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A mostrar mensagens de Julho 4, 2017

PARA NASCER, POUCA TERRA; PARA MORRER, TODA A TERRA ( Alexandre O´Neill ) (1)

Em Portugal, nunca deixamos cair um objecto: ele é que nos escapa das mãos. E, claro, a culpa não é nossa. Aliás, neste país vale tudo no jogo das relações entre as pessoas , menos ter culpa. Ou, melhor dizendo, da culpabilização fazemos nós uma arma. De um modo geral, podemos afirmar que , dentre as várias maneiras de  dividir a sociedade, uma delas é em culpados e não culpados. De quê, não se sabe bem. Pode nascer-se culpado sem que forçosamente se acredite no pecado original; è admissível que se morra sem culpa, apenas porque sim.
«A culpa não foi minha!», dirá a empregada doméstica ou a criança olhando para os cacos do prato que lhe escapou das mãos. E, provavelmente, tanto a criança como a empregada doméstica terão razão... É que tudo traz consigo uma espécie de fatalidade: o «destino» de um objecto pode extinguir-se nas nossas mãos porque assim estava determinado, predeterminado. O respeito que se tem por um criminoso «de morte», quando o crime dele é passional e não crapuloso, e…