Escrito e dirigido por Giuseppe Tornatore, Baarìa - A Porta do Vento é um filme autobiográfico, uma saga épica sobre a vida e a morte, amor e ódio, que acompanha 40 anos de história em uma vibrante cidade siciliana durante a primeira metade do século 20. O filme segue a vida de Peppino Torrenuova, desde sua infância como um filho problemático na década de 30, passando pela Segunda Guerra Mundial e o autoritário regime fascista, até seu romance proibido e casamento com a bela Mannina, que culmina em uma tumultuada vida política ao ingressar no Partido Comunista Italiano. Uma jornada cheia de emoção, nostalgia, alegrias e tragédias em um mundo tão distante do nosso, porém tão próximo.
Não adormeças: o vento ainda assobia no meu quarto e a luz é fraca e treme e eu tenho medo das sombras que desfilam pelas paredes como fantasmas da casa e de tudo aquilo com que sonhes.
Não adormeças já. Diz-me outra vez do rio que palpitava no coração da aldeia onde nasceste, da roupa que vinha a cheirar a sonho e a musgo e ao trevo que nunca foi de quatro folhas; e das ervas mais húmidas e chãs com que em casa se cozinhavam perfumes que ainda hoje te mordem os gestos e as palavras.
O meu corpo gela à mingua dos teus dedos, o sol vai demorar-se a regressar. Há tempo para uma história que eu não saiba e eu juro que, se não adormeceres, serei tão leve que não hei-de pesar-te nunca na memória, como na minha pesará para sempre a pedra do teu rosto se agora apenas me olhares de longe e adormeceres.
Maria do Rosário Pedreira
domingo, 6 de julho de 2014
Tempos houve em que se ía num estantinho a Londres... Se eu pudesse, ia por umas coisas e também por outras... Aqui
*Álvaro de Campos- Ode Triunfal Primeiro enxuguei os olhos Depois molhei os pés... Os olhos espelho de ? Ti? Mim? Nem sim nem nim. Sophia escreveu. O que eu queria dizer-te esta tarde Nada tem de comum com as gaivotas.
«Hoje, se queremos perceber para onde queremos ir não é necessário olhar para a política, mas sim para a arte. Sempre foi a arte que indicou, com grande
antecipação e clareza, o rumo que o mundo ia tomando e as grandes transformações que se preparavam. É mais útil entra num museu do que falar com cem políticos de profissão. Actualmente, a história, tal como a arte nos ensina, está a pós-modernizar-se.»
... «Como a arte pós-moderna nos ensina, talvez nos pudéssemos aperceber de que há espaço para todos e de que não há pessoas com mais direito à cidadania do que outras»
Excerto do livro, Os Cínicos Não Servem Para Este Ofício, Conversas Sobre o Bom Jornalismo de Ryszard Kapuscinski
"Quando a Arte não é livre o povo também não é livre. Onde o artista começa a não ser livre o povo começa a ser colonizado e a justiça torna-se parcial, unidimensional e abstrata. Se o ataque à liberdade cultural me preocupa tanto é porque a falta de liberdade cultural é um sintoma e significa sempre opressão para um povo inteiro", escreveu Sophia de Mello Breyner.
Oiço “quem te viu e
que te vê”. Continuo em festa pá… , e de
que maneira...
Rosângela Rennó, Morena de Angola
Sabias querido Chico,
que continuo a parabenizar-te e com alegria e partilha do Livro que um dia
deste à septuagenária senhora minha Mãe, tua vizinha do 8º , lá no prédio mais
alto do Alto Leblon, onde depois da partida do meu pai passava temporadas?
Hoje está com 86 anos
e tu com 70. Sempre são 16 anos de diferença.
Sei que vocês os dois
saíam à mesma hora para a passeata no
calçadão. Cruzaram-se, olharam-se e tu na tua timidez meteste conversa com a “portuguesa
com certeza” como tu lhe chamaste. Ela não era garota de Ipanema, mas era e é
muito bonita.
Um dia atrapalhaste-me
a Mãe. Telefonou-me aflita e meio envergonhada, à socapa da tia Lúcia, a verdadeira vizinha, com carácter de permanência
até ao seu último dia de vida.
O Cio da Terra, de Ricardo Leite
Quando me começou a
contar o presente que de ti tinha recebido, antes de chegar ao fim , fiquei com
medo que a tivesses paqueirado… e eu a ficar roída de pena (?) pois pensava e
com razão, que eu estava mais adequada
para ti…
Tinha então recebido
da tua parte um presente de fim de ano. O Famoso 1999/2000.
Um belíssimo catálogo
editado com as tuas canções a que artistas deram a sua cor e imagem segundo as
suas interpretações.
O que me pedia a
minha Mãe? Ela proverbial e bem falante
e toda dada ao discurso directo e indirecto . Ficou retraída e incumbiu-me de ser eu a fazer
o cartão de agradecimento pois achava que não tinha gabarito para o POETA.
Acedi e com que
prazer e com que rodeios como se tivesse sido eu a feliz contemplada …
Sei que passou a
minha sedutora prosa para uma papel que suponho perfumado.
Ganhei como prémio o
catálogo e jurei que nunca este livro sairia cá de casa.
Eis, senão quando
este fim de primavera, numa tertúlia que frequento te foi dedicada uma sessão. Levei o teu presente
comigo e dei a conhecer.
Um António já idóneo
e promotor da sessão , que por acaso mora perto de mim, mostrou vontade em ver
com mais atenção. Boazinha como não sabes que sou, emprestei o por dias… que
levaram a mais de mês e meio…
Não te conto as minhas ânsias e agonias por tal ausência e que deu azo às especulações
possíveis com um
material daquele gabarito com dedicatória e tudo.
Hoje está comigo
depois de ter metido terceiros ao barulho. Por isso só hoje te parabenizo como
sempre sonhei.
Anos mais tarde foi a
minha vez de te encontrar, estavas ali mesmo à mão, por baixo de ti… ( J).
Eu no 8º e tu no teu recuado e 9º.
De Marcello Serpa, Retrato em Branco e Preto
Não tantas vezes como
a minha mãe e sem foros de grande cumplicidade encontramo-nos e desta vez fui
eu que levei o teu livro LEITE DERRAMADO, edição portuguesa, e que “com certeza”
gostaste de autografar.
Hoje, sei que estás noutro
bairro que também é teu de eleição, só a tua” novel “ namorada por lá continua.
A ti Lúcia morreu, eu penso continuar a ir para o Leblon, mas um pouquinho mais
abaixo, não tanto como sonho e desejo, pois por lá estão os de sangue do meu
sangue, que isto de emigrar , é tão velho como o Cabral ter chegado a terras de
Vera Cruz… E , isto, porque por cá, pá,
não está tão bom como no tempo do cheirinho a alecrim. Manda tu daí um raminho…
Tupa, tupa no cava- licoque, olhos aqui no cereal todo verde, além no monte a vestir pelagem nova, ...... olhos brancos, esses tais que, em cara portuguesa, de filho da puta ou erro da natureza, ...... Tivesse eu sede, mas nem raça!