sábado, 1 de dezembro de 2012

1º de dezembro, frio, memórias de infância e a poesia de Augusto Gil



Balada de Neve


Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.



É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…


Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
. Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!


Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…



Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…


E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…


Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…


E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.


Augusto  Gil 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

" A ingratidão dos países, tal como a das pessoas, é acompanhada, quase sempre, pela falta de memória" "


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Beethoven - Silencio.... o barulho foi de mais...


Leituras breves mas atentas...

Não podia ser, em minha opinião, mais acertivo, este estudo sobre o impacto da INTERNET(aqui) na nossa atenção e memória...
Uma luta que vou travando comigo própria 

"Há provas de que a atenção é crucial para a formação de memória, para o pensamento crítico e conceptual e, por isso, essas formas de pensar são extremamente importantes para aproveitar todo o potencial da mente humana"


Uma exposição que me e nos espera...Tanta coisa que Lisboa tem para nos oferecer...



Uma noite a mama de uma senhora entrou no quarto de
um homem e pôs-se a falar da sua irmã gémea.


Russel Edson/Fernando Botero

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Anoitecer...

Hoje, na Figueira da Foz, a fotografia do João Viana

Conversas com Jaime... A sua luta contra o "Merkeavelismo"


Quanto à Merkel, não tenhas pena da mulher! Esta filha do pastor não passa de uma banalíssima cínica, com um enorme apetite de poder... e nada mais!

A única coisa que a preocupa, a sério, é tentar passar a peneira ao eleitor alemão, em especial ao Alemão BURRO, para se ir aguentando no poleiro. Visões, ideais é coisa que lhe é completamente estranha, razão por que nunca será uma estadista, por muito que o tente fingir.

A crise veio apanhá-la totalmente desprevenida. Pôs-se a largar disparates a torto e a direito... indo sempe adiando as soluções dos problemas... programando tudo em função de eleições regionais... que foi perdendo, umas atrás das outras. Ao mesmo tempo que o preço para a solução do caso grego ia aumentando.

Depois apareceu Portugal, e as coisas mantiveram-se na mesma.

Mais: nem a Grécia nem Portugal vão sair do buraco em que estão, com esta política. Isto é tudo um LOGRO monumental que a mulher anda a encenar, por ser incapaz de atacar os problemas.

Esta política de vistas curtas, provinciana e incompetente, pode dar cabo não só da Zona Euro mas até de toda a UE.

E quem mais vai perder com isso é a Alemanha que afinal não passa de um colosso de pés de barro.

Por isso é uma pena que a Merkel seja uma medíocre - mas os restantes políticos europeus também não lhe ficam atrás.

Ou seja: ela não revelou a mínima competência para governar a UE. Mas também não se vislumbra alternativa para ela, fora da Alemanha.

A oposição alemã tem dois partidos (SPD, o partido dos Alemães pequeninos, fundado ainda no tempo de Marx; e os Verdes ambientalistas) com gente mais capaz do que o pessoal dos partidos clericais (CDU e CSU) e do minúsculo FDP, o partidinho dos capital grosso, dos farmacêuticos, dos banqueiros, dos ladrões, dos escroques, dos intrujões e dos mais reles filhos da puta que há neste país.

Portanto a Alemanha é um colosso de pés de barro, coitada.

domingo, 25 de novembro de 2012

"O mundo inteiro é um palco...."

 O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis.
Seus atos se distribuem por sete idades. No início a criança
Choraminga e regurgita nos braços da mãe.
E mais tarde o garoto se queixa com sua mochila,
E seu rosto iluminado pela manhã, arrastando-se como uma lesma
Sem vontade de ir à escola. E então o apaixonado,
Suspirando como um forno, com uma balada aflita,
Feita para os olhos da sua amada. Depois o soldado,
Cheio de juramentos estranhos, com a barba de um leopardo,
Zeloso de sua honra, rápido e súbito na briga,
Buscando a bolha ilusória da reputação
Até mesmo na boca de um canhão. E então vem a justiça,
Com uma grande barriga arredondada pelo consumo de frangos gordos,
Com olhos severos e barba bem cortada,
Cheio de aforismos sábios e argumentos modernos.
E assim ele cumpre seu papel. A sexta idade o introduz
Na pobre situação de velho bobo de chinelos,
Com óculos no nariz e a bolsa do lado,
Suas calças estreitas guardadas, o mundo demasiado largo para elas,
Suas canelas encolhidas, e sua grande voz masculina
Quebrando-se e voltando-se outra vez para os sons agudos,
Os sopros e assobios da infância. A última cena de todas,
Que termina sua estranha e acidentada história,
É a segunda infância e o mero esquecimento,
Sem dentes, sem mais visão, sem gosto, sem coisa alguma.

[“As You Please”, Ato II, Cena VII, em “The Complete Works of William Shakespeare”, Edited by W. J. Craig, M.A., Magpie Books, London, 1992, 1142 pp.] 

As minha fotos, ontem , em dia de chuva, no Terreiro do Paço, Lisboa