sexta-feira, 25 de outubro de 2019

No ventre de uma mãe ...



No ventre de uma mãe havia dois bébés. Um perguntou ao outro:
 - Você acredita na vida após o parto? O outro respondeu: 
-Claro que sim. Deve haver algo depois do nascimento. Talvez estejamos aqui para nos preparar para o que virá depois. 
"Que estupidez", diz o primeiro. "Não há vida após o parto. Que tipo de vida seria essa? O segundo diz:
 -Não sei, mas haverá mais luz do que aqui. Talvez possamos andar com nossas próprias pernas e comer com nossas bocas. Talvez tenhamos outros sentidos, que não podemos entender agora.
 O primeiro respondeu: Isso é um absurdo. Andar é impossível. E comer com a sua boca? Ridículo! O cordão umbilical nutre-nos e dá-nos tudo o que precisamos. O cordão umbilical é muito curto. A vida após o parto é impossível.
 O segundo insistiu: -Bem, acho que há algo e talvez seja diferente do que está aqui. Talvez não precisemos mais deste tubo físico.
 O primeiro respondeu: - Além disso, para ter realmente vida após o parto, então por é que ninguém nunca voltou de lá? O parto é o fim da vida e no pós-parto não há nada além do escuro, do silêncio e do esquecimento. Ele não nos levará a nenhum lugar.
 - Bem, eu não sei - disse o segundo - mas certamente vamos nos encontrar com a mãe e ela cuidará de nós.
 O primeiro respondeu: -A mãe? Você realmente acredita na mãe? Isso é ridículo. Se a mãe existe, então onde está ela agora? 
O segundo diz: -Ela está ao nosso redor. Estamos cercados por ela. Somos dela. É nela que vivemos. Sem ela, este mundo não seria nada e não poderia existir.
 O primeiro diz: -Bem, eu não posso vê-la, então, como é lógico, ela não existe.
 O segundo responde: - Às vezes, quando você está em silêncio, se se concentrar e realmente ouvir, você será capaz de perceber a sua presença e ouvir a sua voz amorosa lá em cima.
 Foi assim que um escritor húngaro explicou a existência de Deus..



Carmina Burana - La Fura dels Baus

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Coisas do sono... Está aí a mudança da hora, mas ainda para não ficar

Prémio Nobel da Literatura André Gide escreve sobre o sono numa das suas obras mais conhecidas, “Os Frutos da Terra”.
“Adquiri o hábito de dormir frente à minha janela  escancarada, como se estivesse ao relento. Nas noites demasiado quentes de Julho, dormi completamente nu ao luar; o canto dos melros despertava-me logo de manhãzinha; mergulhava na água fria e orgulhava-me por começar tão cedo a minha jornada. No Jura, a minha janela dava para um pequeno vale que em breve se encheu de neve; do meu leito, via a orla de um bosque; nele voavam corvos ou gralhas; de manhãzinha era acordado pelos pequenos sinos das manadas; perto de minha casa ficava a fonte onde os vaqueiros as levavam a beber. Lembro-me de tudo isso. Nos albergues da Bretanha, gostava de contacto com os lençóis rugosos com a roupa da barrela que cheirava tão bem. Em Belle-Isle, despertava com os cantos dos marinheiros; corria para a janela e via os barcos afastarem-se; depois descia até ao mar.
In Os Frutos da Terra, André Gide, Lisboa, 2007, Ambar   

domingo, 20 de outubro de 2019

Um cheirinho a Oliver Sacks ....

Mulher Sentada, Picasso
Depois de você ter esgotado o que há nos negócios, na política, no convívio, no amor e assim por diante – descobrimos que nenhum deles finalmente nos satisfaz tanto e nos usa permanentemente – o que resta? A natureza. Ela permanece para trazer para fora de seus recessos entorpecidos, as afinidades de um homem ou mulher com o ar livre, as árvores, os campos, as mudanças das estações – o sol de dia e as estrelas do céu à noite ”.

Oliver Sacks

Every Thing in your Palace, Oliver Sacks

sábado, 19 de outubro de 2019

“Não há tempo para o que não é essencial.”

O ensaio a seguir, traduzido de The New York Times, é um excerto do livro “Everything in Its Place”, uma coleção póstuma de escritos do falecido neurologista e escritor Oliver Sacks.
Como escritor, considero os jardins essenciais para o processo criativo; Como médico, levo meus pacientes a jardins sempre que possível. Todos nós tivemos a experiência de vagar por um exuberante jardim ou por um deserto atemporal, andando junto a um rio ou oceano, ou escalando uma montanha e nos sentindo simultaneamente calmos e revigorados, engajados na mente, refrescados em corpo e espírito. A importância desses estados fisiológicos na saúde individual e comunitária é fundamental e abrangente. Em 40 anos de prática médica, descobri que apenas dois tipos de “terapia” não farmacêuticas são de vital importância para pacientes com doenças neurológicas crónicas: a música e os jardins.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

"Mulherzinhas" do séc. XIX e Mulheres do séc. XX


Mulherzinhas representa “uma nova forma de olhar as mulheres e as possibilidades que se abrem para as elas na segunda metade do século XIX” nos EUA, diz ao Observador a escritora Ana Luísa Amaral.

(via Observador)

Séc. XXI, António Costa, põe em prática no seu novo governo, pela quantidade e qualidade o número de mulheres desejado e prometido.

Um dia , ainda se irá mais longe no mundo em que vivemos. Se as mulheres vingam nas universidades, no mundo do trabalhado e da liderança ,da investigação, o mundo será delas,  desde que não se queiram parecer com os homens. 

O mundo será mais equilibrado e sensível.  Por hoje, o meu  mundo é Portigal.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Crónicas sem género, apesar de escritas para mulheres tristes ...

   A única noite, disse alguém, é a da insónia, a noite passada em branco. Não se guarda memória das noites dormidas. Assim é o amor: o mais inolvidável é o que nunca foi.
   Como para a insónia, também para o esquecimento existem xaropes e mezinhas . Mas são ambos remédios sem discernimento. Uns far-te-ão dormir tanto (sem sonhos e sem sono), que será como morrer. Com os outros não esquecerás tudo, quer tenha sido excelente ou desagradável.
   Não te revelo, pois, as minhas beberagens para o sono e para o esquecimento. Possuem o mesmo efeito da cicuta.

Autor, Héctor Abad Facioooolince
Planta da cicuta

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Costumes saudáveis....

 

   É saudável costume deitares a língua de fora à tua imagem no espelho. Por um lado, é preciso rirmos diariamente um bocado de nós mesmos; e, além disso, aproveitas para dar uma vista de olhos à cor e consistência da língua. A língua é grande depositária de segredos, como órgão interno que temos cá fora. Como hás-de ler os sinais da língua? Ah, é um alfabeto obscuro, embora cada língua tenha o seu.  Conheceres-te a ti mesma não é mais não é mais que conheceres a tua língua: olha para ela, indaga nos seus montículos e seios, pensa no que farás neste dia de hoje com ela. Não sejas linguareira. Antes do mexerico, da mentira, da traição, morde-a três vezes :depois, se quiseres, podes soltá-la.


Do livro, Receitas de Amor para Mulheres Tristes, de Héctor Abad Faciolince

sábado, 5 de outubro de 2019

5 de Outubro de 1910 e a sua 1ª bandeira



Esta foi a bandeira içada no dia 5 de Outubro de 1910 na Câmara Municipal de Lisboa. E foi bordada pelas médicas Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo IMAGENS DO LIVRO “HERÓIS DO MAR - HISTÓRIA DOS SÍMBOLOS NACIONAIS”

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Gulbenkian e Sarah Affonso



"Esta exposição explora a relação entre a obra de Sarah Affonso e a arte popular do Minho. Muitas vezes recordada como a mulher de Almada Negreiros, pretende-se aqui evocar Sarah Affonso como uma artista modernista reconhecida com um percurso próprio, de notável qualidade."


Ao lado de um grande homem também está uma imensa mulher ...
Muitas vezes , Sarah recuava . Almada adorava "ser visto". 
Mas não podemos levar a mal . Era assim o tempo deles.
Mas será que ainda hoje no mundo artístico acontece este paradigma ?
Claro que sim.

Coisas do Outono que hoje começa

                                           Pintura de David Hockney


A palavra queda vem da palavra em inglês antigo feallan, que significa “ cair ou morrer”. Com o tempo, a frase foi reduzida para cair ... O uso da palavra queda caiu em desuso na Inglaterra. Hoje, o inglês americano usa a palavra queda , enquanto o inglês britânico usa o outono quase exclusivamente.