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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Olhares.... (desta , para o passarinho...)

De tudo me lembro, menos do fotógrafo .
Sei que por aí num canto de qualquer álbum tenho fotografia(s) tirada(s) em cima do cavalinho de pasta de papel.
Era assim nas praias de Portugal, neste caso Figueira da Foz, mas hoje em dia eles continuam a surgir de forma revivalista.
Também  era bonita a cidade no principio e meados do séc. XX . A nossa Biarritz  portuguesa que o mau gosto que assolou a cidade fez questão de destruir. 
Há vestigios.

(foto surripiada a Fernando Curado , via FB, um divulgador da Figueira da Foz antiga)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

"Se bem me lembro...." , hoje é o dia de adeus aos seus" oitentas"...

   ... a caminho dos 90.
São os anos da minha Mãe, nascida na Figueira da Foz, há 89 anos.
Como atesta a elaborada pesquisa feita pela nossa prima dilecta, Isabel Helena, grafada em livro comemorativo, muita coisa aconteceu na região e no mundo, nos idos de 28 do século passado.


Para a Mãe/Avó/Bisavó Anita,  com parte da sua vida passada na Biblioteca Municipal da Figueira,  um espaço de eleição, de elites e eleitos pelo prazer da leitura,  aqui fica em jeito de festejo, uma crónica do  nosso querido Professor  Vitorino Nemésio , representativa da época e não muito diferente da de hoje.

"Vou no meu quarto ano de Figueira. Isto é um curso: no primeiro ano nem se conhecem condiscípulos, que são os outros banhistas. No segundo já há relações - não muitas, porque as disciplinas são absorventes e variadas: escolher banheiro, mercearia, farmácia para a pomada contra as queimaduras do sol e alguma tintura de iodo, conhecer as manhas da porta da casa alugada (uma ciência), etc. Até que, no terceiro, saudados logo à chegada pelo banheiro, pelo merceeiro, pelo rapaz do pão que nos dá o inútil bilhete de visita segurando o guiador da bicicleta, estamos quási formados (...)

Não me formei propriamente em Figueira da Foz (nome de Faculdade) mas em Palheiros, Universidade de Buarcos.(...) estudar o regime das nortadas, a psicologia das mulheres que vendem peixe e que nos saturam de sardinha, as laparotinhas que descem ao povoado com o cesto da fruta ou do feijão. 

(...) O Dr. Oceano é na verdade a pessoa mais importante da Figueira. Emquanto gizo êste artigo êle muge atrás de mim. O crescente da lua estampa-se no céu. Abaixo uma esteira de luz, para cá, na areia, ondas que se desdobram como grupos de quatro atiradores deitados, que na carreira de tiro, à voz de 'fogo!' disparam ao alvo certo. 

(...) No resto a Figueira é trivial e adorável como um híbrido de praia mundana e cidade de pequenos armadores. O turismo apregoa a parte confortável, recreativa e fresca do simpático produto, e tem para isso as razões especiais de todo o turismo moderno: boa esplanada, praia de aro imponente, casinos e cafés populosos, um delicioso ténnis instalado com muito gosto num forte abandonado das bombardas. Eu apego-me mais à Figueira de todo o ano, morta no Bairro Novo (...). 

Não sei se êste interesse pela Figueira de inverno me veio de um romance de João Gaspar Simões, Amores Infelizes, em que a alma burguesa da cidade diz uma parte importante daquilo que tem a dizer."

por Vitorino Nemésioin Diário de Lisboa - "A Banhos", 7 de Setembro de 1935.

domingo, 3 de julho de 2016

Camilo de Oliveira... 1924-2016 . Boas memórias tenho....

Teatro Caras Direitas, Buarcos, Figueira da Foz, fundado pela avó de Camilo de Oliveira, que nos deixou hoje depois de 91 anos bem vividos . 
Eu não sabia que Camilo tinha nascido na Figueira, mas sei que as minhas primeiras memórias de Teatro, são da Companhia de Teatro Rafael de Oliveira, companhia itinerante, que se instalava por meses na Figueira . Teatro e outras variedades. 
Hoje fiquei mais rica por saber que estou ligada por naturalidade e não só , a uma figura importante do teatro e da comédia portuguesa.
Bem Hajas, Camilo de Oliveira. Aqui

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Aquele mar...

AQUELE MAR

Aquele mar da minha infância,
bom camarada e meu irmão
a sua voz, o seu olor, sua fragrância
tanto os ouvi e respirei
que trago em mim o seu largo ritmo,
seu ritmo forte,
como se as praias onde espuma
quase me fossem
praias sem fim dentro de mim
ocultas praias, largas praias
do tumultuoso coração…
Aquele mar
meu confidente de horas idas
tudo escutava e adivinhava
do meu pueril e ingénuo anseio.
Nada sonhei que o não dissesse
– frémito de alma, grito ou prece –,
às madrugadas e aos poentes,
ao sol, às nuvens, ao luar,
ora nascendo, ora morrendo
nos longos, longos horizontes
em que se perdia o meu olhar…
Aquele mar
na calma azul, no temporal,
nunca mentia: era um só beijo,
hálito puro, largo harpejo
que me entendia e respondia
no seu inquieto marulhar…
Moço e menino, solitário,
rochas, falésias, areais
eu coroava-os de alegria
nos meus passeios matinais.
Ou nalgum barco pescador,
velas abrindo a todo o pano,
do oceano então era senhor,
largava a escota, navegava,
no vão desejo de aventuras,
que não chegava a realizar…
Mas era meu, e eu pertencia-lhe,
àquele mar,
era seu filho, escravo e dono,
sorria à sua Primavera,
amava a luz do seu Outono,
o vivo lume dos estios
a violência dos Invernos
longos clamores de temporais.
Aflito voo das gaivotas
junto das negras penedias,
também como ele me perdias,
nas tardes tristes e sombrias,
na bruma gélida das noites…
E a eternidade então ouvia
humano sonho sempre esquecido
na eterna voz que fala o mar.




NOTA: Edição de “Mar Alto” – Figueira da Foz,

1 de Junho de 1969, no dia da Festa da Cidade ao poeta. (que era figueirense)

domingo, 30 de agosto de 2015

"vai-te embora ó mês de agosto"...

"Encenação complicada demais para um ovo estrelado", 2010
Pinturas de Carlos Carreiro em exposição no Centro de Artes da Figueira da Foz.

"vai-te embora ó mês de agosto" era uma expressão muito cá de casa, dita pelo meu pai, quando havia alguma contrariedade. Mas a expressão ultrapassava as nossas paredes, era por aqui recorrente. 
Vim a saber através das leituras de Raul Brandão , que considerava as pessoas da Figueira pouco hospitaleiras e arrogantes para com os veraneantes , por lhes ocuparem os espaços.... Então, estavam desejosos pelo fim do mês de agosto para os ver pelas costas. E não deixou de ter razão...
Não deixa de ser estranho, pois figueirenses há que continuam a pensar da mesma maneira, esquecendo que o turismo já foi a grande fonte de receita da cidade através do turismo e turistas. 
Os tempos são outros, a praia já não é o que era, apesar de alternativas de linha de costa, já poucos gozam um mês de férias para poder alugar casas, que noutros tempos as receitas faziam a tal "almofadada conforto" para o inverno,  as vias de comunicação levam também a que as pessoas façam praia e retornem as suas casas.
Digo "vai-te embora ó mês de agosto", porque gosto do setembro. E, nele vou entrar,  na praia da Claridade, se o tempo me deixar.

-

segunda-feira, 15 de junho de 2015

dizia-me sempre, "gosto tanto de ti, Ana"...

As "selfies" dos anos 60 , ou como sobras de fotografias a tirar para o BI ou para qualquer outro documento,  ou porque fazia parte do ritual fazer uma foto por ano, em que havia uma foto postal acoplada com meia dúzia de fotografias podiam eternizar,  ou não,  uma amizade. Um luxo.
O que restava, oferecíamos à família ou aos amigos do coração.
 Não éramos "oferecidas/os", como o somos hoje, quem o é, nas redes sociais ou no nosso pudico "voyeurismo"".. .
Isto vem a propósito de um dia triste que me vai fazer ir até Lisboa à Igreja de S. João de Deus. 
A Gigi deixou-nos esta noite.
A Gi, era uma grande amiga de infância e pré adolescência que partiu da Figueira da Foz aos 14 anos  para continuar a sua vida em Lisboa. Até ontem.
Estivemos anos sem nos vermos, anos que não me lembrei dela, a não ser quando mexia na caixinha das fotografias do tempo de liceu, que nos oferecíamos com promessas de amizade eterna ou  que jamais o nosso nome entrasse nas trevas do esquecimento , ou quando passava à porta da casa onde viveu.
Há uns 4 ou 5 anos, por um acaso, numa inauguração de uma exposição, uma mulher bonita de olhos verdes aproximou-se de mim, e perguntou se eu não era a Ana ... . Afirmei-me como tal, mas não a reconheci logo, a não ser quando os seus olhos e o olhar fizeram luz na minha "treva". 
Agarramo-nos uma outra, chorámos, rimos, tendo por momentos a assistência colado os olhos em nós a observar a grande obra de arte , que é o reencontro da AMIZADE. 
Mas... no meio disto tudo, e o que mais impressão me causou, é que eu não sabia que tinha sido tão importante na vida da Gi no período em que nos estimamos, desabafamos, entre lágrimas, muitas vezes, ou em gargalhadas muito vivas, que também as sabia dar. Confissão espontânea.
Encontramo-nos algumas vezes em Alvalade em longas horas de conversa e de pôr as nossas vidas em dia.
Adoeceu. Refugiou-se um pouco. Esperei que me chamasse. 
Tardou. Falamos por SMS dia 18 de Maio dia dos seus anos.
Procurei-a na sexta -feira . Internada. Iria visitá-la hoje. 
Ás 9 00h o telefone tocou , com o seu marido Jorge a dizer-me que a visita teria que ser num outro local se eu o desejasse. 
E, aí vou eu. Contrariada. Não era este espaço que eu desejava...
Só um apontamento. A Gigi e o marido Jorge eram melómanos." Mahlerianos" confessos e praticantes. Por isso aqui fica algo mais em sua homenagem e com a certeza de que o seu nome , carinho e olhos não entrarão" nas trevas do esquecimento".

sábado, 23 de maio de 2015

Olhares seguidos de leitura breve. Bom fim der semana


Poema à Mãe

No mais fundo de ti, 
eu sei que traí, mãe 

Tudo porque já não sou 
o retrato adormecido 
no fundo dos teus olhos. 

Tudo porque tu ignoras 
que há leitos onde o frio não se demora 
e noites rumorosas de águas matinais. 

Por isso, às vezes, as palavras que te digo 
são duras, mãe, 
e o nosso amor é infeliz. 

Tudo porque perdi as rosas brancas 
que apertava junto ao coração 
no retrato da moldura. 

Se soubesses como ainda amo as rosas, 
talvez não enchesses as horas de pesadelos. 

Mas tu esqueceste muita coisa; 
esqueceste que as minhas pernas cresceram, 
que todo o meu corpo cresceu, 
e até o meu coração 
ficou enorme, mãe! 

Olha — queres ouvir-me? — 
às vezes ainda sou o menino 
que adormeceu nos teus olhos; 

ainda aperto contra o coração 
rosas tão brancas 
como as que tens na moldura; 

ainda oiço a tua voz: 
          Era uma vez uma princesa 
          no meio de um laranjal...
 

Mas — tu sabes — a noite é enorme, 
e todo o meu corpo cresceu. 
Eu saí da moldura, 
dei às aves os meus olhos a beber, 

Não me esqueci de nada, mãe. 
Guardo a tua voz dentro de mim. 
E deixo-te as rosas. 

Boa noite. Eu vou com as aves. 

Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro" 
/
 

domingo, 29 de março de 2015

UMA CRIANÇA DISSE - Herberto Helder (2)

(...) 
 As orelhas das crianças servem para as pedras serem pedras que ouvem. Pedras plurais.
  Os livros com crianças delirantes, as paisagens na voz.
   Crianças são as letras antigas com que se escreve a única palavra insuportavelmente viva. 

Uma criança disse: "Olha a minha sombra natural exactamente branca".
   A mesma: "Era um campo decisivo, assim como uma casa cheia de lobos." E contou a seguir uma história em que tudo tinha a cor verde, desde as pessoas aos animais e objectos. O próprio ar era verde.
As crianças são uma verdade impraticável.
As crianças começam a construir, tijolo a tijolo, suas mães monumentais. Depois partem para os pensamentos como para uma ascendente morte e aos degraus.
  Uma criança disse: "Dá-me aquele ramo de estrelas maduras". 
  A solidão que traspassa uma criança imóvel é uma luz insuportavelmente branca.
  Às vezes as crianças não falam quando estão dentro do silêncio.

As crianças falam até ao fim de cada palavra.
A morte das crianças é uma fogueira ao lado direito de Deus, fogueira onde Deus aquece as mãos.
Aprenderei no sono as submersas crianças mudas, envoltas no sangue.
Uma pedra sob a luz infantil. E a palavra Pedra treme de terror.
A vida das crianças reforma os meses que sonham os meses. Elas entram nos meses e envenenam-lhes o espírito dos meses. E os meses rolam, cantadores, para dentro de uma terrível eternidade.
As crianças alimentam a solidão da terra.
A existência das crianças cresce contra roseiras azuis, e toma seu azul, e fala depois esse obscuro idioma do azul
As crianças param no meio das folhas. Destroem o jardim numérico.
As crianças ultrapassam a idade que as ultrapassa a elas.

As crianças são o instante onde as liras e os dedos são uma única rosa.

Poesia
Plátano Editora
Lisboa, 1973
in, A infância lembrada, recolha de Matilde Rosa Araújo(Livros Horizonte)

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

o Pedro, o "DIÁRIO de um QUIOSQUE" e a vida... ou a forma de contornar a crise, rindo...

... com o  Pedro e dos seus   olhares santos e "pecaminosos", vistos da janelinha do quiosque "bordelico" , porque tem que ser mesmo assim, como as drogarias de bairro, onde na

 sua anarquia se encontra o que se precisa e o seu contrário...
 Quando passo pela Figueira da Foz, gosto sempre de passar pelo quiosque do Pedro, cada vez menos, porque a família deixou a casa ribeirinha, Praça 8 de Maio, e agora passou a estar mais próxima da cultura...  Passou-se para uma casa junto ao Museu e Biblioteca Santos Rocha. Um afecto para a minha Mãe, emérita ex- funcionária da Biblioteca Municipal.


"Do interior da grandeza dos seus escassos 6 metros quadrados, há um quiosque que se não limita a vender jornais e revistas. Soltando-se do rótulo de típico elemento urbanístico, ultrapassando o seu complexo de inferioridade, conquistando vida própria e adquirindo a personalidade que só os grandes-pequenos quiosques ousam almejar, há um quiosque pequeno, é certo, mas com sentimentos. A provar o que todos sabiam mas que ninguém ousara ainda afirmar: os quiosques também têm diários. 
 (in contracapa do livro do Pedro)10 euros
..

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Há dias para tudo... Quem tem filhos, tem cadilhos; quem os não tem, cadilhos tem...

1-10-2014 18:34
Dia Internacional do Idoso – uma reflexão com base empírica
O que é ser idoso? Oficialmente, é ter atingido os 65 anos, talvez agora passe aos 67, com as novas regras de aposentação.
Ser idoso é ser olhado com desconfiança, como um tropeço que atrasa a marcha ou um empecilho que atravanca o corredor.
O idoso, em princípio, atingiu a idade da reforma, se é trabalhador dependente. Se não a reclamar, é considerado indesejável, porque está a tirar o lugar aos novos, em tempos de trabalho escasso. Se aceitar a sua condição de idoso e se aposentar, olhá-lo-ão de soslaio, porque está a roubar o futuro às novas gerações, sonegando-lhes proventos do erário público com a despesa da sua pensão e obviando à sustentabilidade do Estado.
O idoso é um peso. O idoso é um corpo estranho numa sociedade de jovens atléticos, saudáveis, empreendedores, dinâmicos, tecnológicos até ao âmago das suas entranhas (não podemos dizer alma, porque é uma palavra idosa; também não será conveniente dizer mente, porque a mens pressupõe algo que lhes falta; e espírito parece igualmente descabido, já que é assim uma coisa etérea, volátil, indefinível).
O idoso decente e imbuído de consciência cívica, faleceria na semana subsequente à reforma da vida activa. Desta feita se evitaria até o dispêndio de tempo e recursos que representam o cálculo da reforma/pensão e o pagamento da espórtula dos acertos, sempre diferidos na data do vencimento da mesma.
O idoso é aquela cadeira em desuso que se vai procurar ao sótão ou aos arrumos, em alturas festivas, porque faz parte da decoração.
O idoso não tem nome, é designado por sexagenário, septuagenário, octogenário… (decididamente, este já devia estar fora de circulação), quando atropelado na passadeira. Os semáforos estão temporizados para gente desempenada, na força da vida.
Em meio hospitalar, o idoso é designado como sendo o da cama x, na enfermaria y. Às vezes acontece serem trocados, de tal maneira se parecem o raio dos idosos.
O idoso é aquele corpo curvado de rosto curtido e mãos nodosas que amanham o terrunho e cultivam amorosamente hortas onde crescem mimos que fazem chegar à mesa de filhos citadinos e outros a quem devem obrigações. Os idosos estão sempre em obrigação a alguém, do médico ao farmacêutico, da assistente social ao funcionário da Junta, do pároco ao motorista da carreira e por aí fora.
O idoso, quando em bando, constitui-se como um figurante aceitável em campanhas eleitorais; também será uma matéria-prima não desprezável para operadores turísticos em época baixa; também pode utilizar-se como um indicador estatístico susceptível de captação de fundos, em determinados contextos. O idoso pode revelar-se ainda como objecto de curiosidade em algumas reportagens, quando outros temas escasseiem.
Como hoje é dia dos idosos, eu, que faço parte da peste grisalha, apresento aos meus pares um manual de boas práticas.
Regra 1ª Ser discreto e parcimonioso nos actos, nas palavras e nos gestos;
Regra 2ª Nunca telefonar a horas inconvenientes (solicitar predefinição horária) nem com elevada frequência;
Regra 3ª Nunca aparecer de surpresa em casa de familiares;
Regra 4ª A visita programada deve ser curta e revelar autonomia de deslocação;
Regra 5ª Evitar em absoluto referência a dificuldades e queixas de saúde;
Regra 6ª Aparentar sempre boa disposição e um inabalável optimismo;
Regra 7ª Abster-se totalmente de ser opinativo. Ainda quando solicitada, a sua opinião virar-se-á contra si em qualquer ocasião posterior;
Regra 8ª Procurar ser útil de qualquer forma, quanto mais não seja a enxotar as moscas ao cão;
Regra 9ª Em ocasião festiva, oferecer-se para ficar na mesa das crianças;
Regra 10ª Apresentar-se sempre impecavelmente limpo e aprumado, com distinção e elegância, mas sem ostentação nem extravagância;
Regra 11ª Fazer-se desentendido ou surdo, em casos de dissidência;
Regra 12ª Nunca fazer apelo à memória.
Nota: estas regras não se aplicam a idosos de grandes posses ou que detenham poder ou pertençam a vários conselhos de administração.
@Helena Carvalho

*Há sempre dias disto e daquilo. Nada tenho contra por serem momentos de reflexão....
Partilhei este texto de um post de Helena, amiga do norte, que como eu, caminha pela longa passadeira da vida.
Escolhi esta fotografia, já aqui colocada, mas que agora posso repetir devido ao "apagão" desta alegre "casinha"..., de uma mulher que envelheceu, sem filhos, mas rodeada de amigos do coração.
Cristina Torres foi um ícone da Figueira da Foz, pela sua vida de luta num país sem liberdade, proibida de dar aulas . Era dura, de uma tempera à qual não se ficava indiferente. 
Foi a 1ª mulher a passear a bandeira da república a quando da sua implantação.
Ainda teve o privilégio e a alegria de comemorar o 25 de Abril na 1ª manifestação de rua.
Foi minha professora de Literatura. Ía receber as aulas a sua casa.
Quando da minha digressão recente pelo Porto, fui pela 1ª  vez visitar o Museu Soares dos Reis. Desejava ver ao vivo e a cores o busto da "Carvoeirinha", de que Cristina tanto me falava. Tinha uma enorme ternura ou uma enorme identificação devido ás suas origens humildes.


Sobre Cristina Torres, AQUI

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Um clube com história, a Naval 1º de Maio


Não aprecio futebol... , Mas gosto da história dos clubes da minha terra.
Sempre fui de alma e coração ginasista (GCF) mas sorrio com as vitórias da Naval e gosto de dar a conhecer a sua história. (AQUI) e( AQUI)
Era tradição acordar bem cedo, mandavam as mães, não fosse o Maio entrar por um "sítio" menos próprio...
E, pelas ruas, começavam as bandas musicais e o famoso Rancho das Cantarinhas de Buarcos, a cantar e a dançar e os foguetes a rebentar.
Como dormir?

segunda-feira, 21 de abril de 2014

sábado, 21 de dezembro de 2013

Uma sequência sem lógica, mas...

Há uma certa incoerência deste post com o anterior, mas esta "casa" foi feita para n
ão ter sentido, mas de quando em quando algum propósito.
Hoje o propósito, tem a ver com o ontem. O Mar. De vagas e vagalhões...
A incoerência, o desrespeito pela própria vida e da vida dos outros... Os outros, esses que têm que os encontrar mais mortos do que vivos.
Este molhe é muito largo, mas as ondas monstruosas... Passam de um lado ao outro. E, mesmo assim, à revelia da lei  e do perigo mortal, eles , os doidos, os "Kamicazes" da vida, lá vão pensando que passam entre os "salpicos" das ondas.
Ao mesmo tempo, saía um pequeno veleiro, de barra fechada, perseguidos pela PM, mas em vão, estes não podem sair a barra. Tenho esperança que o João Viana me mande essa fotografia, terrivel, dantesca, para convosco partilhar.
Esta imagem explica, muitas mortes estúpidas, tais como as dos 6 jovens desaparecidos no Meco.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

De passagem obrigatória...

                                           Pintura acrílico sobre tela, de Rui Tavares

Quem passa pela Figueira da Foz , não pode deixar de visitar a Galeria Rastro, na Rua da Liberdade.
Além do enorme acervo, tem de momento uma bela exposição inaugurada no passado sábado com quadros do pintor figueirense Rui Tavares, docente no Centro de Formação Artística Nextart e do pintor Daniel David (ver aqui) nascido no Porto em 1975 que concluiu em 2003 a sua Licenciatura em Pintura e lhe é atribuído pelo Atneu Comercial do Porto o prémio de melhor aluno de Pintura da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.
Mar, Serra e Arte, um bom motivo para passar por esta "trés sage" cidade... 

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Olhares pelo outono da vida...

                                               Fotografia de Édouard Booubat,( 1923-1999)
                                             O fotógrafo da época (anos 50, ?)

Aquele mar da minha infância
Bom camarada e meu irmão...

... ... ... ... ... ... ... 

Eu sorrirei, calmo e contente
Se ouvir e vir. perto, bem perto
O mar fraterno, o mar eterno, o livre mar...

João de Barros, poeta e pedagogo, nascido na Figueira da Foz

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Festas na minha cidade...

Figueira da Foz com frio, vento e hoje a promessa de um dia abrasador.
Dia da cidade, S. João.
Indiferença... Nada é como era há muitos anos. Muita gente na rua , pouca parra e pouca uva.
O cheiro a sardinha é pecaminoso pela gula que estimula.
O nosso mercado Municipal está a ser inaugurado. Grande requalificação. E não é para dar votos, acreditem.
Não deixem de o visitar. Gosto de mercados. Alma do um povo.
Aqui sentados ao meu lado, dois pintores figueirenses, Heitor Chichorro e Mário Silva que se lamentam da falta de vendas da sua pintura. O primeiro, ainda recebe a sua reforma de professor de EVT. O segundo totalmente dependente da sua arte.
E , agora,  vou-me a "elas", às sardinhas, que contrariamente à época em que dizem serem melhores, lá mais para agosto, setembro , andam gostosas ...
Ah! E veio-me à ideia, já que também gosto de opinar , que aquele peixe aranha, de nome PPC, não paga os subsídios em Julho por que o verão vai vir no outono.
Não se esqueçam que o natal é quando um homem ou uma mulher quer...

No dia de S. João
Há fogueiras e folias.
Gozam uns e outros não,
Tal qual como os outros dias.

Fernando Pessoa

domingo, 9 de dezembro de 2012

Memórias da Figueira...









Hoje, no Centro de Artes da Figueira da Foz, uma viagem ao passado com um pé no presente...
Bacalhoeiros na doca pesca da Figueira, 1938, quando ainda eram pretos. Durante a guerra acordou-se que fossem brancos para não serem abatidos por se confundirem com os submarinos.
Seca de bacalhau nos anos 30.
O Primeiro bacalhoeiro desta série data de 1898.

"O presente recicla sempre tudo o que está atrás", acaba de o dizer Eduardo Lourenço na RTP2