sexta-feira, 4 de julho de 2014

Leituras breves ou nem tanto assim... Bom fim de semana aos passantes

«Hoje, se queremos perceber para onde queremos ir não é necessário olhar para a política, mas sim para a arte. Sempre foi a arte que indicou, com grande
antecipação e clareza, o rumo que o mundo ia tomando e as     grandes transformações que se preparavam. É mais útil entra num museu do que falar com cem políticos de profissão. Actualmente, a história, tal como a arte nos ensina, está a pós-modernizar-se.»


... «Como a arte pós-moderna nos ensina, talvez nos pudéssemos aperceber de que há espaço para todos e de que não há pessoas com mais direito à cidadania do que outras»



Excerto do livro, Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício, Conversas Sobre o Bom Jornalismo de 

Ryszard Kapuscinski

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sophia, eterna.

"Quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro", escreveu  Sophia de Mello Breyner.

Carta, com atraso, ao Chico Buarque... Nós por cá pouco bem...



Entro aqui quase sambando
Oiço “quem te viu e que te vê”.  Continuo em festa pá… , e de que maneira...
Rosângela Rennó, Morena de Angola
Sabias querido Chico, que continuo a parabenizar-te e com alegria e partilha do Livro que um dia deste à septuagenária senhora minha Mãe, tua vizinha do 8º , lá no prédio mais alto do Alto Leblon, onde depois da partida do meu pai passava temporadas?
Hoje está com 86 anos e tu com 70. Sempre são 16 anos de diferença.
Sei que vocês os dois saíam à mesma hora para a passeata no calçadão. Cruzaram-se, olharam-se e tu na tua timidez meteste conversa com a “portuguesa com certeza” como tu lhe chamaste. Ela não era garota de Ipanema, mas era e é muito bonita.
Um dia atrapalhaste-me a Mãe. Telefonou-me aflita e meio envergonhada,  à socapa da tia Lúcia,  a verdadeira vizinha, com carácter de permanência  até ao seu último dia de vida.
O Cio da Terra, de Ricardo Leite 
Quando me começou a contar o presente que de ti tinha recebido, antes de chegar ao fim , fiquei com medo que a tivesses paqueirado… e eu a ficar roída de pena (?) pois pensava e com razão,  que eu estava mais adequada para ti…
Tinha então recebido da tua parte um presente de fim de ano. O Famoso 1999/2000.
Um belíssimo catálogo editado com as tuas canções a que artistas deram a sua cor e imagem segundo as suas interpretações.
O que me pedia a minha Mãe?  Ela proverbial e bem falante e toda dada ao discurso directo e indirecto .  Ficou retraída e incumbiu-me de ser eu a fazer o cartão de agradecimento pois achava que não tinha gabarito para o POETA.
Acedi e com que prazer e com que rodeios como se tivesse sido eu a feliz contemplada …
Sei que  passou a minha sedutora prosa para uma papel que suponho perfumado.
Ganhei como prémio o catálogo e jurei que nunca este livro sairia cá de casa.
Eis, senão quando este fim de primavera, numa tertúlia que frequento te  foi dedicada uma sessão. Levei o teu presente comigo e dei a conhecer.
Um António já idóneo e promotor da sessão , que por acaso mora perto de mim, mostrou vontade em ver com mais atenção. Boazinha como não sabes que sou, emprestei o por dias… que levaram a mais de mês e meio…
Não te conto as minhas ânsias e agonias por tal ausência e que deu azo às especulações
possíveis com um material daquele gabarito com dedicatória e tudo.
Hoje está comigo depois de ter metido terceiros ao barulho. Por isso só hoje te parabenizo como sempre sonhei.
Anos mais tarde foi a minha vez de te encontrar, estavas ali mesmo à mão, por baixo de ti… ( J). Eu no 8º e tu no teu recuado e 9º.   
De Marcello Serpa, Retrato em Branco e Preto
Não tantas vezes como a minha mãe e sem foros de grande cumplicidade encontramo-nos e desta vez fui eu que levei o teu livro LEITE DERRAMADO, edição portuguesa, e que “com certeza” gostaste de autografar.
Hoje, sei que estás noutro bairro que também é teu de eleição, só a tua” novel “ namorada por lá continua. A ti Lúcia morreu, eu penso continuar a ir para o Leblon, mas um pouquinho mais abaixo, não tanto como sonho e desejo, pois por lá estão os de sangue do meu sangue, que isto de emigrar , é tão velho como o Cabral ter chegado a terras de Vera Cruz… E , isto,  porque por cá, pá, não está tão bom como no tempo do cheirinho a alecrim. Manda tu daí um raminho…

SAUDADES.

domingo, 29 de junho de 2014

quinta-feira, 26 de junho de 2014

- leituras breves-

 Tupa, tupa no cava- licoque, olhos aqui no cereal todo verde, além no monte a vestir pelagem nova, ...... olhos brancos, esses tais que, em cara portuguesa, de filho da puta ou erro da natureza, ...... Tivesse eu sede, mas nem raça!

In , Malhadinhas, de Aquilino Ribeiro

presentinho e dia bom...

Le carré rouge, envers et contre tous!


"Le carré rouge, de Malevitch, 1913

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Amei... e amarei

Longe,
existe no sul, mutilada pelos assassinos,
uma vila onde nasceste,
algumas redes, alguns barcos, alguns peixes de olhar cego
no pensamento do pai,
minúsculas ilhas sem roteiro nem mapas,
pequenas magias que não te conduzem à alegria e às
estátuas de sal.

Agora,
são as filhas que esperam, três fontes, três enigmas,
três rainhas de um tempo de devastados tronos,
de breves antecâmaras da morte,
isto a que chamamos vida, amanhã, sentido dos dias,
e é tão-somente o que resta de um medo mais vasto, nas
fronteiras do mundo.

Algures,
nos caminhos que vão para norte, repousa ao
abandono, no sombrio hotel do esquecimento,
aquele que tanto amaste, que tanto amámos.
Mas tu vais e vens e não queres que vejam como às vezes
sofres.

Dobras-te como as espigas num campo amarelo,
num Verão antigo.
Danças seriamente sobre altíssimos saltos.
Espalhas à tua volta lantejoulas de tropicais sonhos,
de Méxicos belos e Las Vegas de falso ouro e melancolia.
Cantas no interior do fumo.
Mas a tua voz não tem o timbre das terras suaves.
E eu não sei como dizer-te
que nestes rios de mezcal
navegam príncipes azuis em tumultuosas vagas e há um
desespero de náufragos no coração dos amigos,
esses que não fogem do sonho e das lágrimas,
como se não tivessem um corpo aberto às navalhas,
inclinado sobre a dor,
à tua espera durante horas.

Não precisas de bater à sua porta.
Não respires demasiado, à beira dos seus jardins.
Não quebres os espelhos de prata onde se reflectem os
cisnes da sua água,
no meio do lago triste.
Vem pela noite, cruza as pontes, traz um pouco de
incenso,
e se partires,
vai com o sol ao longo da margem,
ao lado do mar

José Agostinho Baptista.
Não gostoRetirado do mural de Ana Cristina Leonardo, no FB.
Obrigada.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Para depois da sesta se for caso disso...


A minha intenção se a tivesse...

            Ao triunfo maior, avante pois!
O meu destino é outro - é alto e é raro.
           Unicamente custa muito caro:
A tristeza de nunca sermos dois...
       
Pinturas do surrealista André Masson (Balagny, Oise 1896 - Paris 1987)
Poema de Mário de Sá - Carneiro

domingo, 22 de junho de 2014

tempo de verão .... será?

É douard Manet, Barco
... o barco levar-nos-à até ao fim de um outro mundo onde ainda seremos mais felizes...

sábado, 21 de junho de 2014

Bom fim de semana...

Kasimir Malevich, Vangardas Russa

«É um erro falar de alguém com quem não se partilhou pelo menos um fragmento da vida», diz-nos Ryszard Kapuscinski.