DESPERTA-ME DE NOITE O TEU
DESEJO NA VAGA DOS TEUS DEDOS COM QUE VERGAS O SONO EM QUE ME DEITO
É REDE A TUA LINGUA EM SUA TEIA É VICIO AS PALAVRAS COM QUE FALAS
A TRÉGUA A ENTREGA O DISFARCE
E LEMBRAS OS MEUS OMBROS DOCEMENTE NA DOBRA DO LENÇOL QUE DESFAZES
DESPERTA-ME DE NOITE COM O TEU CORPO TIRAS-ME DO SONO ONDE RESVALO
E EU POUCO A POUCO VOU REPELINDO A NOITE E TU DENTRO DE MIM VAI
DESCOBRINDO VALES. Poema de Maria Teresa Horta
"voyage au but de la nuit", de Nadir Afonso «Espera por mim no além, eu não deixarei de ir ao teu encontro nesse côncavo vale». E. A. Poe Da Fundação Nadir Afonso
Li hoje quase duas páginas Do livro de um poeta místico, E ri como quem tem chorado muito. Os poetas místicos são filósofos doentes, E os filósofos são homens doidos. Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem E dizem que as pedras têm alma E que os rios têm êxtase ao luar. Mas as flores, se sentissem, não eram flores, Eram gente; E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras; E se os rios tivessem êxtase ao luar, Os rios seriam homens doentes. (...) Por mim, escrevo a prosa dos meus versos E fico contente, Porque sei que compreendo a Natureza por fora; E não compreendo por dentro, Senão não era Natureza. Fernando Pessoa in, Ficções do Interlúdio poemas publicados em vida
Este é o "meu Rafael"... Tratamento dado aos nossos alunos. A posse. Comemoração dos 25 anos da Revolução dos Cravos. Freguesia do Castelo. Onde estará hoje o Rafa???
"Este não à violência" , no dia de ontem, 15 de Setembro, faz-me recuar ao 25 de Abril de 1974... Hoje com homens e mulheres "desnudados ", belos como o sol que nos ilumina, partilham a revolta e a doçura.
" Mesmo que a terra fosse dentro de pouco tempo abalada por um choque celeste, viver para o outro, subordinar a personalidade à sociabilidade, não cessariam de constituir até ao fim o bem e o dever supremos." Auguste Comte
Ontem a vida transportou-me de uma forma especial até Coimbra. "Sentei-me" na Brasileira, café de referência, e pensei o querido amigo Joaquim Namorado. As estórias de vida que se viveram naquele espaço a preto e branco... Anos 70 para mim. Depois passou a loja de roupa e hoje tentou regressar com um conceito que nada tem a ver com um passado que deveria ter sido preservado . Hoje vende bolos de noiva... e tomam-se uns cafezinhos como se estivéssemos a fazer parte de um casamento. Joaquim que não era acanhado no linguajar, se cá voltasse, diria das suas que fariam corar as pedras da Rua Ferreira Borges. TURISMO A paisagem é bela, cumpre o seu dever. E os turistas mandando-a em bilhetes postais à família, cumprem o seu . De Joaquim Namorado, in INCOMODIDADE