segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Árvores e livros . Vida



As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas. 
E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras. 
As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas». 
É evidente que não podes plantar
no teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
basta um vaso de sardinheiras.


Herbário , de Jorge Sousa Braga , de Jorge Sousa Braga

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Não ando muito por aí, amigos blogueiros , mas de vez em quando venho até aqui ...



Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.

Orson Welles

Fotografias de Robert Doisneau, 1950

sábado, 5 de janeiro de 2019

Sophia faria hoje 100 anos . Programa do seu centenário


Sophia, " O Mar dos meus Olhos"


Para um dia como outro qualquer ... Hoje e sempre, as crianças

                                                                                                                           
As crianças são o Tempo de Haver .
Sua presença no mundo é de gritos e protesto. Mas, às vezes, adaptam-se e isso implica uma luta quase heróica e anónima que a maior parte ignora.
Alimentam os dias dos homens, mas elas próprias são o espelho da solidão.
Em ses olhos enormes e grandes, uma criança contempla o mundo e não o entende. Ouve palavras e as palavras são flechas que lhe perturbam o sonho em que se refugia para sobreviver.
Tudo nelas é inicial e puro: o riso e a violência, o sonho e as lágrimas.
Projectadas para o alto, são estrelas cadentes.

...
Uma criança espera, no mundo.
E que o mundo lhe devolva a esperança para sempre.
Que os homens, por um segundo em cada dia, suspendam seus deveres mais urgentes e pense na criança que espera. 
E lhe garantam a Paz.
E lutem pelo seu bem estar
E se envergonhem de ainda haver, sobre a abundância desnecessária de tantos, a sombra de milhares de crianças que sucubem da fome e da doença sem um vislumbre de ternura ou solução.
Que nós nos envergonhemos.
E que a dor não seja, nunca mais, como a solidão, uma palavra nos seus dias.
Que a CRIANÇA sorria ao mundo.
Que o mundo lhe conserve o sorriso.
Hoje. E para sempre.
   
De Matilde Rosa Araújo, Crónicas
O Tempo e Voz
Edição ITAU, s/d

Do livro da mesma autora, recolha de textos e poemas dos nossos queridos escritores e poetas de meados do séc. XX, A INFÂNCIA LEMBRADA,
Livros Horizonte, 1986


Um livro a que regresso sempre que me apetece sentir o amor ou desamor da vida de homens e mulheres que relembram a sua infância e relação com a Mãe. 

Como a vida não muda para tantas e tantas crianças no mundo. Matilde, era uma referência para nos professores do 1º ciclo. Ainda guardo um pequeno livro, comprado no ITAU, no Campo Grande, Infância Perdida.


Imagem de crianças jamaicanas 

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

O tempo diz adeus ao tempo ... Um outro tempo está a chegar . Um ano de 2019 bem sucedido

O Tempo
“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um individuo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez, com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante tudo vai ser diferente.
Para você, desejo o sonho realizado,
o amor esperado,
a esperança renovada.
Para você, desejo todas as cores desta vida,
todas as alegrias que puder sorrir,
todas as músicas que puder emocionar.
Para você, neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família seja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas…
Mas nada seria suficiente…
Então desejo apenas que você tenha muitos desejos,
desejos grandes.
E que eles possam mover você a cada minuto
ao rumo da sua felicidade.”
(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 29 de dezembro de 2018

A espuma dos meus dias ...




" A minha casa é profunda e ramosa. Tem recantos em que, depois de tanta ausência , gosto de me perder e saborear o regresso. No Jardim, cresceram matagais misteriosos e fragrâncias que eu desconhecia . O álamo que plantei ao fundo e era esbelto e quase invisível, é agora adulto, a sua casca tem rugas de sabedoria que sobem ao céu e se exprimem num tremor continuo de folhas novas na altura."
ODOR DO REGRESSO
Pablo Neruda, Nasci Para Nascer

O meu olhar numa tarde chuvosa e encoberta , em Serralves

sábado, 22 de dezembro de 2018

Os meus presentes de Natal .... Festas a vosso jeito




   Os meus presentes de Natal repetem-se a cada ano , pois Carl Larsson, aguarelista sueco do século XIX, representa para mim o movimento e a beleza da festa e do encontro.
   Larsson pintava crianças no seu dia a dia de uma forma romantizada. Também ilustrava livros para crianças. 
   Fiquem pois com o seu olhar e imaginação.
   Festas a vosso jeito .

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Pelos caminhos de Sintra onde tudo é natural









A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.~
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
- sei que não vou por aí!

José Régio, Cântico Negro

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Bom fim de semana

Pintura de Carl Larsson

Momentos de ouro....





  
 Há dois dias fui passear com o amado Gabriel a Lisboa.
  Não consigo descartar-me, e ainda bem, da minha vida de "prof" . O eterno prazer de passear com miúdos e mostra-lhes a vida e a arte, seja ela qual for.

Ontem, comboio, rio, castanhas assadas nas brasas, o prazer de as descascar, barcos, paquetes, frio, vento, ameaça de chuva ... Uma árvore na Praça do Comercio que não tinha luzinhas, mas uma Praça do Município com animado carrossel .
  Introdução aos eléctricos, antigos e modernos . Sem lhe contar que também se podem virar ... É bom omitir . Mas aconteceu hoje.
Rua do Arsenal, bem moderninha, quase sem transito . Esplanadas . Tempo de copo de leite e avó de imperial com um sonho...
Tempo de regresso, de comboio de novo, ao qual o petiz não achou piada ... Já tinha ido do Estoril ao Cais do Sodré , para quê de novo comboio ? E, aí, começou a chorar pela querida mamã...
Calou-se. Tenho os meus métodos em SOS,
Uma tarde feliz....