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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

O escritor norte-americano, Paul Auster, tem como protagonista do seu livro “Homem na escuridão”, August Brill, um crítico literário de 72 anos, que sofre de insónias.
“Sozinho na escuridão, revolvo o mundo na minha cabeça enquanto me debato com mais uma insónia, com mais uma noite em branco na imensidão da natureza selvagem da América (…)  A noite ainda é uma criança e, enquanto para aqui estou deitado na cama, perscrutando a escuridão, uma escuridão tão negra que nem consigo ver o tecto, ponho-me a recordar a história que comecei a noite passada. É o que eu faço quando o sono se recusa a vir. Deixo-me ficar deitado na cama e conto-me histórias. Podem não ser nada de especial, mas, enquanto estou dentro delas, impedem-me de pensar nas coisas que preferiria esquecer. No entanto, a concentração pode ser um problema e, a maior parte das vezes, a minha mente afasta-se da história que estou a tentar contar e regressa às coisas em que não quero pensar. Não há nada a fazer. Falho vezes sem conta, os fracassos são mais frequentes do que os êxitos, mas isso não quer dizer que eu não me esforce, e muito, para contrariar essa tendência”
in Homem na Escuridão, Paul Auster, Lisboa, 2008
Lido na revista online Isleep

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Coisas do sono... Está aí a mudança da hora, mas ainda para não ficar

Prémio Nobel da Literatura André Gide escreve sobre o sono numa das suas obras mais conhecidas, “Os Frutos da Terra”.
“Adquiri o hábito de dormir frente à minha janela  escancarada, como se estivesse ao relento. Nas noites demasiado quentes de Julho, dormi completamente nu ao luar; o canto dos melros despertava-me logo de manhãzinha; mergulhava na água fria e orgulhava-me por começar tão cedo a minha jornada. No Jura, a minha janela dava para um pequeno vale que em breve se encheu de neve; do meu leito, via a orla de um bosque; nele voavam corvos ou gralhas; de manhãzinha era acordado pelos pequenos sinos das manadas; perto de minha casa ficava a fonte onde os vaqueiros as levavam a beber. Lembro-me de tudo isso. Nos albergues da Bretanha, gostava de contacto com os lençóis rugosos com a roupa da barrela que cheirava tão bem. Em Belle-Isle, despertava com os cantos dos marinheiros; corria para a janela e via os barcos afastarem-se; depois descia até ao mar.
In Os Frutos da Terra, André Gide, Lisboa, 2007, Ambar   

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Coisas do sono e da insónia ...

José Saramago fala do sono e da insónia pela voz de uma das personagens do romance "Objecto Quase": "Acordou com a sensação aguda de um sonho degolado e viu diante de si a chapa cinzenta e gelada da vidraça, o olho esquadrado da madrugada que entrava, lívido, cortado em cruz e escorrente de transpiração condensada. Pensou que a mulher se esquecera de correr o cortinado ao deitar-se, e aborreceu-se: se não conseguisse voltar a adormecer já, acabaria por ter o dia estragado. Faltou-lhe porém o ânimo para levantar-se, para tapar a janela: preferiu cobrir a cara com o lençol e virar-se para a mulher que dormia, refugiar-se no calor dela e no cheiro dos seus cabelos libertos. Esteve ainda uns minutos à espera, inquieto, a temer a espertina matinal. Mas depois acudiu- -lhe a ideia do casulo morno que era a cama e a presença labiríntica do corpo a que se encostava, e, quase a deslizar num círculo lento de imagens sensuais, tornou a cair no sono. O olho cinzento da vidraça foi-se azulando aos poucos, fitando fixo as duas cabeças pousadas na cama, como restos esquecidos de uma mudança para outra casa ou para outro mundo. Quando o despertador tocou, passadas duas horas, o quarto estava claro.
Disse à mulher que não se levantasse, que aproveitasse um pouco mais da manhã, e escorregou para o ar frio, para a humidade indefinível das paredes, dos puxadores das portas, das toalhas da casa de banho. Fumou o primeiro cigarro enquanto se barbeava e o segundo com o café, que entretanto aquecera. Tossiu como todas as manhãs. Depois vestiu-se às apalpadelas, sem acender a luz do quarto. Não queria acordar a mulher. Um cheiro fresco de água-de-colónia avivou a penumbra, e isso fez que a mulher suspirasse de prazer quando o marido se debruçou na cama para lhe beijar os olhos fechados. E ele sussurrou que não viria almoçar a casa.
 in Objecto Quase, José Saramago, Porto Editora,  2015 


Lido na revista on line, Isleep , também no FB

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Coisas dos sono...

O poeta e escritor José Gomes Ferreira descreve várias insónias no seu diário, de forma crua ou irónica:
“Uma noite terrível sem dormir-enervadíssimo.
Porquê?
A pensar”
30 de setembro de 1969
“Noite de insónia?
(Dormi como um porco)”
7 de Novembro de 1969

Da revista online, iSleep, também no FB