaram os primeiro curativos, depois entraram em calote. Pescadores e safra ía mal.
Não vos vou falar de pânicos que tive ao encontra-me com cães em ruas desertas por onde tinha que passar e que uma vez telefonei á policia a dizer que queria entra em casa e tinha um pastor alemão á porta. Surrealista. Mas ajudaram-me. (felizmente , esses cuidados de animais á solta a passear, tornou-se raro para os meus lados )
Resisti ao massacre do meu filho António por volta dos seus 19 /20 anos, que dizia ir trazer um cão cá para casa , de uma raça de que até gosto muito, Golden Retriver , com veterinário de graça e descontos na alimentação , etc ... Uma luta.
Viver num andar, ir dar aulas cedo para Lisboa, ter já filho na faculdade e eu poder fazer os meus programas pós laboral, ter um cão mesmo de parceria com o António, ir leva-lo a passear de manha , cedo , e pela noite.... Não, gosto de animais ao ar livre, ou com hipótese de nele também poderem viver de parceria com os donos.
Também me horrorizam os dispendios com um animal para manter a sua saúde ou pagar a sua doença . Costumava dizer.... "se ainda a ADSE comparticipasse.... " . Talvez um dia venha a acontecer pela evolução " da humanização dos animais ou vice versa....
Ganhei a batalha cá em casa. Argumentos sem contraditório.
O António andava na altura a tirar a o seu curso em Tires, de piloto de LA (PLA) .
Disse-lhe : _ Ok. trazes o cão, mas leva-lo para o aeródromo , deixas o animal no carro à tua espera. As condições atmosféricas nem sempre respeitam as horas das aulas de voo. Põe-te no lugar do cão.
Remédio santo.
Continuo a viver sozinha , não sou egoísta, de modo algum, mas é uma opção e a certeza dos custos de ter um animal . Psicológicos e materiais.
Talvez um gatinho, um dia, para envelhecer, e que já não dê para me importar com a fase destrutiva das suas unhas felinas . Ou, então, um gatarrão de mãos leves e macias e unhas aparadinhas todas as semanas .
"Mas que cansaço, não tem um minuto. Mentiras. O que não tem é forças para pensar a vida, calma para sentir como ela corre.
Quando ela não tem tempo, quando ele trabalha muito e mede os segundos como outros medem as horas e os dias, incapaz de se sentar a conversar por um instante, sem ansiedade, não acredites nele. O trabalho é o esconderijo que os homens encontraram para não viverem segundo um ritmo mais humano e mais decente. É a maneira que têm de estar sós sem terem de dizer que querem estar sós. "
Se é possível conservar a juventude respitando abraçado a um marco do correio; Se a dentadura postiça se voltou contra a pobre senhora e a mordeu deixando-a em estado grave; Se ao descer do avião a Duquesa do Quente pôs marfim a sorrir; Se Baú-Cheio tem acções nas minas de esterco; Se na América um jovem de cem anos veio de longe ver o Presidente a cavalo na mãe; Se um bode recebe o próprio peso em aspirina e a oferece aos hospitais do seu país; Se o engenheiro sempre não era engenheiro e a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços; Se, reentrante, protuberante, perturbante, Lola domina ainda os portugueses; Se o Jorge (o «ponto do Jorge!) tentou beber naquela noite o presunto de Chaves por uma palhinha e o Eduardo não lhe ficou atrás ao sair com a lagosta pela trela; Se «ninguém me ama porque tenho mau hálito e reviro os olhos como uma parva»; Se a Mimi Travessuras já não vem a Lisboa cantar com o Alberto...
Ontem foi noite de ouvir Rosa Montero e Lídia Jorge, no âmbito das conversa programadas pela FIC, na Casa das Histórias.
A energia de Rosa, contrastava com a leveza da voz de Lídia, ...
Comprei o 1º livro de Rosa Montero com uma dedicatória explosiva. Linda. "A Louca da Casa".
Enquanto esperava , abri aleatoriamente na página 103.
Mais um sinal...
«Amar apaixonadamente sem ser correspondido é como ir num barco e enjoar: sentes-te morrer mas provoca o riso dos outros,», disse-me uma vez com esmagadora lucidez o escritor Alejandro Gàndara. "
Como diz Rosa Montero , este "libro é mentiroso y jogueton"....
Momentos há na vida que a escuridão assola de uma forma violenta e muito triste os neurónios dos afectos . Saudades das saudades e da convicção que eu tinha que o Sol estava onde eu quisesse. Aconteceu, e eu não esperava. (Trabalho de Mat Collishaw, série Ludo. Projecto artístico em que apresenta a reinterpretação de um candelabro barroco)