quinta-feira, 5 de maio de 2016

Dia da Língua Portuguesa e algo mais a 5 de maio...

Hoje é o dia da Língua Portuguesa e o Expresso Diário decidiu fazer-lhe uma declaração de amor. 
(em jornal Expresso online).
Também hoje fazem 20 anos que o melhor homem da minha vida partiu. O meu pai.
Se hoje choveu muito, no dia 5 de Maio de 1996, o céu abriu-se como não tenho memória, para quedas torrenciais de água.
Só podia ser assim, pois a grandeza de alma , de ética, bondade, e a própria estatura, tinha que ter espaço para receber o pai Costa.

Gilr in Red Kimono



George Hendrik Breitner, Girl in Red Kimono

Exposição no Rijksmuseum, Amesterdão


12 Setembro 1857 – 5 Junho 1923
Pintor e fotógrafo alemão, viveu em Amesterdão e foi um grande impressionista 

domingo, 1 de maio de 2016

1º de maio

Em Portugal, a tradição das festas cívicas (em sentido moderno) vinha do vintismo. E, a partir da década de 80, ela foi actualizada por liberais e republicanos com a promoção de "cortejos cívicos" em honra dos grandes precursores e encarnadores da "alma popular" ou "alma nacional". Porém, no 1º de Maio, o proletariado pretenderá afirmar-se como sujeito da história, qual novo Prometeu que, devido à missão que Cronos lhe atribuía, só poderia "considerar-se triunfante quando com ele toda a Humanidade triunfe, no triunfo supremo da Revolução social. De facto, tanto nos textos que propagandeavam o dia, como nos cenários que decoravam a festa, o espectáculo do 1º de Maio teatralizava uma certa ideia acerca da vocação histórica das classes trabalhadoras, estribando-se nos postulados essenciais da antropologia que, afinal de contas, dava sentido a toda esta "festa revolucionária" moderna: o humanismo prometeico e a crença na perfectibilidade do homem. Como se escrevia num panfleto, "a perfectibilidade humana tem paragens e tem acidentes através da História, mas tem contudo um definitivo ponto terminus (...). No 1º de Maio, o operariado de todos os países e, em particular o operariado português, consigna nas suas manifestações de solidariedade a sua grande fé, a sua irrevogável resolução de caminhar, caminhar até à realização prática do seu ideal", isto é, até à consumação da utopia.
Fernando Catroga, O Céu da Memória. Cemitério Romântico e Culto Cívico dos Mortos, Coimbra, Minerva Coimbra, 1999, p. 234.

Cartaz russo alusivo ao 1º de Maio de 1919

(gentilmente partilhado da página de FB, de A Textos e Pretextos de Fernando Catroga)

sábado, 30 de abril de 2016

apetece-me pensar azul, bem perto de uma "cidade branca", em dia de uma nuvem "escurecida"....( 1951-2016)

Depois de ouvir a notícia da partida de Paulo Varela Gomes, ficou-me o vazio do que ainda me falta ler e do que já não lerei . E num pequeno percurso reflexivo sentei-me a ouvir Bernardo. Gente que fica para além das suas vidas.
Azul Klein

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Yehudi Menuhin, centenário



O famoso violinista britânico Yehudi Menuhin acredita que seu próprio talento musical se deva, em parte, ao fato de seus pais estarem sempre a cantar e tocar música antes de ele nascer.
(citação)

"Um cristal quebrado ou quando a angústia não cabe na tormenta", , assim seria Mário de Sá Carneiro

Do ponto de vista psicopatológico, o que se observa em Mário de Sá-Carneiro é uma doença do Eu, com distorção da auto-imagem, dificuldade na identificação sexual, impulsividade, fantasmas de morte e ansiedade em braseiro.

Mário de Sá Carneiro, centenário da sua morte. Por aqui, "Confissões de Lúcio"



A Inegualável

Ai, como eu te queria toda de violetas 
E flébil de setim... 
Teus dedos longos, de marfim, 
Que os sombreassem joias pretas... 

E tão febril e delicada 
Que não podesses dar um passo - 
Sonhando estrelas, transtornada, 
Com estampas de côr no regaço... 

Queria-te nua e friorenta, 
Aconchegando-te em zibelinas - 
Sonolenta, 
Ruiva de éteres e morfinas... 

Ah! que as tuas nostalgias fôssem guisos de prata - 
Teus frenesis, lantejoulas; 
E os ócios em que estiolas, 
Luar que se desbarata... 

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 

Teus beijos, queria-os de tule, 
Transparecendo carmim - 
Os teus espasmos, de sêda... 

- Água fria e clara numa noite azul, 
Água, devia ser o teu amor por mim... 

Mário de Sá-Carneiro, in 'Indícios de Oiro' 

sábado, 23 de abril de 2016

"postas de pescada", por encomenda, "jornal sempre fresco"



... e chegam a casa em bom estado de conservação e leitura. 
Deixo aqui o endereço do mercado abastecedor.


Chamar-se-à
ABRIL
disse a voz de Delfos.
O céu está encoberto.
Será nome de mês.
Inscrever-se-á nas
paredes a tinta, a giz,
que a comida é fruto
do sonho.
Quando o tempo passar, Abril será sonho
e realidade e muitos
saberão. Revelar-se-ão
exemplos de dignidade,
o movimento será forte.

Versão dois:
soou baixinho a voz
 de Delfos. Abril ficou
aquém, é flor que não abriu toda.
E agora, perante isto?
Grita-se apenas que
é para sempre?

Os Editores

A escolha para a capa do almanaque" Postas de Pescada", de Abril de 2016.
Não deixa de ser um requinte receber este "envelope" na caixa de correio.