do vento, quando um simples bater de chuva nos vidros rompe o silêncio da noite, e o seu ritmo
se sobrepõe ao das palavras.
Nuno Júdice, Poema
"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno do tua boca, vou
desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela
primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para
desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca
que a minha não escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas,
com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu
rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com
a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.