quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Olhares...

"voyage au but de la nuit", de Nadir Afonso

«Espera por mim no além, eu não deixarei de ir ao teu encontro nesse côncavo vale».

E. A. Poe

Da Fundação Nadir Afonso

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sem palavras... Luís Góis teria que viajar um dia....


No silêncio da noite... a poesia



Li hoje quase duas páginas
Do livro de um poeta místico,
E ri como quem tem chorado muito.
Os poetas místicos são filósofos doentes,
E os filósofos são homens doidos.

Porque os poetas místicos dizem que as flores sentem
E dizem que as pedras têm alma
E que os rios têm êxtase ao luar.

Mas as flores, se sentissem, não eram flores,
Eram gente;
E se as pedras tivessem alma, eram coisas vivas, não eram pedras;
E se os rios tivessem êxtase ao luar,
Os rios seriam homens doentes. 
(...)

Por mim, escrevo a prosa dos meus versos
E fico contente,
Porque sei que compreendo a Natureza por fora;
E não compreendo por dentro,
Senão não era Natureza.

Fernando Pessoa
in, Ficções do Interlúdio
poemas publicados em vida

domingo, 16 de setembro de 2012

Momentos...

 
 Este é o "meu Rafael"... Tratamento dado aos nossos alunos. A posse.  Comemoração dos 25 anos da Revolução dos Cravos. Freguesia do Castelo. Onde estará hoje o Rafa???
"Este não à violência" , no dia de ontem, 15 de Setembro,  faz-me recuar ao 25 de Abril de 1974...
Hoje com homens e mulheres "desnudados ", belos como o sol que nos ilumina, partilham a revolta e a doçura.


Não somos de brandos costumes.... Somos assim.

Uma reflexão sobre a esperança e a mudança... Portugueses em 2030, que futuro?



" Mesmo que a terra fosse dentro de pouco tempo abalada por um choque celeste, viver para o outro, subordinar a personalidade à sociabilidade, não cessariam de constituir até ao fim o bem e o dever supremos."
Auguste Comte


Bom fim de semana...


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um premiozinho em tempo de crise... Bem bom...

Mar à vista... - Um espaço pleno de vivacidade e frescura por onde sentimos necessidade de passar diàriamente para refrescar a mente ! 


Ele veio de um blogue que eu desconhecia mas que passa também para vós.AQUI, NO PONTA DE ESQUERDA

Leituras breves...

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas
.

Sophia de Mello Breyner Andresen/Rafael de Penagos

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Para o dia de hoje... Um registo para a "eternidade"...


O antes e o depois de um café com história... em Coimbra




Ontem a vida transportou-me de uma forma especial até Coimbra.
"Sentei-me" na Brasileira, café  de referência, e pensei o querido amigo Joaquim Namorado. As estórias de vida que se viveram naquele espaço a preto e branco... Anos 70 para mim. 
 Depois passou a loja de roupa e hoje tentou regressar com um conceito que nada tem a ver com um passado que deveria ter sido preservado . Hoje vende bolos de noiva... e tomam-se uns cafezinhos como se estivéssemos a fazer parte de um casamento.
Joaquim que não era acanhado no linguajar, se cá voltasse, diria das suas que fariam corar as pedras da Rua Ferreira Borges.

TURISMO

A paisagem é bela,
cumpre o seu dever.

E os turistas mandando-a
em bilhetes postais à família,
cumprem o seu .

De Joaquim Namorado, in INCOMODIDADE

E tudo a propósito de uma certa despedida... e de poesia


Paulatinamente, vamos-nos despedindo da RTP2...
Esta noite e em repetição estivemos com Manuel António Pina.


Manuel António Pina - não apenas na qualidade de poeta mas também na cronista e na de autor de literatura para a infância - foi distinguido no ano passado com o prémio Camões e, com alguns dos seus livros há muito fora do mercado, impunha-se a edição da sua poesia completa, que chega agora no volume «Todas as Palavras». Um volume onde se torna claro o modo como a poesia de Manuel António Pina evoluiu numa busca permanente: «Falta-me uma palavra essencial, / um som perverso para morrer: um sonho».
Isto escrevia o poeta ainda nos anos 60. Agora, já em pleno século XXI, Manuel António Pina já não espera a «palavra essencial», nem que seja ela a ir à procura dele: «Não abras a porta, / se for o sublime diz que não estou, / já temos palavras demais»... 
(texto de junho de 2012, TSF)
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Amor como em casa


Regresso devagar ao teu 

sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no
amor como em casa.

de Ainda Não É O Fim Nem O Princípio Do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde(1974