sexta-feira, 24 de junho de 2011

Noite de S. João...

S. João, de Ronaldo Mendes, pintor naif
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Noite de São João

Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

Alberto Caeiro

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Hora de calor... dizem


Esculturas de Duane Hanson (1925-1996)

Poeminha (Bem) Moderato

Hora de beber; parcimonia,
Hora de falar; discrição,
Hora de comer; continência
Hora de amar - (muita) atenção.


De Millôr Fernanndes - Poemas -

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Sob o signo da denúncia"





Georges Grosz




Circe e Caféhouse, 1927




Passar por aqui, ver e não perder.. Exp. CCC (clicar)







Coisas do solstício ou dos homens...








Notre Dame du Sablon



Fiquei satisfeita com o resultado de ver uma mulher bonita e inteligente a presidir a nossa AR . Não fico normalmente frente à T.V. a ver escurtínios, sobretudo se forem deprimentes e pouco "nobres"... mas ontem, porque aconteceu, deixei-me ficar.



Dizem que as mulheres ficam bonitas quando bem amadas e desejadas. E, assim aconteceu ontem com Assunção Esteves. Um desejo coletivo, uma escolha acertiva que para mim "branqueou" a anterior e elevou a luta das mulheres.



E, a um tempo passado e comum, no "pays plat", um prazer nos era habitual ... o velho Sablon, as esplanadas ensolaradas quando era caso disso, com o chocolate ou a velha Leffe tanto do meu agrado.





Coisas do solstício que dão mais brilho à vida.






domingo, 19 de junho de 2011

Momentos de ouro... com cheirinhos "abençoados"...







(clicar para aumentar as pinturas)


O Cabo Espichel é um lugar mágico aonde nas suas ruínas encontro beleza. Há um abandono que nos conduz a um céu que induzo de celestial. De lá, vejo o meu lado, a outra banda, e quando estou do meu lado, e se vê o Cabo Espichel, a olho nu, limpo, dizem os antigos que é sinal que vai chover... E , às vezes assim acontece...



Surpresa! A igreja está recuperada e linda... fotografei à má fila, em "pecado", pois vim a saber que é proibido. Tem horário de momumento nacional. Não percam.

"Passos da memória"





Há 25 anos, nós eramos assim... Agora , só continuamos mesmo grandes amigas, eu e a Virita...



Acontece, que por aqui, entre nós, a solidão nunca acontece... Só a desejada. E ontem foi dia de convívio,entre os ateus confessos e amigosa que nos juntámos ,os católicos de Alcabideche , para uma peregrinação histórica que se realiza de 25 em 25 anos, pois faz parte de um convénio em que a Senhora do Cabo percorre vinte e cinco freguesias de vários concelhos, vai ao Cabo Espichel, com cerimónia religiosa para quem a deseja e volta para a freguesia seguinte. Ontem foi uma peregrinação preparatória, para angariar fundos, como uma "Senhora" de faz de conta, pois a do Cabo está neste momento numa igreja de Sintra e só a 17 de Setembro faz a viagem de regresso a Alcabideche por mais um ano. (história, aqui) .


Aí será a verdadeira santa a entrar na peregrinação.
Eu fiz esta "viagem" há 25 anos. Divertida pelas iniciativas que se desenrolaram à sua volta. Desta vez repetimos pelo prazer e magia do Cabo Espichel e pelo piquenique que se adivinhava. A rematar, umas tortinhas de Azeitão da casa do Cego e a beleza da região...
E, depois, não digam que não há momentos de ouro...

sábado, 18 de junho de 2011

Bom fim de semana ... com alguns momentos de ouro


Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só irá assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos era reservar apenas
para ela o seco sóbrio simples nome de mulher



em vez de dizer mulher(...)



RuyBelo «Na morte de Marilyn» , in Todos os Poemas



E ainda...

" O desejo de a fotografar deve ter começado há muito tempo atrás. Era simplesmente a semente de uma ideia à espera do seu tempo. Agora, em 1962, tinha suficiente confinça e respeito por mim próprio como fotógrafo para enfrentar. Tornara-me já mestre na minha arte - a de ver -
e estava á altura da sua mestria de ser vista.
Era o momento certo. "

Bert Stren,1962
Exposição que vai até17 de Julho e a não perder de todo.

Para hoje, que é fim de semana, uma estória...









"O diabo fala quase sempre numa língua só dele, chamada diabolês, que ele vai inventando à medida que precisa.Mas, quando está muito zangado, fala bastante mau, embora quem já o ouviu diga que tem um sotaque igualzinho ao da da gente de Dublin."






Esta incursão pela Irlanda e pelos Irish Pubs.. deu-me a oportunidade de contar uma estória de Joyce que fez e continua a fazer as delícias cá da casa numa coleção de livros escritos para crianças mas que faziam o encanto dos pais.. São clássicos da literatura mundial e a editora era a Contexto & Imagem. Ah! E por falar em Irish Pub, não precisa de ir para Lisboa... aqui no burgo, Cascais, há um delicioso e com vista de mar. Sempre...







O Gato e o Diabo






Villers-sur-Mer , 10 de agosto de 1936






Meu querido Stevie:
Mandei-te há dias um gato cheio de doces mas lembrei-me agora que, se calhar, tu ainda não sabes a estória do gato de Linda-a-Gente.
Linda-a-Gente é uma cidadezinha muito antiga que fica numa das margens do maior rio de França. Também é um rio muito largo, pelo menos para a França.








Em Linda-a-Gente é tão largo que, para o atravessar a pé, tinhas que dar, no mínimo, mil pessoas.
Antigamente, a gente de Linda-a-gente, quando precisava de atravessar o rio, tinha que ir de barco, porque não havia ponte nenhuma. E o problema era que nem eram capazes de construir uma, nem tinham dinheiro para a encomendar a alguém de fora.
Ora o diabo, que anda sempre a ler os jornais, ficou a saber deste triste caso; arranjou-see muito bem, e foi fazer uma visita ao Presidentenda Câmara de Linda-a-Gente, Senhor Colombo Queimado.
… Disse que era capaz de fazer a melhor ponte do mundo e que só demorava uma noite. O Presidente da Câmara perguntou-lhe quanto dinheiro é que ele queria para fazer uma ponte assim.

Nem um tostão disse o diabo, só quero para mim a primeira pessoa que passar na ponte,
Negócio fechado, disse o Presidente Câmara.
Anoiteceu. Toda a gente de Linda-a-Gente foi para a cama dormir.
Amanheceu. E quando as pessoas puseram o nariz fora da janela, exclamaram todas:
Santo Deus, que ponte tão boa!
Porque viram uma poderosa ponte de pedra a unir as duas margens tão afastadas daquele rio tão largo.
Toda a gente correu para a ponte e olhou para o outro lado. Ali, na outra ponta da ponte, estava o diabo, à espera do primeiro que atravessasse. Mas, com medo do diabo, ninguém se atrevia atravessar.
No momento em que o Presidente da Câmara chegou à ponta da ponte, todos os homens contiveram a respiraçãome todas as mulheres contiveram a língua.
O Presidente poisou o gato na ponte e, enquanto o diabo esfrega um olho, pás!, despejou-lhe o balde de água todo em cima.
O gato, que estava agora entre o diabo e o balde de água, também não levou muito tempo a decidir-se: deitando orelhas e anos p’ra trás, desatou a correr a toda a velocidade pela ponte fora, indo cair em plenos braços do diabo.
O diabo ficou zangado como o diabo. Gente de Linda-a-Gente! – berrou ele da outra ponte – não são gente nem são nada! São mas é todos uns gatos! Tens medo, meu bichaninho? Anda cá, que vens comigo p´ro diabo! Anda cá, Que vens comigo p´ro diabo!
Anda, vamo-nos aquecer os dois.


E pronto, foi-se embora com o gato.
E, desde então, a gente de Linda-a-Gente passou a ser conhecida como “os gatos de Linda-a –Gente”.
Mas a ponte ainda lá está e há sempre meninos a brincar, e a passear a pé e de bicicleta.


Espero que tenhas gostado desta história .
Vovô








(pena não poder partilhar os belos desenhos)