segunda-feira, 7 de março de 2011

Momentos de ouro







Como aqui, no Mar à Vista, de preferência com vista de mar, se pode falar de tudo ou de nada, há sempre uma primeira vez para qualquer coisa...
Restauração, em Coimbra, para os que como eu e para os adeptos, fizeram a sua vida estudantil por aqui.
Antiga Associação Académica (futebol clube) transformada num muito original restaurante, o STILL IS.
E mais não digo, apareçam.
Depois para um deserto, que fica aqui tão perto... uma saltada à Figueira da Foz, mas não a "mascarada".

domingo, 6 de março de 2011

Os nossos poetas


Sei os teus seios.
Sei-os de cor.

Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.

Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.

Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!

Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!

Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?

Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?

Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!

Quantos seios ficaram por amar?

Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!

Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!

Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...

Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.

Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...

Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!

Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...

O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"

Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!

Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.

Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!

Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!

"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"

Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.

Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...

Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...

Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...

Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!

Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.

Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser

Poema de Alexandre O`Neill

Pintura de Henri Matisse

sexta-feira, 4 de março de 2011

Com tantos e bons filmes para ver, bom fim de semana



Paulo de Carvalho, o nosso Sinatra português...

Poetry - ***** estrelas

O que ficou por dizer...


Pois a tarde a que nos propusemos querida Gigi…. Ultrapassou as expetativas na torrente das palavras que viajaram pelo deserto do Saara e caíram como as cascatas de Vitória. Cobriste-me de areia com o deserto para mim desconhecido e salpicaste-me com as cataratas por visitar. Um dia hei-de ir, hei-de ir sempre a qualquer lado. Só não sei quando… Viajámos no tempo.
E a nossa conversa que tinha começado com o cinema e uma saudade de 40 anos.... Mas vou voltar ao principio. Vai ver o filme coreano “Poesia”, “Shi” em coreano.
Já tinha falado dele aqui em Novembro quando tive a felicidade de o ver no Estoril Film.
Trata de problemas mentais, da luta contra o Alzheimer de uma sexagenária, que lentamente se desvincula da realidade, que se vê confrontada com problemas familiares. Tudo é lícito para fugir à falta de memória. Escolhe o aprender a poemar de forma a transformar o poema que tem que escrever “ em 2he 20m de beleza e cicatrizes, num cinema perto de si. Um poema da condição humana escrito com palavras tão improváveis como Karaoke, badminton ou viagra.”
Para teu prazer e de quem aqui passar , agarrem este filme como ele se agarrou a mim .
Bom fim de semana.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Continuando com Eunice..." minha alma de sonhar anda perdida..."

- O Comboio da Madrugada - Mas que forma inesquecível o TEC teve de comemorar os seus 45 anos de vida....



Mas vale a pena tentar, há sempre quem desista à última da hora, porque a lotação parece estar esgotada até 3 de Abril.
E assim foi... Flora Goforth é salva porque, por uma vez na vida, um homem recusa-se a entrar no seu quarto. O herói também tem a capacidade de salvar porque não se deita com a anfitriã. Desta maneira, a peça apresenta o curioso espetáculo de um encontro entre um homem desejável e uma mulher mundialmente famosa pelos seus excessos sexuais, celebrando assim a santidade da recusa.... O jovem herói, Cristopher, é ao mesmo tempo intensamente sexual e estranhamente etéreo. No fundo é uma figura de morte que excita sexualmente velhas senhoras obscenas e loucas mas que também as notifica que o seu tempo acabou.
E,Flora (Eunice ) foi magistralmente notificada.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Olhares...


"Uma geração à rasca e outra a ganir" neste blogue, aqui. Porque têm medo do dia 12 de Março? Ou melhor, apreensão, dúvidas...
São rosas senhor, são rosas...

Hoje, já é outro dia...


Como diz o anúncio, "todos temos uma estória para contar"...

terça-feira, 1 de março de 2011

Estórias de cinema -2- 1932-2011


Bom... hoje é dia de óbito no Mar à Vista. Acontece, porque há vida.
Mas com Annie eu tinha uma relação de "afeto" muito grande. Primeiro por ser uma diva do cinema francês e fazer parte da minha apredizagem pelo gosto do cinema europeu, anos 70, depois, por uma pequena vaidade que me lisonjeava... diziam que eu era muito parecida com ela, sobretudo pelas expressões e corte de cabelo, curto, desde sempre e "trés avant gard"para a época. Senti-me impesionda quando vi o seu filme "Mourir d´Amour"... pois senti as semelhanças, apesar da diferença de idades mas que nessa altura se diluiam com o seu aspeto jovem...
Recordemo-la pois , nestes dois videos, no seu melhor e no seu pior, mas ainda assumido.

Estórias do cinema -1-


" Os Homens Preferem as Louras"

Jane Russell 1922-2011