quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Segredo


"Esta noite morri muitas vezes, à espera
de um sonho que viesse de repente
e às escuras dançasse com a minha alma
enquanto fosses tu a conduzir
o seu ritmo assombrado nas trevas do corpo,
toda a espiral das horas que se erguessem
no poço dos sentidos. Quem és tu,
promessa imaginária que me ensina
a decifrar as intenções do vento,
a música da chuva nas janelas
sob o frio de fevereiro? O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome — essa última fala da última
estrela quase a morrer
pouco a pouco embebida no meu próprio sangue
e o meu sangue à procura do teu coração."


Poesia de Fernando Pinto do Amaral Do livro ás cegas, Relógio d água

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A portugalidade de Joana Vasconcelos!
















Joana Vasconcelos nasceu em Paris em 1971 e é conhecida por criar obras de arte que resultam da apropriação e subversão de objectos do quotidiano e da tradição portuguesa.





"CORAÇÃO INDEPENDENTE", recria com cinco mil colheres de plástico, uma peça de ourivesaria de Viana do Castelo.





Joana é um ícone da "performance" em Portugal!

Metereologia de Portugal-Método da pedra- infalível!!


Hoje será um dia de luta firme!




"A arte de ensinar é a arte de assistir á descoberta."




De, Mark Van Doren, poeta e critico




terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Poema para Angelo de Sousa (pintor)


A pintura, ás vezes, sabe ser

uma forma de música: sugere

no fluxo imparável do acontecer,

Que a vida pode não acabar.Fere

o centro de nós mesmos. Amacia

e dissolve tensões que a vida impura,

em tantos momentos, cega, nos cria.

Como a música é boa a pintura.


De, Eugénio Lisboa

O Outono acabou, agora Dezembro!


Este Outono que me trouxe em pleno estado de graça e alerta, pela sua beleza, acabou! Agora, a minha paisagem começa a ser outra. As minhas emoções diferentes... Agora Dezembro. E nem sempre sou feliz...


(se eu já soubesse pôr a musiquinha... ouviriam Les feuilles mortes, Y Montand)....

domingo, 30 de novembro de 2008

Picasso. La danza , exposição em Cascais






Nova exposição de desenhos de Picasso no Centro Cultural de Cascais
Até 11 de Janeiro e a não perder!
A permuta cultural entre a Fundação D. Luís e a Fundação de Bancaja
de Valência ,tem nos permitido observar e deliciar com os mais belos desenhos de Pablo Picasso.
Desta vez mostra-nos a relação do artista com a dança.
A F. Bacanja é considerada a maior referência mundial em obra gráfica de Picasso.
De caminho podem aproveitar e ver também a exposição de Justino Alves.
E a viagem é tão bonita…

Se uma gaivota viesse....(45 anos de fado de Carlos do Carmo)

http://www.youtube.com/watch?v=RukhDLCFgzk


Esta noite o Pavilhão Atlântico encheu-se para aplaudir Carlo do Carmo e seus Amigos convidados! Encontro inesquec´vel!


"pavilhão" terá sido o mais adequado para a intimidade do fado? Penso que não! Mas também só assim tamanha massa humana poderia ter comungado do afecto e da arte do nosso HOMEM!


E ele quis estar muito acompanhado.! Bem haja!


sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bom fim de semana... (desenho de Almada)


Nós e a India


Belo artigo de opinião o dePaulo V.Gomes, no Público de hoje, a propósito das perdas arquitectónicas e culturais em Bombaim, lugares de culto onde a convivialidade multicultural era reinante.
Também um pouquinho da nossa história desapareceu... uma referencia de memória colectiva.
" Bombaim era vossa, nossa, deles, dos portugueses.Um bocado acima do Leopold e do Taj era a casa de Garcia da Orta quando, no ínicio do séc.XVI , o que é hoje a baixa de Bombaim era propriedade dele. Um bocadinho ao lado, há uma igreja católica onde estão pedras com inscrições de um bispo nascido em Santarém no final do séc. XIX. Mais acima há uma "Potuguese Street", memória de uma igreja portuguesa feita quando, durante duzentos anos, entre 1500 e o final do séc.XIX, toda a área de Bombaim foi da Coroa de Portugal.
Depois foi inglesa. Depois foi indiana. E do mundo inteiro
Tudo isto acabou."
Claro que ,as vidas humanas perdidas ninguém traz de volta! Mas quem sabe se a arte e o engenho do Homem nos pode trazer de volta o património perdido?
Quero acreditar que sim.