quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Ai Pacheco, Pacheco... Leituras breves....

 Domingo de manhã fui com a Amada para a praia nos rochedos junto do mar vi pela primeira vez o seu corpo nu feito espuma e onda. Ficamos calados (como quem esta só) escondidos de todos à beira-água (como quem a ama, apetecendo-a como os suicidas), o seu corpo cheirava a maresia (cheiraria?). Numa grande doidice de beijos e carícias leves beijei seus pés de espuma macia... em lírica, diria: pés de sereia; em realística, diria: pés de virgem (feia); em novelística, da antiga, diria: pés de deusa brinca-brincando na areia; em novelística, novíssima: patitas catitas de centopeia..., beijei seus pés; por ali mesmo a comecei a beijar. Caprichos de libertino: o corpo da Amada ficou lá nos rochedos à beira-água onda infatigável desfeito liquefeito brisa de maresia pairando no bafo quente do ar e eu guardo no meu quarto na minha colecção mais um sexo de donzela conservado em álcool e memória, numa mistura fácil de três por dois, tintos.
Luiz Pacheco, excerto de “Os Namorados”
Imagem Google
Pintura de Jesus de Perceval, in Poetas Apaixonados

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Entre o aqui e o agora, falou-se Esteban Vicente, expressionista americano

 O expressionismo compreende a deformação da realidade para expressar de forma subjectiva a natureza e o ser humano, dando primazia à expressão de sentimentos em relação à simples descrição objetiva da realidade. Entendido desta forma, o expressionismo não tem uma época ou um espaço geográfico definidos, e pode mesmo classificar-se como expressionista a obra de autores tão diversos como o holandes Piet ZwiersMatthias GrünewaldPieter Brueghel, o VelhoEl Greco ou Francisco de Goya. Alguns historiadores, de forma a estabelecer uma distinção entre termos, preferem o uso de "expressionismo" – em minúsculas – como termo genérico, e "Expressionismo" –com inicial maiúscula– para o movimento alemão.

Momentos de ouro...


Momentos de ouro passados no alfarrabista mais antigo do Porto, na rua das Flores.

sábado, 31 de agosto de 2013

"o tempo esse escultor"... pelo castelo de Montemor-o Velho

 Um dos fascínios das ruínas é que sugerem ou revelam sempre a configuração do original ou, por outras palavras, a intenção.
No meio da maior devastação, temos a certeza de enconyrar pedaços isolados de pereição: um arco, um pilar, uma cúpula, um pedaço de pavimento. O trabalho de restauro não só dissipa o charme e o mistério como produz efeito, um simulacro, de rigor mortis. Nada parece o que foi. O tempo é mestre apaixonado da decomposição. A criação e a destruição são gémeas, como o foram o  amor e a justiça.

Excerto de um texto de Henry Miller, Viagem a uma terra Antiga

Um dos castelos mais bonitos do país, região centro, rodeado pelos campo de arroz do nosso querido Mondego, o que foi "o basófias"... pleno de sapais cujas incursões no inverno nos podem fazer imaginar verdadeiras tragédias gregas.
Montemor-o  Velho, o da lenda das duas arcas, o bem e o mal... 
É vir e retornar. De preferência em estações diferenciadas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Abençoados surrealistas... Fugir dos novos-ricos (surrealizantes)... defenestrem-se...

                                                                  Casa de Cruzeiro Seixas

  REMODELAÇÕES GOVERNAMENTAIS


 - Podem sentar-se, meu senhores - determinou o Presidente aos Ministros que, atentos, o esperavam ao longo da mesa magnífica. E sentou-se também, no lugar que lhe competia. - Parece-me ser conveniente uma remodelação integral do ministério.
   Entre o silêncio respeitoso, o Presidente levou a mão discreta ao bolso interior do casaco. Tirou o apito e apitou. Três vezes.
   A porta da antiquíssima sala dos Passos Longos abriu-se. De para em par. A guarda presidencial entrou e abateu os Ministros com rajada de metralhadora competente. Todos.
   - Muito bem - confirmou o Presidente, levantando-se. 
   O cabo Ludovino encostou a metralhadora à parede, com todo o cuidado. Esfregou o nariz, olhou em volta, sorriu e atirou o Presidente pela janela daquele andar.

Tempo de tudo e para tudo... Cuidem-se...

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Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
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Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
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Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça


Sophia de Melo Breyner




 Mário  Henrique Leiria
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O proverbial mês de agosto está a chegar ao fim...

Provérbios de agosto

  • Em Agosto, antes vinagre do que mosto.
  • Em Agosto, nem vinho nem mosto.
  • Em Agosto, Sardinhas e mosto.
  • Em Fevereiro, chuva; em Agosto, uva.
  • Luar de Janeiro não tem parceiro; mas lá vem o de Agosto que lhe dá no rosto.
  • Não é bom o mosto colhido em Agosto.
  • Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.
  • Agosto tem a culpa, e Setembro leva a fruta.
  • O mês de Agosto será gaiteiro, se for bonito o 1º de Janeiro. *
  • Por Santa Maria de Agosto repasta a vaca um pouco.
  • Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno.
  • Quando chove em Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.
  • Quem em Março come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.
  • Quem não debulha em Agosto, debulha com mau rosto.
  • Sê em Agosto cuidadoso e aguilhoa o preguiçoso.
  • Se queres ver o teu marido morto, dá-lhe couves em Agosto.
*Este provérbio é o da minha eleição! Et Voilá...
(imagens Google)

Peço desculpa, mas este meu PC tem tendência para assumir 2 imagens... É tarde para refazer... :)

sábado, 24 de agosto de 2013

Pelas vítimas deste país permanentemente em chamas...

As que partiram...
Outras, sem o desejarem, vão partindo lentamente. A fome, o desemprego, o desabrigo, a desilusão, a doença sem poder ser tratada remete-nos para um primitivismo inqualificável.

O adeus a Ana Rita... Uma rosa que a engoliu nos seus próprios espinhos...


Uma partida, um adeus sem retorno...

Em profundo silêncio
o menino, a cotovia
o branco crisântemo


verso haikai