segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Para reabrir "conversinhas" em 2022



 Parca nas palavras mas não na imagem.

 E mais palavras para quê?

Rosa Carvalho (Lisboa1952) é uma pintora portuguesa, conhecida por reproduzir minuciosamente obras de pintores como François BoucherFrancisco de GoyaRembrandt e Diego Velasquez subtraindo das mesmas as figura femininas, presentes nas pinturas originais.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Mais uns pulinhos e estaremos em ...


 Ano novo

Lá bem – o alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas buzinas
Todos os tambores
Todos os reco-recos tocarem:
– Ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada – outra vez criança
E em torno dela indagará o povo:
– Como é o teu nome, meninazinha dos olhos verdes?
E ela lhes dirá
( É preciso dizer-lhes tudo de novo )
Ela lhes dirá bem alto, para que não se esqueçam:
– O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA …
Mário Quintana

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Presentes de Natal ( 1)


 Já são horas de ir para a mesa? Essa é uma das questões existenciais de Obélix, o carregador de menires e devorador de javalis que caiu no caldeirão de poção mágica quando era pequenino. E não lhe falem de obesidade, que se amofina.

O cão ambientalista Ideiafix passeia-se agora com um osso entre os dentes. É de noite e os javalis estão a fumegar, sobre aquela mesa corrida que imaginamos sempre posta. O banquete acontece ao ar livre na irredutível aldeia gaulesa, com o bardo amordaçado e afastado de cena. Como se quer. As histórias de Astérix e Obélix costumam terminar assim, com um banquete, nos livros de banda desenhada de René Goscinny.
“Embora seja difícil de acreditar, existem outras carnes além do javali. O carré de borrego, acompanhado de um molho com hortelã bem suave e aromática, ser-lhe-ia servido em todas as boas estalagens bretãs com um pouco de cerveja morna.”
Do que precisa
6 c. de sopa de azeite
1 c. de café de cominhos moídos
1 c. de café de gengibre moído
½ c. de café de sal
½ c. de café de pimenta-de-caiena
10 folhas e 1 molho de hortelã fresca
2 pedaços de carré de borrego
600 g de batatas
80 g de açúcar
20 cl de vinagre de sidra
Sal q.b
Como se faz
Aqueça o forno a 200 °C (termostato 6-7). Numa tigela, deite o azeite, os cominhos, o gengibre, o sal e a pimenta-de-caiena. Lave e pique uma dezena de folhas de hortelã, e adicione-as à tigela. Pincele generosamente com esta marinada os pedaços de borrego e disponha-os num tabuleiro. Deite metade da restante marinada sobre a carne e leve ao forno durante 30 a 35 minutos. Entretanto, prepare as batatas. Lave-as e seque-as. Corte-as ao meio e coloque-as na marinada que sobrou. Misture bem e disponha-as noutro tabuleiro.
Tempere com sal fino e leve ao forno durante 25 minutos. Para terminar, prepare o molho: lave o molho de hortelã. Separe as folhas dos caules. Pique as folhas e coloque-as num almofariz. Junte o açúcar e esmague tudo até obter uma pasta verde. Coloque esta pasta num tacho pequeno e adicione o vinagre. Leve ao lume até ferver, misturando bem e reserve. Empratamento: corte ao meio cada pedaço de carré, servindo uma metade a cada conviva. Acompanhe com as batatas assadas no forno e o molho de hortelã.
(fonte, REVISTA E, Expresso)

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Lido...


 “Já que temos de acreditar em algo que não se vê, eu sempre preferiria os milagres às bactérias”

Karl Kraus

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Centenário de José Saramago, "saramagando"

 E, por hoje, José Saramago

" Eu vos saúdo, raparigas e rapazes deste cansado mundo, que andais a passear flores em selvas de cimento armado
e florestas de anúncios luminosos! Comprometido entre o sonho e a vida, dou por mim a sofrer do mal da inveja nesta ilha
que sou, povoada de algumas rugas e não poucos cabelos brancos. Povoada também de uma imortal presença a que dou o nome de esperança, e às vezes de alegria."



Excerto de conto HIP, HIP, HIPPIES!, do livro DESTE MUNDO E DO OUTRO
Filme, A MAIOR FLOR DO MUNDO, José Saramago

domingo, 7 de novembro de 2021

Vamos lá então dar dois dedos de conversa...


 Chove. Começou o inverno.

Por aqui? Cada vez mais isto: silêncio, vontade de isolamento, árvores e montanha.

11.

Volto aos conselhos de um avô ao seu pequeno neto, o poema de Drummond de Andrade.
“Admito que amo nos vegetais a carga de silêncio, Luís Maurício.
Mas há que tentar o diálogo, quando a solidão é vício.” 

Excerto de cronica de M. Gonçalo Tavares, Revista E

Fotografia de Anamar (je)

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Porque 18/10 se tornou num dia especial ?


 



Porque há 43 anos fui mãe . Esta ideia de superioridade só se atinge quando chegamos ao topo da carreira, o ser-se avó. E sou.

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E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos . E por vezes ...

David Mourão Ferreira, E por vezes 

 

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Finalmente, azul...



Azul, cor, significa tranquilidade, serenidade, harmonia e espiritualidade, mas também está associada à depressão. Simboliza a água, o céu e o infinito

Video do filme Azul com Juliette Binoche
Imagem, Yves Klein, "blue Klein"

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

E não consigo sair do cor-de-rosa ...

 

                                                       Pintura de Henri Matisse



Um destes dias será

Eu, que nem da dita cor gosto. 

Boa semana a quem vai passando.

domingo, 10 de outubro de 2021

Quando não há cão ...


 “Na Tailândia, táxis parados servem para cultivar alimentos”, eis o título.

O final da pandemia está apenas no início, poderia alguém dizer.
A notícia esclarece: “Num estacionamento da capital tailandesa, Banguecoque, há vegetais a brotar dos tejadilhos dos táxis.”
Quando ninguém se movimenta na cidade, os meios de transporte deixam de ser de transporte e passam a ser imóveis que não se podem arrendar (pese embora, em algumas cidades, o carro parado alugar-se mesmo, como desesperado alojamento no inverno).
O aparecimento de vilas temporárias onde cadáveres temporários de automóveis permanecem esperançados, mas quietos, multiplicou-se em alguns pontos do mundo. A Tailândia não é caso único.
“As restrições da pandemia na Tailândia deixaram o país sem turistas e os motoristas sem trabalho, com os carros parados num autêntico cemitério de táxis.” Inúteis, mas não avariados: talvez por isso a ressurreição seja mais simples. Não se trata de resgatar o morto para outro estado, quase oposto — basta dar-lhe utilidade.
De qualquer maneira, os cemitérios de objectos feitos para a pura deslocação — mesmo que não avariados em definitivo — atiram a nostalgia em dois sentidos: tristeza pelo que passou, tristeza pelo que aí vem. Podem os objectos inanimados estar ansiosos? Sim, é a resposta.
Uma fotografia de um ponto de vista aéreo (quem subiu lá acima?) mostra o tejadilho de vários táxis de Banguecoque cobertos por um plástico onde um bocado de terra permite que alguns alimentos futuros ali tenham o seu aparecimento.
A tragédia vem, em muitos países pobres, em forma de ready-made mais que necessário, urgente. E a pobreza sempre se defendeu assim: ligando elementos do mundo que o bem-estar por norma separa. Um carro não é um campo de cultivo enquanto o desespero não é desespero.
Diz a notícia que foi a empresa “Ratchaphruek Taxi Cooperative” que decidiu “usar o tecto dos veículos para criar pequenas hortas que esperam poder ajudar na alimentação dos taxistas desempregados.”
Os taxistas plantaram, no tejadilho dos seus táxis, “pimenta, pepino e curgete.” A ansiedade deve estar no meio da terra, revolvida para passar despercebida — na fotografia, vista de cima, não se vê.

Gonçalo M. Tavares

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Memórias


 Esta semana morreu o “inventor do computador doméstico ZX Spectrum”, Clive Sinclair.

A sua filha deu a notícia.
Inventou a calculadora de bolso. Gostava de invenções pequenas e baratas, dizem os que conviveram com ele.
O novo deve ocupar pouco espaço. Clive Sinclair já o pressentia.
O volume e o ruído já não são elementos a elogiar.
As tecnologias não querem ocupar espaço exterior, metro quadrado ou cúbico. Trata-se, sim, agora, de ocupar a cabeça humana, as várias cabeças humanas — como se estas fossem o espaço concreto a ser invadido.
A geografia já está. Não há metro quadrado que não possa ser filmado.
A tecnologia avança, então, para a ocupação da biologia, não da geografia.
Uma coisa nova de grandes dimensões é uma coisa nova à maneira antiga.
Continuam a fazer-se torres bem altas, com tecnologia moderníssima, mas com pensamento desactualizado, que terminou no século XX ou, mais precisamente, com a tragédia do 11 de Setembro.
A queda das torres gémeas como sinal em forma de fogo do fim de uma forma de pensamento.
O pequeno ZX Spectrum, de Clive Sinclair, já o anunciava, de modo mais tímido. O novo, agora, no século XXI, quando aparece, não ocupa espaço nem faz ruído.
Mas como é que se aparece sem ruído nem ocupação de espaço?
Estranho, sim. É um aparecimento que se assemelha a um desaparecimento. Não se vê nem se ouve. Daí o perigo.
O que é silencioso e não ocupa espaço pode ser imortal. Tudo o que ocupa espaço pode ser destruído.

Gonçalo M. Tavares 

Revista E , Expresso de 2o21/09/24


sexta-feira, 10 de setembro de 2021

O meu Presidente de eleição, partiu

https://estatuadesal.com/2021/09/10/jorge-sampaio-um-cidadao-do-mundo/ 

Não creio que haja muito sucessores deste senhor brando e educado que conseguia ser de uma teimosia e de uma firmeza argumentativa inabaláveis quando se tratava da substância do diálogo e da certeza de que temos de fazer tudo o que é possível para tornar este mundo mais pacífico, seguro, justo e igual. E livre. Ele fez.