sábado, 19 de maio de 2018

com a rtp2 , fico mesmo mais culta e adulta...

Bom domingo a quem passa e queira ficar um pouco ...

bom fim de semana a quem passa

Da ceramista ceramista Isabelle Decencière

PRIMAVERA

Primavera que Maio viu passar
Num bosque de bailados e segredos
Embalando no seio dos teus dedos
Aquela misteriosa maravilha
Que à transparência das paisagens brilha.

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio de um sonho obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar 
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


Poesia, Sophia de Mello Breyner Andersen, ASSÍRIO E ALVIM


sexta-feira, 18 de maio de 2018

"Codigo dos Homens Honestos", leitura breve....

   Nos tempos que correm dinheiro é sinónimo de prazer, reconhecimento, sucesso, inteligência. Esse doce e ambicionado metal pode ser objecto constante de amor e respeito dos mortais, em qualquer idade ou condição social, desde reis a costureirinhas ou de grandes proprietários a emigrantes.
   No entanto, esse mesmo dinheiro, fonte de todos os prazeres, e origem de muitas glórias, também é objecto de todas as ambições e disputas.
   A vida pode ser vista como um contínuo combate entre ricos e pobres, com os primeiros dentro de uma praça-forte, cheia de munições e cercada por muralhas de  de bronze; os segundos observam, avaliam, atacam, derrubam muros e portões, apesar dos fossos e  da  artilharia, raramente os assaltantes, esses cossacos do estado social, saem sempre de mãos vazias.
   O dinheiro subtraído por esses refinados corsários está perdido para sempre. Penso que é uma causa inglória tentar evitar estes rápidos e habilidosos ataques. Neste sentido e com o objectivo mais amplo, de dirigirmos todos os esforços para defender as pessoas honestas, tentaremos retratar as manobras desses hábeis Proteus.

Excerto da Introdução de um texto de Honoré de Balac, publicado em 1825 , teria talvez 25 ou 26 anos

segunda-feira, 14 de maio de 2018

leituras breves mas profundas...

"– Há uma coisa muito mais importante que a inteligência, avô, é a bondade.
O meu pai contou-me isto comovido
– O miúdo tem razão, o miúdo tem razão
e tinha: a bondade é muito mais importante que a inteligência. Este episódio veio-me à cabeça por causa do Zé Tolentino: ele tem as duas coisas em grau altíssimo, o malandro. Uma bondade enorme e a inteligência metida lá dentro. De que serve ela, aliás, fora disso? A bondade
(e, já agora, a modéstia)
rodeiam-no como um halo, 
a inteligência possui uma descrição e uma delicadeza que não sei se encontrei em mais alguém. Para além disto
(ele, de facto, é escandalosamente rico)"

EM, VISÂO, crónica de António Lobo Antunes  (AQUI)

domingo, 13 de maio de 2018

Caminha-se para mais uma semana primaveril...

Pintura de Rogério Ribeiro, O Mar de Ìcaro, 2000

O tempo falta, os dias passam,  com dores e sorrisos.
E, veio-me á memória o provérbio, "lágrimas com pão, bem vão", por isso os dias têm que fluir, de preferência com beleza...

segunda-feira, 7 de maio de 2018

boa semana a quem passa e bons olhares...

                                    Marius Borgeaud, pintor suíço (1821-1924), uma descoberta que muito me agradou. 

terça-feira, 1 de maio de 2018

O 1º de Maio aqui pelo Mar .... A todos que passam, saúdo...

"o 1º de Maio é o dia em que a Natureza revive em cada poro, em cada átomo. O Inverno, que simboliza a noite milenária da Idade Média, com todos os seus horrores da escravidão, fome e morte, passou, com os seus gelos desolados e a sua nudez; está-se na Primavera - a quadra da beleza e da esperança, e das promessas de frutos deliciosos que hão-de sustentar as vidas; e esta quadra também simboliza a esperança e a promessa de muitos frutos que havemos de colher no Estio e no Outono da nossa futura mas próxima revolução " (14)
(14) O 1º de Maio, Porto, Maio, 1893 (nº único). Cf. Carlos da Fonseca , cit. pag. 46
Excerto das pag. 251/252 do livro O CÉU DA MEMÓRIA, de Fernando Catroga
"E a feminista Matilde de Jesus Pereira declamava: "Maio, o deslumbrante mês em que as flores embalsam o ambiente com os seus perfumes, foste tu o escolhido para as unânimes reclamações do povo trabalhador".
Dir-se-ia que, à mentalidade ainda rural de muito trabalhador português, não repugnaria aceitar, como o fazia o jornal das tabaqueiras do norte, que "certamente, desde longínquas datas, o primeiro de maio tinha o seu culto, remontando talvez na Irlanda à adoração de Baal, coincidindo, durante a Idade Média, com a abertura dos chamados jogos florais e cortes de amor, que importavam ainda assim o princípio da dignificação da mulher. Na Itália entregam-se neste dia ramos de flores, como forma de saudação amigável. Em Portugal, enfeitavam as portas e as janelas com flores e giestas, conservando-se por quase todas as nossas províncias ainda a tradição que se perde nos tempos" (13)

(13) Marius, "O 1º de Maio", in A Voz do Proletariado, XIII anno, nº 642, 1908
Do livro CÉU DA MEMÓRIA, pág. 251, de Fernando Catroga

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Dia Mundial do Livro quase aí, mas já há festejos ....

   No âmbito do Dia Mundial do Livro que se festeja dia 23, deixo AQUI um apontamento da razão da sua existência. Coisa recente...
   Resolvi entrar na festa,  partilhando o livro que ando a ler . Apresentações para quê ? O autor é cá da casa, entenda-se o espaço dos livros...
   Tinha registado a dissertação sobre a cor da cidade de Lisboa, na página 15, a qual também tinha e tenho por hábito de chamar "cidade branca", por três razões :
1ª. porque gosto do branco. 
2ª por influencia do filme , como refere MdeC.
3ª por ternura pela cidade que realmente de "branca" tem pouco. 

Passo a transcrever o que tão bem o escritor descodifica, o homem que também me fez aprender a cor "magenta", através da leitura do seu livro, "A Sala Magenta". Cor de que parece muito gostar.

"Quanto à cor de Lisboa, de tons sempre variáveis com o fluir das estações e os caprichos dos sóis e das atmosferas, disponho-me a jurar e a declarar notarialmente que branca não é. Basta subir-se ao miradouro da Senhora do Monte, ali a S. Gens, ou ao terraço do Hotel Sheraton, ou àquele enorme edifício azul que fecha a alameda dom Afonso Henriques nos altos da Barão de Sabrosa, ou mesmo ao humilde convés dum cacilheiro, para poder verificar que a cidade, descontando o grená rugoso dos telhados, varia entre os rosas-suaves, os verdes esbatidos, os amarelos-doces, em milhentas tonalidades que não fazem mal à vista. Lá terá as suas brancuras aqui e além, mas estão preciosamente colocadas, para compor o todo.
   Mas isto dos gostos e de cores, parece que não é para discutir. Já foi, mas agora não é para discutir.

...

O que importa asseverar por agora é que,  ainda que a cor magenta não venha nos dicionários, o que quase a candidata à inexistência, lançada naquela rua, desmerece tanta gritaria e intolerância

Sempre gostei de Lisboa. Uma aprendizagem com o tempo e as circunstancias. Não sou lisboeta, mas quase... De cá para lá e de lá para cá, Lisboa/Cascais, mais a itinerância da vida de professora. E foi a atravessar o Tejo, de cacilheiro, durante quatro anos, e que a partir de Maio eu já me bronzeava e olhava apaixonadamente a partir do exterior do barco, a cidade, o Castelo de S.Jorge. Um enamoramento que por ironia do destino ou dos concursos,  atirou comigo e em boa hora , para a escola da freguesia do Castelo, para uma escola desconhecida de muitos e muito bonita, onde fiquei durante 10 anos. 
  Dali, a cidade não parecia branca, mas "grená rugoso dos telhados".

domingo, 8 de abril de 2018

"musas consentidas" . Uma leitura breve mas gostosa no dia de hoje. Assim era Picasso...



Belissimo artigo que CFA * fez para o jornal Expresso desta semana, Revista, sobre a relação de Picasso para com as mulheres, a sua compulsão feminina, misoginia, e o sofrimento dessas mulheres , consentido . "Viver com ele era difícil, mas sem ele era pior . Com Picasso o mundo era a cores, sem ele reinava o cinzentismo".
Para além da obra pictórica que sempre me arrastou para um outro além, para além de algum tempo de vida com arte e artista que fez parte de um percurso de vida , e porque há sentimentos transversais aos artistas , em qualquer arte, a sua personalidade sempre me aguçou a curiosidade e o desejo de saber mais.
Comecei há tempo a ler uma grande biografia de Picasso que continuou em stand-by ...

Excerto.

Após uma visita de Marie-Thérése a Dora Maar
....
   - Há muito tempo que me prometes casamento - disse-lhe ela tranquilamente . - (Marie-Therése)
Talvez pudesses tratar do teu divórcio .
   Picasso defendeu-se como podia : tinha sessenta e um anos. Já não tinha idade para casar. foi então que apareceu subitamente Dora. Ela queria intervir na discussão, mostrar que a questão do casamento  de Pablo com Marie-Thérèse nem sequer se punha :
   - Mas então Picasso, tu amas-me - dizia-lhe ela.
    Então Picasso, que se sentia intimidado a escolher, aplicou o golpe de misericórdia a Dora e disse-lhe :
   - Dora, sabes bem que a única que amo é Marie-Thérèse , aqui presente ...
    Esta última tirou da declaração do amante a força necessáriaa para dizer a Dora, apontando-lhe a porta:
   - E agora, saia !
   Que se iria passar? Picasso saboreou aquele instante.
    Dora recusou sair.
Marie-Thérèse voltou a pressioná-la.
Nova recusa.
As das mulheres empurram-se violentamente e deram uma bofetada uma à outra.
Mas Marie-Thèrèse, que fazia ginástica e tinha uma musculatura mais desenvolvida, era decididamente mais forte.
   Um empurrão lançou Dora para o patamar e a porta fechou-se com um estrondo.
   E em seguida ?
   Em seguida, nada se passou. Marie-Thérèse, depois de ter  ouvido Pablo dizer-lhe: «Sabes o  quanto te amo», fórmula em que não era avaro, restava-lhe descer, como habitualmente, as escadas do metropolitano, onde se juntava à enchente de passageiros ... Dora voltou para a Rue de Savoiene deitou-se na cama. Choraria durante muito tempo.
No dia seguinte, Pablo telefonou a Dora Maar para o ritual do almoço no Catalan, como se não tivesse passado nada. Mas, no fim de contas, segundo as suas pr´prias palavras, não são as mulheres«máquinas de sofrer»?



...

Eu,  acrescento no dia de hoje, querido Pablo, 45 anos após a tua morte, 8 de Abril de 1973,  meu" monstro" de duplo sentido, que a relação homem/mulher , mudou . Não tanto como o desejado, mas as relações sadomasoquistas e outros sentimentos,  fazem parte da natureza humana ...
Já fiz viagens para ver exposições tuas. Para esta em Londres não dá....  Na minha tão gostosa Tate. Aguardo o catálogo. 


* Clara Ferreira Alves
Imagens do texto na Revista do Expresso.

Excerto do livro PICASSO, de Henry Gidel