domingo, 24 de junho de 2012

Notícia na noite... onde já é outro dia

         Retrato de Anna Akhmalova, 1914, de Altman Nathan (1889-1970)

Não conhecia esta pianista francesa, Brigitte Engerer, que deixou de fazer parte do planeta azul.... AQUI

sexta-feira, 22 de junho de 2012

O Fado no cinema (2) e... bom fim de semana



O Destino Marca a Hora
Drama a preto e branco

Realizaçõa de Henrique Campos (1903-1983)
Música de João Nobre
Estreia a 11de Fevereiro de 1970


O Fado no Cinema - exposição (1)

    
Um de dois trabalhos magníficos de Manuel João Vieira feito para esta exposição com base nos antigos cartazes que existiam no cinema Condes

terça-feira, 19 de junho de 2012

ROBERT LAMOUREUX l'éloge de la fatigue

" o auto elogio é o desespero de uma pessoa incapaz"... nem que seja por pura questão de personalidade *

O auto-elogio...

O elogio deixa as pessoa decentes contrafeitas, enquanto o auto-elogio deixa todas as pessoas sérias boquiabertas. O elogio não desagrada, mas provoca no elogiado o senso crítico. Embora se sinta gratificado, ele sabe que poderia fazer melhor - e sente o peso dessa responsabilidade.
O auto-elogio é o substituto do elogio que não aconteceu. É a mentira computada sem pejo. É a agressão à capacidade crítica dos que a tudo assistem e que conhecem a realidade. É o atestado de ignorância, pois equivale a dizer: "Como VExa. não sabe avaliar, avalio por si. E a verdade é esta, sou bom e faço o melhor!". É menosprezo pela inteligência alheia.
Imagino poder estar correto, pois o auto-elogio dificilmente é proferido em diálogo com quem conhece bem o descarado. O auto-elogio é proferido perante quem é “de fora”, de longe ou recém-chegado. É a tentativa de impor uma imagem distorcida, antes que o outro compreenda e constate por si mesmo a realidade efectiva.
O auto-elogio é desespero de uma pessoa incapaz...
Ou será que me engano?

Publicado por Morpheu (in Google)

* e... por muitos problemas mal resolvidos . É a vida.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Andrew Bird - Souverian - Cemetary Gates

Há sempre uma ironia da vida que nos conduz até O'Neill (reticências)


Divertimento com sinais ortográficos de O'Neill

...

 Em aberto, em suspenso
Fica tudo o que digo.

E também o que faço é reticente...

:
Introduzimos, por vezes,
Frases nada agradáveis...

.
Depois de mim maiúscula
Ou espaço em branco
Contra o qual defendo os textos

,
Quando estou mal disposta
(E estou-o muitas vezes...)
Mudo o sentido às frases,
Complico tudo...

!
Não abuses de mim!

?
Serás capaz de responder a tudo o que pergunto?

( )
Quem nos dera bem juntos
Sem grandes apartes metidos entre nós!

^
Dou guarida e afecto
A vogal que procure um tecto.


In, POESIAS COMPLETAS
Assírio e Alvim

A propósito de um comentário malévolo... no post anterior*

Reticências

 Arrumar a vida, pôr prateleiras na vontade e na acção.



Quero fazer isto agora, como sempre quis, com o mesmo resultado;


Mas que bom ter o propósito claro, firme só na clareza, de fazer qualquer coisa!


Vou fazer as malas para o Definitivo,


Organizar Álvaro de Campos,


E amanhã ficar na mesma coisa que antes de ontem — um antes de ontem que é sempre...


Sorrio do conhecimento antecipado da coisa-nenhuma que serei.


Sorrio ao menos; sempre é alguma coisa o sorrir...


Produtos românticos, nós todos...


E se não fôssemos produtos românticos, se calhar não seríamos nada.


Assim se faz a literatura...


Santos Deuses, assim até se faz a vida!


Os outros também são românticos,


Os outros também não realizam nada, e são ricos e pobres,


Os outros também levam a vida a olhar para as malas a arrumar,


Os outros também dormem ao lado dos papéis meio compostos,


Os outros também são eu.


Vendedeira da rua cantando o teu pregão como um hino inconsciente,


Rodinha dentada na relojoaria da economia política,


Mãe, presente ou futura, de mortos no descascar dos Impérios,


A tua voz chega-me como uma chamada a parte nenhuma, como o silêncio da vida...


Olho dos papéis que estou pensando em arrumar para a janela,


Por onde não vi a vendedeira que ouvi por ela,


E o meu sorriso, que ainda não acabara, inclui uma crítica metafisica.


Descri de todos os deuses diante de uma secretária por arrumar,


Fitei de frente todos os destinos pela distração de ouvir apregoando,


E o meu cansaço é um barco velho que apodrece na praia deserta,


E com esta imagem de qualquer outro poeta fecho a secretária e o poema...


Como um deus, não arrumei nem uma coisa nem outra...






Álvaro de Campos, in "Poemas"


Heterónimo de Fernando Pessoa

* (porque há gente muito feia... tão feia interiormente que ofusca qualquer laivo de beleza que tenha existido nas suas vidas).

domingo, 17 de junho de 2012

Paris visto do céu...

Por Yann Arthus-Bertrand, Paris vue du ciel

"Aquilo que nós mesmos escolhemos é muito pouco: a vida e as circunstâncias fazem quase tudo"
Jonh R. R. Tolkien
Escrito na Pedra, hoje, no Público