segunda-feira, 8 de outubro de 2012

" A Operação da Pedra" e "As Cores do Pensamento"


Hyeronimus Bosch (clicar)  pintor de profissão, há mais de cinco séculos que intriga os espíritos sagazes que procuram decifrar-lhe os mistérios, descodificar-lhe a gramática, conferir enigmáticas profecias. Favorito de um rei beato, surrealista antes do tempo, a sua pintura é dieta inesgotável para estudiosos que nela encontram folclore, alquimia, a cabala, traço de alucinógeneos e até Freud ou Jung......
 Assim o escreveu João Lobo Antunes....

Libertar pela arte... Boa semana....


domingo, 7 de outubro de 2012

Porque há domingos assim...

De Alexandre Cabanel , O Nascimento de Vénus

Vénus

À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda...
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a razão se perde!
Pútrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.
O seu esboço, na marinha turva...
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os pés atrás, como voando...
E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co'a salsugem.

II

Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
_ Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.
E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
_ Ó fúlgida visão, linda mentira!
Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...

Poema de Camilo Pessanha 


sábado, 6 de outubro de 2012

Esta noite está a acontecer.... Maurice Steger, "o flautista imparável"... junta-se ao Divino Sospiro... Há noites belas...


Uma visita que não tem data...

...porque este espaço veio para ficar.
Fui ver e gostei muito, LISBOA STORY (AQUI).
No mesmo Terreiro, segundo uma opinião abalizada,  poderia ter passado a existir o Museu da Cidade, localizado num belo Palácio, mas distante do coração da cidade... 
Ficar no Páteo da Galé.... tão subaproveitado..., por exemplo...

Há  que ir .... e desfrutar a praça mais linda em espaço e limpidez... O nosso Terreiro do Paço.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Memórias da linha de Cascais que se vão apagando...

 Tenho assistido ao desmoronar lento e cuidado de um dos últimos redutos de Memória da II Guerra Mundial, o Hotel Atlântico, situado no Monte Estoril....
Vai dar lugar a um apartotel  dizem, mas nas nossas memórias e só nas nossas , ficará a imagem daquele hotel que albergou espiões, neste caso os da Gestapo, porque os da Resistência instalavam-se no belo British Bar , uns metros à frente, e de lado oposto , hoje um restaurante de referencia ," O CIMAS."
No seu Blogue, Irene Pimentel, traz uma completa história  REVIVER O ESTORIL DURANTE A II GUERRA  MUNDIAL. ( VER AQUI).
E eu acrescento algo que me toca profundamente... pois é o meu cantinho... "O Monte Estoril, génio dum outro século, conserva- se indenme da mácula estrangeirada. Conserva o seu ar de bucolismo português, de jardim de convento, de elegância antiga e recatada.
E não se sabe se o perfume do Monte Estoril, é essa graça saudosista de coisa portuguesa e de visão do passado - se o dos goivos, dos heliotrópios, das magnólias, dos lilases, das glicínias, do seu jardim de jardins... "
Este pequeno texto contrapõe -se a" um  Estoril estrangeirado, enervante e banal como um mundo standardizado, cosmoplita e internacional" 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Aconteceu ontem à noite... porque há noites assim...



No auditório da Boa Hora, com a Orquestra Divino Sospiro.

Leituras breves...


Bom dia , proverbial Outubro...


Com a vinha em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.
 Em Outubro centeio ruivo.
 Em Outubro não fies só lã; recolhe teu milho e feijão, senão de Inverno tens a tua barriga em vão.
 Em Outubro o fogo ao rubro.
 Em Outubro o lume já é amigo.
 Em Outubro ou secam as fontes, ou passam os rios por cima das pontes.
 Em Outubro, S. Simão, favas no chão.
 Em Outubro, S. Simão; semear, sim; navegar, não.
Em Outubro sê prudente; guarda pão, guarda semente.
 Em Outubro semeia e cria, terás alegria.
 Outubro chuvoso torna o lavrador venturoso.
 Outubro erveiro, guarda para Março o palheiro.
 Outubro nublado, Janeiro molhado.
 Outubro pega tudo.
 Outubro quente traz o Diabo no ventre.

Fotografia de Robert Doisneau