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sábado, 14 de julho de 2018
terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
terça-feira, 4 de julho de 2017
PARA NASCER, POUCA TERRA; PARA MORRER, TODA A TERRA ( Alexandre O´Neill ) (1)
Em Portugal, nunca deixamos cair um objecto: ele é que nos escapa das mãos. E, claro, a culpa não é nossa. Aliás, neste país vale tudo no jogo das relações entre as pessoas , menos ter culpa. Ou, melhor dizendo, da culpabilização fazemos nós uma arma. De um modo geral, podemos afirmar que , dentre as várias maneiras de dividir a sociedade, uma delas é em culpados e não culpados. De quê, não se sabe bem. Pode nascer-se culpado sem que forçosamente se acredite no pecado original; è admissível que se morra sem culpa, apenas porque sim.
«A culpa não foi minha!», dirá a empregada doméstica ou a criança olhando para os cacos do prato que lhe escapou das mãos. E, provavelmente, tanto a criança como a empregada doméstica terão razão... É que tudo traz consigo uma espécie de fatalidade: o «destino» de um objecto pode extinguir-se nas nossas mãos porque assim estava determinado, predeterminado. O respeito que se tem por um criminoso «de morte», quando o crime dele é passional e não crapuloso, enraiza na mesma crença obscura.
A gestação do medo, através desse complicado caminho de culpa e não culpa, começa no leite que se mama. Os telhados portugueses não têm só antenas de TV. Têm, ainda têm, sob formas tradicionais ou formas de banda desenhada, os papões que vêm inquietar o sono dos meninos:
Chó!Chó! Papão
sai de cima do telhado,
deixa o menino dormir
seu soninho descansado
E a verdade é que este papão - o culpabilizador por excelencia - se corporizou durante cinquenta anos, para o comum dos portugueses, na polícia que a todo o momento podia irromper por uma casa e levar este ou aquele para lhe espremer culpas ou, depois, apresentar-lhe desculpas ....
....
(continua)
Crónica do livro, JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU, ALEXANDRE Ó NEILL (compilação póstuma)
«A culpa não foi minha!», dirá a empregada doméstica ou a criança olhando para os cacos do prato que lhe escapou das mãos. E, provavelmente, tanto a criança como a empregada doméstica terão razão... É que tudo traz consigo uma espécie de fatalidade: o «destino» de um objecto pode extinguir-se nas nossas mãos porque assim estava determinado, predeterminado. O respeito que se tem por um criminoso «de morte», quando o crime dele é passional e não crapuloso, enraiza na mesma crença obscura.
A gestação do medo, através desse complicado caminho de culpa e não culpa, começa no leite que se mama. Os telhados portugueses não têm só antenas de TV. Têm, ainda têm, sob formas tradicionais ou formas de banda desenhada, os papões que vêm inquietar o sono dos meninos:
Chó!Chó! Papão
sai de cima do telhado,
deixa o menino dormir
seu soninho descansado
E a verdade é que este papão - o culpabilizador por excelencia - se corporizou durante cinquenta anos, para o comum dos portugueses, na polícia que a todo o momento podia irromper por uma casa e levar este ou aquele para lhe espremer culpas ou, depois, apresentar-lhe desculpas ....
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(continua)
Crónica do livro, JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU, ALEXANDRE Ó NEILL (compilação póstuma)
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quinta-feira, 1 de junho de 2017
O significado de "chapada ou bofetada de luva branca " ...
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| As minhas fotografias |
A expressão mais conhecida é «bofetada de luva branca» ou «bofetada de luva de pelica», que significa «resposta delicada, apropriada a uma ofensa» (Orlando Neves, Dicionário das Expressões Correntes, Lisboa, Ed. Notícias, 1999).
É uma expressão usada com bastante frequência como elogio a alguém que tem a arte de ser subtil (mas assertivo) na resposta a algo desagradável que sofreu, de que foi vítima. Trata-se, portanto, de uma expressão metafórica e, simultaneamente, irónica, em que se procura traduzir a ideia de uma situação em que sobressai a inteligência e a subtileza do atingido como forma de retribuir ou responder a uma agressão. Com este ato, a vítima ultrapassa o seu agressor, não respondendo da mesma maneira, não se exaltando, nem enervando. A sua superioridade é evidenciada pelo seu sangue-frio, pelo distanciamento a que se impôs para não descer ao nível do outro.
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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
muros com vista de mar....
Desta janela de ar e ansiedade
podemos ver compor-se a primavera
lentamente por cima das casas
podemos ver compor-se a primavera
lentamente por cima das casas
Gastão Cruz
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017
E porque o caminho se faz caminhando, calorosamente, fui lanchar à Versailles...
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| As minhas fotografias (exposição de rua, Av. Duque d' Avila ) |
MEDITAÇÃO NA PASTELARIA
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa-educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte...
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
Alexandre O´Neill
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sábado, 14 de janeiro de 2017
Muros e para além deles . Hoje, dou-te um poema .
Cerca de Grandes Muros Quem te Sonhas
Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.
Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim com lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.
Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és -
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...
Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.
Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim com lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.
Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és -
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...
Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'
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sábado, 7 de janeiro de 2017
domingo, 6 de março de 2016
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
. O que um escritor nos dá não são livros. O que ele nos dá, por via da escrita, é um mundo. Mia Couto
«Cartas a Sandra» representa um hino ao amor numa toada filosófica que abre ao leitor perspectivas muito interessantes sobre o tema e a muitos outros que com este se relacionam - amizade, ciume, sexo, e tudo o mais que concerne às coisa do Amor.Li este livro, em 1996, Maio. Li de uma assentada, antecedido de" Para Sempre. "A 5 de Maio desse ano morre o meu pai. A 8 a 9 ofereci o livro a minha mãe, pelo amor tão belo que sempre os vi viver. Ele tinha 71 anos, a minha mãe fará 88 na próxima quinta feira. A solidão não é palavra que se lhe encaixe, sempre bem acompanhada ou com ela própria. E, eu não parti como a Xana.
Excerto
Julgo, aliás, que o amor, não bem o erotismo, foi por fim uma espécie de Valor que lhe redimia a vida inteira, ou, como ele dizia, qualquer coisa em que pudesse repousar a cabeça. Num tempo em que nada valia nada, surgia-lhe assim, sobretudo no fim da vida, uma forma de a justificar, como outros a redimem com a agitação política ou mesmo desportiva, que eram, segundo ele, um modo menor de a si mesmos se iludirem.(...) O amor é tão monótono, querida. Porque ele é o cimo sensível de uma imensidade de coisas que se esqueceram. Como falar desse mínimo que é o vértice de todo um mundo que o sustenta? Falar de nada, que é o todo nele? Sandra. Podia dizer o teu nome infinitamente na multiplicação do que nele me ressoa. E é assim o que mais me apetece, dizê-lo dizê-lo. E ouvir nele o maravilhoso que me abala todo o ser. Poderia escrever o teu nome ao longo do que escrevo e teria talvez dito tudo. Mas eu quero desse tudo dizer também o que aí se oculta. Dizer o meu enlevo e a razão de ele me existir. As tuas mãos nas minhas. O incrível miraculoso de eu dizer o teu rosto. O ardor de um meu dedo na tua pele. Na tua boca. O terrível dos meus dedos nos teus cabelos. O prazer horrível até à morte da minha entrada no teu corpo.
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Virgilio Ferreira
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
há que procurar ver a justa razão das coisas, causa /efeito
Não há desgraça absoluta debaixo do céu. Todos somos infelizes, quando olhamos a medalha por uma só das faces.
Camilo C. Branco
Camilo C. Branco
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
formas de olhar..
Espreitar, não é pecar. Pecar, é devassar o que se espreita. E, como o "coiso", fora de questão o arrependimento. Porque estão sempre certos e nunca se enganam.
Vida.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
vida para além da "morte"....
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
olhares. .terras do Barroso, Tourém
Poema da Lavadeira
Lava, lava, lavadeira,
Com a alma, com a mão.
Água canta na torneira
Sua líquida canção.
Lava, lava, lavadeira,
Sem descanso, sem razão.
Sua história verdadeira
Escreve-se com sabão.
Água canta na torneira
Sua líquida canção,
Lava, lava, lavadeira,
Com a alma, com a mão.
A manhã é transparente,
Brilha o sol com seu calor.
Tanto sonho de repente
Misturado com suor.
Lava, lava, lavadeira,
Sua roupa-ganha-pão,
Você tem a vida inteira,
Pra cumprir sua missão.
Cícero Alvernaz
Poema tirado do blogue ATRIUM MEMÓRIA, ASSOCIAÇÃO CULTURAL.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Leituras breves... "escrito na pedra"
sábado, 8 de agosto de 2015
0lhares . Os meus.
Pelo mar caminho
sem nunca te perder de vista.
Paro, escuto e olho.
No teu lugar, só o silêncio e o vazio.
Haverá uma outra maré, uma nova maresia
Mas o vazio ficou.
sem nunca te perder de vista.
Paro, escuto e olho.
No teu lugar, só o silêncio e o vazio.
Haverá uma outra maré, uma nova maresia
Mas o vazio ficou.
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