quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Resumo de um dia feliz.... porque há dias assim

De Gustav Coubert
Por vezes não acrescentamos dias à nossa vida, mas vida aos nossos dias...
E hoje assim foi.

Reflexão pós 24...

Mary Close, pastel

ESCALFETA

Está minha mãe , na saleta,
a dizer que a vida é preta
à visita - e a visita, que é cinzenta,
diz que sim, que a vida é preta.

E eu: - Está completa
a lotação da escalfeta!

Alexandre O' Neill, Poesias Completas

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Greve Geral - 24 de novembro - que não vos doa a alma...


Há textos tão belos que os desejaríamos ter feito.
Este é o excerto de um deles... o resto procurem...

..."Sim, e sobretudo façamos Greve Geral à raiz de tudo isso, a todos os nossos pensamentos, emoções, palavras e acções iludidos, inúteis e nocivos a nós e a todos. Greve Geral a todos os juízos e opiniões que visam sempre autopromover-nos em detrimento dos outros. Greve Geral a colocarmo-nos sempre em primeiro lugar, a nós e aos “nossos”, familiares, amigos, membros da mesma nação, clube, partido, religião ou espécie, em detrimento dos “outros”, sempre a menorizar, desprezar, combater, dominar ou abater. Pois façamos Greve Geral, total e radical, não só um dia, mas para sempre, a toda a ignorância dualista, apego e aversão e à sua combinação em todo o egocentrismo, possessividade, orgulho, inveja e ciúme, avareza e avidez, ódio e cólera, preguiça e torpor. Paremos para sempre de produzir e consumir isto, cessemos de poluir mental e emocionalmente o planeta e deixemos espaço para que em nós floresça e frutifique a sabedoria, o amor, a compaixão imparciais e incondicionais, a paz e a alegria profundas e duradouras." ...




In blogue Estudo Geral, de Paulo Borge

The Kreutzer Sonata - Trailer (2)

Sonata de Kreutzer, livro (1)

Bad Boy, de Eric Fischl (aqui)
Ainda passeando por Leon Tolstoi de quem muito se tem falado e ainda bem, veio-me à memória o ùltimo livro que dele li , A Sonata de Kreutzer, um dos maiores tratados sobre o cíume que me foi dado ler até hoje.
Recomendo vivamente...



"Dizer que se vai amar uma pessoa a vida toda é como dizer que uma vela continuará a queimar enquanto vivermos ".
Fonte: "Sonata a Kreutzer

sábado, 20 de novembro de 2010

Leo Tolstoy - Últimos anos

Um dos preconceitos mais conhecidos e mais espalhados consiste em crer que cada homem possui como sua propriedade certas qualidades definidas, que há homens bons ou maus, inteligentes ou estupidos, enérgicos ou apáticos, e assim por diante. Os homens não são feitos assim. Podemos dizer que determinado homem se mostra mais frequentemente bom do que mau, mais frequentemente inteligente do que estúpido, mais frequentemente enérgico do que apático, ou inversamente; mas seria falso afirmar de um homem que é bom ou inteligente, e de outro que é mau ou estúpido. No entanto, é assim que os julgamos. Pois isso é falso. Os homens parecem-se com os rios: todos são feitos dos mesmos elementos, mas ora são estreitos, ora rápidos, ora largos, ora plácidos, claros ou frios, turvos ou tépidos.

Leon Tolstoi, in "Ressurreição"


"Escreveu sobre o amor, a culpa, a violência. E disse que tinha ultrapassado Shaskepeare.

Há 100 anos quis viajar incógnito, despojar-se de tudo. Morreu numa estação de comboios. A Rússia chorou-o. Agora quase não assinala o aniversário da morte dele."

in, P2 de 20.11.010



Será que a voz de Tolstoi, que por graça se dizia ouvir-se em toda a Rússia, fazendo medo ao Czar, (segundo J.B.), ainda hoje incomoda o "universo" deste país?

Uhm...

Dificil resistir, eu, claro está. Bom f.d.s.... que para os meus lados está muito ensolarado...



L’automne

On voit tout le temps, en automne,
Quelque chose qui vous étonne,
C’est une branche tout à coup,
Qui s’effeuille dans votre cou.

C’est un petit arbre tout rouge,
Un , d’une autre couleur encor,
Et puis partout, ces feuilles d’or
Qui tombent sans que rien ne bouge.

Nous aimons bien cette saison,
Mais la nuit si tôt va descendre !
Retournons vite à la maison
Rôtir nos marrons dans la cendre.

Lucie Delarue-Mardrus, recolha de poemas para crianças, poema para crianças e adultos... Gostoso ! Lucie Delarue-Mardrus ( 1874-1945 ) nasceu em Honfleur como Eugène Boudin e Eric Satie.
Aqui. Como amo esta vila piscatória... (aqui cheguei a este poema e poeta atrváes de mão amiga, "doudou"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ando por aí a sentir o outono... um destes dias regresso


Se cantasse


Se cantasse, talvez o coração

Sossegasse no peito.

Mas vou perdendo o jeito

De cantar.

A vida, devagar,

Leva-nos tudo,

E deixa-nos na boca o gosto de ser mudo.


De Miguel Torga

Coimbra, 12 de Out. de 1974
Fiquem também com esta musiquinha cantada pela bela Patricia Barber.

Arte

De Marcel Duchamp
Mão amiga fez-me chegar esta notícia. Para os amantes de ARTE (clicar).