terça-feira, 12 de outubro de 2010

Arte, hoje e sempre...



Pinturas de Antonio Viana, da exposição retrospetiva
no Centro de Artes da Figueira da Foz, em 2009

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Mar e Tu

Ainda o mar visto pelo João




Clicar em cima da foto para aumentar.
Vale a pena.


Os "bons" malandros"...

Mar, sábado, dia 9

Ouço na sic noticias Mário Zambujal que anuncia o seu próximo livro... e da sua análise da imprensa do dia, em relação ao ser humano, diz uma coisa que não me canso de repetir...
" o que há de mais antigo no mundo, são os defeitos do ser humano: a inveja, a ganancia, o ciúme, a vingança..." isto para não falar em coisas também menos bonitas.
Por isso a História se repete apesar de haver quem diga o contrário...
Teorias. Mas o que mais precisamos em cada dia que passa , são de boas práticas...
Quem sabe se um dia a ciência consegue fazer de nós melhores pessoas.
Tudo é possível.
Boa semana.


domingo, 10 de outubro de 2010

Bonjour Tristesse (1958) - Juliette Greco

Dia Mundial da Saúde Mental... porque não pensar os amigos?

The Day After, de E. Munch, 1894
Daniel Sampaio na Pública de hoje, fala na banalização do termo "depressão".
Só quem as não teve as não compreende...
Longínquas que são , há que, como ele sugere , não confudir estados de alma com "depressão".

"Estou deprimido", quando seria mais correto, por vezes, dizer "estou triste".
E é o que acontece.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um casino com história.... bom fim de semana

Hoje, no casino da Figueira da Foz, mais uma lição de História

1. Não sabia que Jorge de Sena conhecia a Figueira da Foz, tendo vindo passar férias de Verão, em 1935, a casa do seu tio Jaime Teles.
2. Destaco Sinais de Fogo pela importância que a Figueira assume na obra, editada postumamente, em 1979, por sua mulher Mécia Sena.
3. “Não há para uma cidade destino mais invejável do que o ser mistificada pela literatura”.
4. De facto, na obra de Sinais de Fogo de Jorge de Sena, a ação decorre sobretudo na Figueira da Foz, em 1936. A personagem principal, Jorge, que é o narrador, parte de Lisboa para aí passar férias:
5. “No dia seguinte, parti para a Figueira da Foz, no comboio da manhã. Comprei o jornal. A primeira página estava cheia da mesma coisa: rebentara em Espanha uma Revolução e que o jornal em grandes letras, chamava Nacional.”pág.64
6. “Quando cheguei à Figueira, a estação era um tumulto de espanhóis aos gritos, com sacos e malas, crianças chorando, senhoras chamando umas pelas outras, homens que brandiam jornais, e uma grande massa de gente comprimindo-se nas bilheteiras.”

7. Para quem não conhece a Figueira da Foz, o Bairro Novo é e foi um espaço privilegiado dos acontecimentos, era um espaço de passagem para a praia, ou mesmo local onde “ nas mesas de cafés só uns raros sujeitos gozavam da sombra ante uma cerveja. Eram, como de costume, pais de família, que se recusavam a encher de areia os sapatos na praia. Raramente pais tomavam banho, como aliás as mães ou as tias. "
8. Nesta zona existiam pensões onde estavam hospedados os veraneantes e, entre eles, alguns amigos do Jorge que este procura. As pensões proporcionam igualmente encontros amorosos:
9. “Voltei ao Bairro Novo, e entrei na pensão Ramos. O empregado da porta reconheceu-me, e sim, não tinham descido, estavam com visitas, eu que subisse. Subi trémulo e, mais trémulo , fiquei indeciso diante das portas dos quartos. Devia ser este o da Mercedes. Bati muito de leve, com os nós dos dedos. À escuta olhava de um lado para o outro, esperando que uma das portas próximas se abrisse repentinamente. A chave deu uma volta, e ela surgiu no intervalo estreito que entreabrira: - Tu?- , De relance pareceu-me mais bela do que nunca, com os olhos escancarados, e o cabelo meio despenteado. Empurrei-a para dentro e fechei a porta atrás de mim.”Pag.241
10. (…) Toda a gente que cruzava comigo, cruzava porque já estava envolvida, ou era envolvida porque cruzava a cadeia de acontecimentos, cada um dos quais gerava outros que, por sua vez, estavam ligados a alguns dos anteriores ou a todos?
11. (…) A Figueira era um meio pequeno, onde todos os fios de uma meada se cruzavam. Mas eu não era da Figueira. E das duas uma: ou sempre uma Figueira se formava à volta de qualquer pessoa, (…) ou a sorte estava fazendo de mim uma espécie de catalisador, que, não podia dar um passo, nem falar com ninguém, sem que desencadeasse reacções possíveis só com a presença dele,e que apenas aguardavam esta presença para se realizarem.”pp.260/1
12. Outro dos espaços importantes é o casino que reflecte o ambiente próprio da época(…)
13. O casino servia de ponto de encontro não só de amigos que estavam de férias mas também dos habitantes da cidade , como era o caso do tio do Jorge.
14. Era um dos sitos onde podiam divertir-se e arranjar companhia .
15. É ainda neste espaço que o comportamento de Jorge com Mercedes é denunciado pelo noivo traído, Almeida, que armou um escândalo. –“ Sabes o que ele fez ontem? Um escândalo no casino , no meio de uma data de gente, gritando alto e bom som que eu era”,,,(p.344)


Informações colhidas na publicação semestral da Associação Doutor Joaquim de Carvalho,
17. LITORAIS, estudos figueirenses






terça-feira, 5 de outubro de 2010

O fado na república (3), dia do seu centenário


1.“O Canto do Fado terá um papel fundamental na difusão das ideias libertárias em Portugal…
Folhetos há que são fundamentais para se perceber o amor e dedicação que um grupo de homens – hoje em muito ignorados ou esquecidos – deu a este canto urbano, operário e libertário, contribuindo para a implantação da República em Portugal em Outubro de 1910.
2. Canto Libertário
O Canto do Fado emerge, documentalmente, na cidade de Lisboa, no segundo quartel do Século XIX, fortemente ancorado na palavra poética improvisada, logo dialogal, e também em determinado tipo de coreografias. No inicio da segunda metade do mesmo séc. , transforma-se num canto libertário, suportados pela décima – improvisada ou memorialista – e cuja origem terá que sr encontrada na industrialização e na catequética operária de espírito internacionalista.
Assim o Canto do Fado é, antes de mais, um canto produto da imprensa e da industrialização.
O Canto do Fado que se pratica em 1910 é um canto engajado na luta politica, fazendo parte de uma grande família de práticas de cariz industrial, com uma geografia que vai de Lisboa a Buenos Aires, de Múrcia a Havana, e que utilizaram a mesma estrofe e melodias populares locais ou regionais para transmitir conhecimentos e internacionalizar uma noção de classe, em muito suportadas por um discurso de paz, que este provérbio levantino muito bem caracteriza:
Quem afia versos, não afia navalhas.”


Texto de Paulo Lima, in Catálogo de exposição Fado 2010


“ A Pátria enfim respirou”: o triunfo da República

Viva a Pátria Portugueza
Que a República salvou,
De morrer na indigência
A que a monarquia a deitou.

Nobre pátria sem igual,
Berço de navegadores
E de heróis libertadores,
Grande e nobre Portugal,
Ia tendo por seu mal
Quem a levasse à vileza
Mas derrotou-se a nobreza
Pelo pendão verde-rubro,
Viva o dia 5 d' Outubro
Viva a Pátria Portugueza.

Ao sentir-se a derrocada
Da extinta monarquia,
A Pátria sucumbiria
Por estar mal governada,
Mas a turba ignorada
A que glória a levou,
Na Rotunda vincou
Patriotismo sem igual,
Pois foi o velho Portugal
Que a República salvou.

Imperava o cinismo
Governando a nação,
Mandava a perversão
E o vil jesuitismo,
Mas o povo com civismo
Com tacto e inteligência,
Não consentiu a demência,
D um rei novato e banal,
Evitando Portugal
De morrer de indigência.

Homens de raro valor
Como Costa e outros mais,
Usam processos leais
E à Pátria dão vigor
Brilha já a rubro a cor
Da bandeira que a salvou,
E a Pátria enfim respirou
Ao ser expulso, o mal, o vício,
Está livre do pecipício
A que a monarquia a deitou.

Fado Republicano (para piano)
Música de Reynaldo Varella ,10 de Outubro de 1910



domingo, 3 de outubro de 2010

O fado na República (2)

Coleção de António Pedro Vicente


Mas , enquanto faço outras pesquisas, não posso deixar os meua amigos sem música, com letras da época (1910-1913).
Foram encontradas aqui e vale a pena visitar...
Até amanhã e bom domingo .

O fado na República (1)

O mais português dos quadros a óleo


Não abandone a sua rebeca porque creio, mais
que nunca, que é a arte que muitas vezes nos
suaviza esta vida tão cheia de contrariedades.

Jose Malhoa,16 de Abril de 1900

Durante o Verão esteve patente uma belíssima exposição sobre O Fado e a Répública, na SNAB, cientificamente orientada por Ruy Vieira Nery e conceção plástica do pintor António Viana.
Ela passou despercebida e findou antes do tempo tal como a que ocorreu no Museu da Eletricidade, " O POVO".
Em plenos festejos do centenário, as exposições mais didáticas e menos maçudas para uma camada estudantil jovem, findaram....
A república continua a servir mal os seus cidadãos...
Qualquer destas exposições deixaram-nos óptimos catálogos que vale a pena procurar.
A partir de hoje, iniciarei aqui algo , que por puro deleite, vai dar umas dicas para esta forma de arte que seria tão portuguesa se não tivesse vindo do Norte de Africa e Brasil, segundo o nosso grande estudioso Ruy V. Nery.