LIÇÕES
Duas lições:
- aprender a agarrar ( a lição mais óbvia)
- aprender a largar (a mais difícil).
Quanto tempo consegues... antes de largar?
Qual o tempo mínimo entre os momentos de agarrar e de largar?
Conseguir agarrar nas coisas como se agarra no fogo. Largar no momento em que se agarra, no exacto momento. Conseguir tratar os objectos assim.
O pior: antes de agarrar, largar. Ou seja: desistir.
O tédio e a impaciência.
Nada me satis
faz (não quero continuar a agarrar nada, o desejo de continuar a agarrar não existe) - tédio.
Impaciência: quero sempre agarrar outra coisa, quero sempre a próxima queimadura -
para que a dor que outro objectos
acontecimentos me prometem apague
elimine a dor de agora, a dor actual.
Gonçalo M: Tavares , Breves Notícias Ficcionais ( notícias de homens)
segunda-feira, 18 de maio de 2015
domingo, 17 de maio de 2015
deixo-vos um verso
a amada nas altas montanhas
o amador ao rés das águas
HERBERTO HELDER
Poemas Canhotos (últimos poemas saídos postumamente)
o amador ao rés das águas
HERBERTO HELDER
Poemas Canhotos (últimos poemas saídos postumamente)
sexta-feira, 15 de maio de 2015
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Porque nem todos os esforços chegam a bom porto
Segue, uma declaração de Monet já no fim de sua vida, porque sua existência será eterna, a respeito das “Ninféias”:
“Estas paisagens refletidas tornaram-se para mim uma obrigação, que ultrapassa as minhas forças que são as de um velhote. Mas mesmo assim, eu quero chegar ao ponto de reproduzir aquilo que sinto. E espero que estes esforços sejam coroados de êxito.”
“Estas paisagens refletidas tornaram-se para mim uma obrigação, que ultrapassa as minhas forças que são as de um velhote. Mas mesmo assim, eu quero chegar ao ponto de reproduzir aquilo que sinto. E espero que estes esforços sejam coroados de êxito.”
terça-feira, 12 de maio de 2015
Esteban Vicente...
... criador de estados de alma tão diferentes e sombrios...
Vieste como um Barco Carregado de Vento
Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
Maria do Rosário Pedreira, in 'O Canto do Vento nos Ciprestes'
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
Maria do Rosário Pedreira, in 'O Canto do Vento nos Ciprestes'
domingo, 10 de maio de 2015
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Vida, cantada e sonhada...
Olha,
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura o rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Seela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na suavida
Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter
Será que é loucura,
Será que é cenário a casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu,
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na suavida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é semprepor um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira
Será que é comédia,
Será que é divina a vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida.
Edu Lobo e Chico Buarque
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura o rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Seela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na suavida
Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter
Será que é loucura,
Será que é cenário a casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu,
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na suavida
Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é semprepor um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira
Será que é comédia,
Será que é divina a vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida.
Edu Lobo e Chico Buarque
terça-feira, 5 de maio de 2015
Ei-los que partem e alguns que chegam
Chegam ao litoral e o horizonte aberto parece uma dádiva. Sobreviveram a guerras, massacres, misérias, trazem uma fome total, de comida, de um lugar acolhedor, de um gesto que não traga mais desdém, hostilidade, perigo. Partiram do nada, numa fuga onde esgotaram todos os recursos que sobravam. Venderam-lhes a promessa de um futuro e embarcaram porque não tinham outra opção. Foram resgatados 5842 homens, mulheres, crianças no Mediterrâneo nos últimos dois dias...
Ana Sousa Dias no DN
5 de maio de 1996...
... foi a um domingo, dia da Mãe e o meu pai resolveu deixar-nos com a mesma calma com que sempre viveu.
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate
José Tolentino Mendonça
e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate
José Tolentino Mendonça
domingo, 3 de maio de 2015
3 de Maio ...
O que me apetece quase todos os dias, mas hoje em particular...
Mimo.
(um símbolo da maternidade... , contudo, aqui ao meu lado, tenho uma colher de pau para enxotar os pombos que teimam em fazer ninho na minha varanda. )
Mimo.
(um símbolo da maternidade... , contudo, aqui ao meu lado, tenho uma colher de pau para enxotar os pombos que teimam em fazer ninho na minha varanda. )
sábado, 2 de maio de 2015
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