quinta-feira, 19 de abril de 2012

Portugal e os seus poetas... (2)

 Portugal

E tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos
(Jorge Sousa Braga, Portugal)



Portugal já tem oitocentos anos
E está pregado sempre aqui à beira-mar.


O Álvaro de Campos - repito- chateia-se com tudo isto.

Diz ele qe das duas uma: ou desata à porrada,
Ou então vai para Glasgow
Depois de depois de amanhã.

(José Terra, Decisão)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Parei, olhei e gostei... Leituras

 Natureza Morta de Mário Silva, acervo pessoal

Apenas nas Crises Atingimos as Nossas Profundezas
 Tudo o que o nosso corpo faz, excepto o exercício dos sentidos, escapa à nossa percepção. Não damos conta das funções mais vitais (circulação, digestão, etc.). O mesmo se passa com o espírito: ignoramos todos os seus movimentos e transformações, as suas crises, etc., que não sejam a superficial ideação esquematizante.
Só uma doença nos revela as profundezas funcionais do nosso corpo. Do mesmo modo, pressentimos as do espírito quando estamos em crise.


Cesare Pavese, in Ofício de Viver

Portugal e os seus poetas... (1)


Patriota?
Não: só português.
Nasci português como nasci
louro e de olhos azuis.

(Alberto Caeiro)



O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a  sal.
Não se nasce impunemente
Nas praias de Portugal.

(António Gedeão, Poema da Malta das Naus)

Quem dá o que lhe dão é amigo do coração... Para ver até ao fim... :))

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Leituras aéreas... palavras que vêm ao nosso encontro

Comentário sobre o SIM e o NÃO
A CASA E A VIAGEM
Uma pequena nota sobre: sim, não
Por um lado, isto: o humano tem necessidade de uma afetividade que tranquilize, uma afetividade do SIM.
Mas esta é uma afetividade, no fundo, que desconversa, que não prolonga o diálogo.
- Concordas comigo? Sim. Gostas de mim? Sim. Estás de acordo? Sim.
E por outro lado, fora de casa, em viagem, afastados do ambiente familiar, entramos no mundo que não excita a cabeça, que nos obriga a mudar de posição, dos pés e do resto do corpo. Aí, portanto, entramos numa outra tensão. E é aí que surge a ligação do Não. O Não que faz, afinal, também uma amizade, mas bem distinta.
De fato é aqui, no Não, que começa a conversa:
- Não, não concordo, porque penso isto e isto e isto.
A expressão: sim, concordo - que parece muito simpática, termina, afinal as conversas logo ali.
O Não, não concordo, ou  Não,  não compreendo, é afinal aquilo que estranhamente prolonga a conversa.
A viagem, em parte, pode ser vista como a deslocação que se faz em direção ao que se não compreende, ao que se não conhece.
Todas as viagens são deslocações em direção ao Não.
( dois diálogos possíveis.)
1º Diálogo:
_Para onde vais viajar?
_ Vou para o NÃO.
2º Diálogo
_ Vais viajar?
_ Não. Vou ficar num sim que já conheço.
_ Que sim é esse?
- A minha casa.)
Texto de Gonçalo M. Tavares , de quem muito gosto.

                                                                                                                   

Dia Mundial da Voz... Diz -me como "cantas" , dir-te-ei como és....

domingo, 15 de abril de 2012

Momentos primaveris.. mesmo com chuva à porta

Adoro amores-perfeitos. Em canteiros públicos e privados.Bem tratados, ou seja com a água suficiente para se alimentarem , são quase eternos. Resistem ao vento, à chuva e à neve. A floração, em boas condições, é permanente.
Por isso são perfeitos, amorosos e únicos...

sábado, 14 de abril de 2012

Um programa para amanhã, quem sabe...?

A vida como ela é... O olhar dos outros



"As maravilhas da vida quotidiana são tão emocionantes. Nenhum diretor de filmes pode organizar o inesperado que você encontra na rua."
Doisneau, 1912-1994
Uma boa oportunidade, esta efeméride, para viajar através do olhar de Doisneau