terça-feira, 17 de julho de 2012

Sem palavras...

                                                Praia da Figueira da Foz
 Passemos à ação...  D. Januário já disse o que tinha a dizer. Por ele e por nós.


Vai um mergulho? Assim partiremos mais retemperados para as lutas que se adivinham.
De Espanha começa a soprar algum vento. O casamento logo se verá...

(2) Ainda Frida e Diego... nenhum deles ficou na sombra...

 «Frida é o único exemplo na história da arte de uma pessoa que dilacerou o peito e o coração para dar conta da verdade biológica que continham, e que, possuída pela razão-imaginação que vai mais depressa do que a luz, pintou a sua mãe e a sua ama, sabendo na realidade que os seus traços lhe eram desconhecidos, o rosto da mulher amada que lhe serviu de ama é apenas uma máscara índia de pedra dura, e as suas glândulas, semelhantes a cachos que vertem leite numa chuva que fecunda a terra, em lágrimas que fecundam o prazer; e a mãe, a mater dolorosa dos sete golpes de faca de dor que libertam a efusão de onde emerge a criança Frida, única força humana que, desde que o poderoso artista asteca ousou esculpir um parto em basalto negro, representou o seu próprio nascimento em toda a sua realidade» (1)

A evocação da deusa parturiente, que dá à luz agachada, com uma expressão de dor  no rosto, sela o pacto moral e estético que une eternamente Diego e Frida.
Na última página do diário, Frida marca, ao lado do 
desenho que representa o anjo negro da morte, as pa-
lavras mais terríveis e as mais duras da sua vida, as 
palavras que exprimem verdadeiramente o seu caráter sem falha:
«Espero alegre la salida - y espero nunca volver»
(AQUI) , um belo trabalho




(1)Diego Rivera, My Art, my Life

segunda-feira, 16 de julho de 2012

(1)Pensando Frida e o seu coração dilacerdo... Partiu aos 47 anos, a 13 de Julho de 1954

 O equívoco contrato exigido por Frida aquando do seu novo casamento é posto em aplicação por Diego. Com a doce crueldade que o caracteriza, impõe a Frida a prova da verdade e da solidão, uma solidão por vezes insuportável para ela devido à dor. As operações e recaídas pregam-na ao se quarto-atelier, onde constrói esse amor absoluto que a devora como um sonho demasiado vasto
 para a sua noite.
Enquanto Diego Rivera está no centro da barafunda da sua vida mundana, Frida tem de se limitar a construir incansavelmente o seu alfabeto imaginário:
«Verde: luz tépida e boa.
«Roxo avermelhado: Tlapalli asteca. Sangue seco de figo-da-barbaria. O mais velho, o mais vivo.
«Café: cor de mole, de folha que cai. Terra.
«Amarelo: loucura, doença, medo. Parte do sol e da alegria.
«Azul-cobalto: eletricidade, pureza. Amor.
«Negro: nada é absolutamente negro.
«Folha verde: ainda mais louca, o mistério. Todos os fantasmas estão vestidos de roupas com esta cor... em todo o caso, as suas roupas interiores.
«Verde-escuro: cor de mas augúrios e de bons negócios.
«Azul-marinho: distância. A ternura e às vezes de um azul assim.
«Magenta: sangue? Quem sabe?»(1)


(1). Diário de Frida Kahlo
«Diego, começo
Diego, construtor
Diego, minha criança
Diego, meu noivo
Diego, pintor
Diego, meu amante
Diego, meu marido
Diego, meu amigo
Diego, minha mãe
Diego, meu pai
Diego, eu
Diego, universo
Diversidade na unidade
Mas por que é que eu digo Meu Diego?
Ele nunca será meu. Ele só pertence a si próprio.»


Excerto do livro DIEGO E fRIDA
De, J.M.G. Le Clézio


Relógio d' Água


domingo, 15 de julho de 2012

Leituras breves ... Sempre bem- vindas



A história da moral

Você tem-me cavalgado,
seu safado!
Você tem-me cavalgado,
...
mas nem por isso me pôs
a pensar como você.

Que uma coisa pensa o cavalo;
outra quem está a montá-lo.

Alexandre O´Neill/Paul Kuczynski
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In, Andante Associação Artistica

Momentos de ouro para "OUVER"...

sábado, 14 de julho de 2012

Monocromias de Pedro Casqueiro


São estas, e muitas mais, obras anómalas no corpo de trabalho do artista - feitas de forma intermitente, ao sabor das circunstâncias, com grande espontaneidade e elevado grau de improvisação - que estão atualmente em exibição na Culturgest (Porto). A exposição “escreve direito por linhas tortas”, proporcionando um encontro, ou reencontro, improvável com o trabalho de Pedro Casqueiro.


Até 2 de Setembro

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Bom fim de semana... Cool Jazz

Que espécie de lobo sois? Malvados há que pululam por aí... e sabemos quem são.


Uma "historinha" para meditar:
O pastor estava na Serra com o seu neto. O neto perguntou-lhe porque havia gente feliz e gente infeliz!
O avô pastor disse ao neto:
- É tudo um problema dos “lobos” que existem dentro de nós!
O neto ficou surpreso com a resposta!
... - Dentro de nós vivem dois “lobos”. Um é malvado, ressentido, arrogante, avarento, falso e triste. O outro “lobo” é bondoso, sereno, humilde, benevolente, generoso e divertido.
Pergunta o neto: - Diz-me avô: Qual é o mais forte?
Responde o avô pastor: Aquele que TU “alimentares” melhor…

In Novos Rurais, FB.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Figueirenses na pintura (5)




                               Composição surrealista de Cândido Costa Pinto, 1962

Na rota dos pintores figueirenses, hoje é o dia de Cândido Costa Pinto (aqui),  já aqui falado por ser conterrâneo e pela integração de quadros seus numa exposição dedicada ao surrealismo.
Só já mulherzinha tive conhecimento da existência de CCP, sem saber que uma das boas vizinhanças aqui na Figueira, na mesma rua onde eu morava, quase em frente à minha casa, a velhinha simpática que de lenço branco na cabeça sacudia o pano do pó à janela e comigo metia conversa, era a sua mãe,  e o amigão Costa Pinto, ourives na mesma rua, era  seu irmão. Nessa altura, falávamos de berliques e berloques de  prata e não de pintura e pintores , o  que,  só mais tarde , veio a fazer parte da minha vida. 

terça-feira, 10 de julho de 2012

Pela noite dentro, ouvindo...

Leituras breves...


Entretanto
e justamente quando
já não eram precisos
apareceram os poetas à procura
e a querer multiplicar tudo por dez
... má raça que eles têm
ou muito inteligentes ou muito estúpidos
pois uma e outra coisa eles são
Jesus Aristóteles Platão
abrem o mapa:
dói aqui
dói acolá

Mário Cesariny/
 Pintura de Francesco Chiacchio