sábado, 2 de janeiro de 2016

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Uma receita de Ano Novo... Bom Ano de 2016

Uma receita de Ano Novo dada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Dezembro/1997.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MAR Á VISTA, com Sampaio da Nóvoa

Uma onda de votos pode levá-lo à vitória.

Laurie Anderson, filme

No final, este é um filme tanto sobre a perda como sobre o ato de partilhar algo pessoal com outro ser humano. Um dos momentos mais conceptualmente fulcrais em Coração de Cão é precisamente o contar de uma história sobre o contar de uma história. Aí, Laurie Anderson chega à conclusão que o ato de contar histórias pessoais é um processo de esquecimento. Paradoxalmente, portanto, Coração de Cão torna-se tanto uma coletânea de histórias pessoais cristalizado na eternidade do cinema, como um veículo para a própria autora lidar com a imediata realidade da sua perda e seu esquecimento. (aqui)

domingo, 27 de dezembro de 2015

porque hoje é domingo...

Pintura de Carl Larsson, 1904

"Haverá um acordar", diz Mário Cesariny

Eu acrescento, ás vezes pode ser tarde de mais. Por isso , não esqueças o despertador da da vida, a idade.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Sampaio da Nóvoa, a Presidente



DEBATES TELEVISIVOS EM QUE PARTICIPA SAMPAIO DA NÓVOA
 
1 de janeiro
RTP
Sampaio da Nóvoa – Marisa Matias
2 de janeiro
RTP
Sampaio da Nóvoa – Henrique Neto
4 de janeiro
TVI
Sampaio da Nóvoa – Edgar Silva
5 de janeiro
TVI
Sampaio da Nóvoa – Paulo Morais
7 de janeiro
SIC
Sampaio da Nóvoa – Marcelo Rebelo de Sousa
9 de janeiro
TVI
Sampaio da Nóvoa – Maria de Belém

Nota – Ainda não é conhecido o horário dos debates, mas supõe-se que seja depois dos telejornais

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Hoje dou-te um verso. Amanhã, logo se vê...

Carl Larsson, Uma Menina e um Piano, 1897

Natal. Eis que uma paz, que ao certo é doutra vida,
Abranda toda a terra empedernida,
E é cada mesa em festa uma igrejinha acesa...
Abre hoje o coração - portal que se franqueia.
São todos teus irmãos: até os da cadeia,
As que andam na má sina e os que não têm ceia...

José Régio, Toada do Natal

domingo, 20 de dezembro de 2015

Espanha , eleições, e, eu por arrasto...

Picasso no seu período cubista. Hombre...

"Há coisas encerradas dentro dos muros que, se saíssem de repente para a rua e gritassem, encheriam o mundo" 
Frederico García Lorca

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

bom fim de semana

Dez dias, dez dias sem nos vermos. O tempo de atravessar o Atlântico, ver novas caras e novos corações e regressar. Assim foi com o meu angélico neto Gabriel. (9 M).
Reencontramo-nos ontem , no seu quartinho, após uma boa sesta. Estávamos sós.
Se eu tivesse desaparecido, o Gabriel nunca mais se lembraria que esta vovó tinha existido. Mas... , aquele sorriso, imenso, envergonhado, parecia..., o encostar da sua cabeça no meu ombro e pescoço, como a relembrar cheiros , textura da pele, ora para a esquerda ora para a direita, sempre num esgar de olhos postos nos meus, fez-me saber que o meu "pequenito" já sabe bem quem eu sou. Ainda sinto o calor da sua boquinha no meu colo desnudo.
O perfume, vou mantê-lo, "AMOUR, AMOUR". Os amores vão, quando têm que ir,  mas o perfume fica, e, o Gabriel também. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

"o sono faz a gente esquecer tudo"

“Todos eram grandes, grandes e tristes, ceando a mesma tristeza aos pedaços.
Talvez que a culpa de tudo tenha sido a luz do lampião meio mortiça que substituíra a luz que a Light mandara cortar. Talvez.
Feliz era o Reizinho que dormia com o dedo na boca. Botei o cavalinho em pé, bem perto dele. Não pude evitar de passar as mãos de leve em seus cabelos. Minha voz era um rio imenso de ternura.
— Meu pequerrucho.
Quando toda a casa estava às escuras eu perguntei baixinho:
— Tava boa a rabanada, não estava Totoca?
— Nem sei. Não provei.
— Por quê?
— Fiquei com uma coisa entalada no gogó que não passava nada… Vamos dormir. O sono faz a gente esquecer tudo.
Eu me levantara e fazia barulho na cama.
— Onde você vai, Zezé?
— Vou botar meus tênis do lado de fora da porta.
— Não ponha, não. É melhor.
— Vou pôr, sim. Quem sabe, se não vai acontecer um milagre. Sabe, Totoca, eu queria um presente. Um só. Mas que fosse uma coisa novinha. Só pra mim…
Ele virou para o outro lado e enfiou a cabeça em baixo do travesseiro.”
In “O Meu Pé de Laranja Lima”, José Mauro de Vasconcelos, edição Dinalivro
José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1924, é autor, entre outras obras, de “O Meu Pé de Laranja Lima”, publicado em 1968, uma das obras mais populares da literatura portuguesa, traduzido em 52 línguas, um retrato social do Brasil século passado.