É preciso por vezes tirar os olhos do presente.

Demasiado tempo nas mesmas imagens faz queimar os olhos como se das imagens viesse uma luz moderna que mata a parte biológica que, no olho, vê. Nem só o sol, quando longamente olhado, produz cegos; também as imagens são feitas de um material quase em forma de aura ou espírito, seja lá o que isso for, que hipnotiza primeiro para depois cegar.

Se só vês uma coisa, estás cego para tudo o resto. Eis o óbvio.

A obsessão produz uma gigantesca cegueira periférica. Obcecado por uma qualquer imagem, o cidadão deste século tropeça nos próprios atacadores.

Gonçalo M. Tavares, Revista E

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