![]() |
Adicionar legenda |
" Hobbes afirma que este movimento brusco dos pulmões e dos músculos da face é o efeito da «visão imprevista e bastante clara da nossa superioridade perante outro homem» (Da Natureza Humana). Este contraste, vantajoso para nós, faz com que desfrutemos da nossa própria superioridade. Se a infelicidade de outro homem é tão grande ao ponto de nos levar a pensar que também podemos ser infelizes, então deixa de haver fruição da nossa superioridade e há, pelo contrário, uma visão da infelicidade e o riso cessa.
O cómico deve ser exposto com clareza (entendo por cómico tudo que provoca riso: um gesto, uma palavra, uma expressão). A imagem da nossa superioridade sobre outrem deve pela mais ínfima reflexão ser nítida e rápida. Mas essa superioridade sobre outrem deve ser nítida e rápida. Mas essa superioridade é algo tão fútil e facilmente destrutível pela mais ínfima reflexão que se impõe que a visão nos seja apresentada de uma forma imprevista,
Eis os únicos limites do riso: a compaixão e a indignação.
Num estado de indignação, pensamos em interesses mais directos e importantes, pensamos em nós numa situação de perigo."
Excerto. DO RISO: UM ENSAIO FILOSOFICO SOBRE UM TEMA DIFICIL
(