"Há umas quantas caixinhas onde cabemos – tímidos e extrovertidos, utópicos e gélidos, frágeis, racionais, apaixonados, pervertidos e todos os que nos ocorrerem. O pior de todos os cubiculos é o dos fortes que, por dentro, são frágeis. Ajudam, aconselham, estão sempre disponíveis para os outros e a ninguém ocorre que lhes possa também faltar o ar. Regra geral, acabam esgotados. E mais sozinhos do que imaginamos. Por isso, quando conheço um anjo na terra, abraço-o forte – porque não é um anjo mas apenasum de nós. Alguém a quem falta o que nos falta."
*(não sei porque ficaram estas linhas no texto. Mas lê-se bem. As minhas "escusas")
O Luís Osório tem destas coisas.... Escreve , a maior parte das vezes, o que temos necessidade de ouvir, de exprimir estados de alma, que, ao que parece, são mais comuns do que se imagina.
Sobre isso já falámos... Por isso me aproprio das suas palavras com o gosto do autor.
*Foto tirada na praia da Figueira e cuja memória não alcanço... Talvez ainda fosse um anjo... daqueles de "guarda"... , em meados do séc. XX.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
Leituras breves... mas profundas...
Umberto Eco definiu Mafalda como:
“Uma heroína zangada que recusa o mundo como ele é, reivindicando seu direito de continuar a ser um menina e que não quer assumir um universo corrompido pelos pais"
Arte performativa de rua, estilo "cow parade", mas com a forma de sorvete, em Bruxelas, 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
"Sem pão não há instrução", disse-o Paulo Freire. E, Helena Cidade Moura passou-nos a mensagem. Aconteceu
"Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda."
Paulo Freire
Só ontem soube da partida de Helena Cidade Moura.
Esta não é a foto de que gosto para aqui colocar. Seria a Helena já na nova casa que a família lhe atribuiu, Lar dos Artistas, em Belém.
Éramos vizinhas aqui no Monte Estoril.
O conhecê-la em 1978 foi determinante para começar a percorrer os caminhos que me abriram portas e práticas de vida , ALFABETIZAR.
Comecei por estar ligada a grupos de voluntários, quase todos professores, e alfabetizámos adultos, segundo o método de Paulo Freire, uma verdadeira revolução na eficácia do método e nas escolhas de palavras geradoras, verdadeiras "bombas" para descodificar o seu sentido social.
Helena, foi pioneira . Começou em 1973 no concelho de Sintra. Sobrepôs-se ao ME, que patinava por completo no assunto. Criou -se nessa altura uma Direção Geral de Educação de Adultos (1979) sem saber o que haviam de fazer com ela.
Helena, sonhava ter uma Associação para implementar e alargar o se método e iluminar a escuridão em que centenas de homens e mulheres viviam . Estava na altura no MDP/CDE com coligação com o PCP.
Devido ao meu deslumbramento e militância de Paulo Freire, ao impacto muito positivo junto das pessoas que eu ensinava foi pedido o meu destacamento ao ME. Orgulho-me de ter sido a 1ª pessoa destacada para tal no distrito de Lisboa. A nível nacional éramos 30.
Helena gostaria que a associação tivesse o nome de Bernardo Santareno, mas... o nome podia ser muito "pesado" para um ministério que enfrentava múltiplas barreiras políticas que se de-gladiavam umas às outras. Era preciso usar de subtileza. Assim ficou ASSOCIAÇÃO CULTURAL DE PARTICIPAÇÃO NO ENSINO. Ganhamos a nossa personalidade jurídica e por direito algum dinheiro e o meu destacamento.
A sede era em minha casa... Não havia quem nos quisesse dispensar um espaço. Então, uma vez por mês, entre 12 e 15 pessoas , reuníamos na minha sala, sob a presidência de Helena Cidade e eu como secretária. Professores voluntários e os bolseiros. Estes últimos eram jovens que muito mal pagos, também ficaram com o bichinho de Alfabetizar.
E, assim, entre instituições que passaram a requisitar os nossos serviços, ao porta à porta em zonas mais empobrecidas, para aliciar as pessoas a frequentar as nossas escolas noturnas, pois aí os espaços começaram a ser cedidos, "malgré" a relutância de alguns diretores de escola altamente reacionários. (Cascais nunca foi um antro progressista, pelo menos nessa época e anos vindouros).
Fizemos gente feliz. Com lágrimas. Poder passar a ir ao supermercado e conseguir saber o que comprar sem pedir ajuda. Ler os horários de autocarros, saber ver os preços... Enfim, descobrir a vida e para muitos obter o diploma da 4ª calasse, exigido pelo Ministério do Trabalho, para que as suas carteiras profissionais pudessem ser reconhecidas e renovadas, a carta de patrão para gerir o barquinho e ser pescador. Era assim em 1980/81.
Com o tempo fomos saindo do concelho.
Pessoalmente passei por comissões de trabalhadores, sindicatos, formei formadores no método Paulo Freire a pedido do ME, para começar a alargar estas ações ao Alentejo.
Foi uma riqueza de vida, mesmo um apaixonamento meu, por lidar com gente tão fragilizada. O bem de me dar aos outros, dos 14 aos 80 anos. Durou para mim, 7 ou 8 anos. Também me cansei. Depois regressei ao ensino formal.
Conhecemos pessoalmente Paulo Freire num passagem pelo aeroporto , vindo do Brasil a caminho da Suíça. Foi uma surpresa que um dos nossos bolseiros que trabalhava na TAAG, nos fez, vindo-nos buscar a Cascais e o irmos cumprimentar e Helena oferecer o manual que tinha feito de apoio aos cursos segundo o seu método.
Encontrávamo-nos por aqui, para um café e dedos de conversa e falar de uma outra criação sua, a CIVITAS e da sua nova forma de alfabetizar: as novas tecnologias.
Helena era muito bonita e tinha um marido sapiente e bondoso, o Professor Doutor Pereira de Moura. Sim , porque para Helena era precisa paciência...
Adiei visitas à sua "nova casa"..., por cobardia, pois ela QUERIA REGRESSAR à sua casa de sonho, no lugar mais lindo do mundo, o Monte Estoril.
domingo, 22 de julho de 2012
Uma vírgula muda tudo... :)) ... :))
Sobre a Vírgula
Muito bonita a campanha dos 100 anos da ABI
(Associação Brasileira de Imprensa).
Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere..
Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.
Pode criar heróis..
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.
Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.
A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.
A vírgula pode condenar ou salvar.
Não tenha clemência!
Não, tenha clemência!
Uma vírgula muda tudo.
ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.
Detalhes Adicionais:
COLOQUE UMA VÍRGULA NA SEGUINTE FRASE:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.
* Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER...
* Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM...
(recebida via e-mail ) :))
sábado, 21 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Bom fim de semana...
Samba do Avião
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Tom Jobim
Magdalena Guzinska (ilustração)
Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Magdalena Guzinska (ilustração)
quarta-feira, 18 de julho de 2012
Sophie Hunger - Le Vent nous portera
O vento ensandecido que se faz sentir por aqui... trouxe-me até esta deliciosa Sophie Hunger.
Vale a pena ouvir. Durmam bem...
Finlândia - sistema de ensino ... Bom de ver
Por cá, bem se quer importar o sistema finlandês para as nossas escolas. Impossível, todos o sabemos, mas os modelos arquitetónicos vão chegando.
Este belo e feliz exemplo existe em frente à minha casa. Originalmente, era uma escola tipo P3, modelo trazido de Inglaterra e que falhou. Lá, o filho António fez com alegria os seus 4 anos de primária.
Esta, talvez venha a ser usada pelos meus netos... E, de preferência com professores de formação tipo filandesa, onde só 10% dos professores entram na carreira docente. Os melhores.
*Escola e Jardim de Infância Raul Lino, Monte Estoril
Vida...
"Dê valor às pessoas enquanto estão por perto, pois sentir saudade não é motivo suficiente para tê-las de volta."
Este pensar..., ficou-me na cabeça depois de o ter lido ontem à
noite. Há dias e noites assim...
terça-feira, 17 de julho de 2012
Sem palavras...
Praia da Figueira da Foz
Passemos à ação... D. Januário já disse o que tinha a dizer. Por ele e por nós.
Vai um mergulho? Assim partiremos mais retemperados para as lutas que se adivinham.
De Espanha começa a soprar algum vento. O casamento logo se verá...
Passemos à ação... D. Januário já disse o que tinha a dizer. Por ele e por nós.
Vai um mergulho? Assim partiremos mais retemperados para as lutas que se adivinham.
De Espanha começa a soprar algum vento. O casamento logo se verá...
(2) Ainda Frida e Diego... nenhum deles ficou na sombra...
«Frida é o único exemplo na história da arte de uma pessoa que dilacerou o peito e o coração para dar conta da verdade biológica que continham, e que, possuída pela razão-imaginação que vai mais depressa do que a luz, pintou a sua mãe e a sua ama, sabendo na realidade que os seus traços lhe eram desconhecidos, o rosto da mulher amada que lhe serviu de ama é apenas uma máscara índia de pedra dura, e as suas glândulas, semelhantes a cachos que vertem leite numa chuva que fecunda a terra, em lágrimas que fecundam o prazer; e a mãe, a mater dolorosa dos sete golpes de faca de dor que libertam a efusão de onde emerge a criança Frida, única força humana que, desde que o poderoso artista asteca ousou esculpir um parto em basalto negro, representou o seu próprio nascimento em toda a sua realidade» (1)
A evocação da deusa parturiente, que dá à luz agachada, com uma expressão de dor no rosto, sela o pacto moral e estético que une eternamente Diego e Frida.
Na última página do diário, Frida marca, ao lado do
desenho que representa o anjo negro da morte, as pa-
lavras mais terríveis e as mais duras da sua vida, as
palavras que exprimem verdadeiramente o seu caráter sem falha:
«Espero alegre la salida - y espero nunca volver»
(AQUI) , um belo trabalho
(1)Diego Rivera, My Art, my Life
A evocação da deusa parturiente, que dá à luz agachada, com uma expressão de dor no rosto, sela o pacto moral e estético que une eternamente Diego e Frida.
Na última página do diário, Frida marca, ao lado do
desenho que representa o anjo negro da morte, as pa-
lavras mais terríveis e as mais duras da sua vida, as
palavras que exprimem verdadeiramente o seu caráter sem falha:
«Espero alegre la salida - y espero nunca volver»
(AQUI) , um belo trabalho
(1)Diego Rivera, My Art, my Life
segunda-feira, 16 de julho de 2012
(1)Pensando Frida e o seu coração dilacerdo... Partiu aos 47 anos, a 13 de Julho de 1954
O equívoco contrato exigido por Frida aquando do seu novo casamento é posto em aplicação por Diego. Com a doce crueldade que o caracteriza, impõe a Frida a prova da verdade e da solidão, uma solidão por vezes insuportável para ela devido à dor. As operações e recaídas pregam-na ao se quarto-atelier, onde constrói esse amor absoluto que a devora como um sonho demasiado vasto
para a sua noite.
Enquanto Diego Rivera está no centro da barafunda da sua vida mundana, Frida tem de se limitar a construir incansavelmente o seu alfabeto imaginário:
«Verde: luz tépida e boa.
«Roxo avermelhado: Tlapalli asteca. Sangue seco de figo-da-barbaria. O mais velho, o mais vivo.
«Café: cor de mole, de folha que cai. Terra.
«Amarelo: loucura, doença, medo. Parte do sol e da alegria.
«Azul-cobalto: eletricidade, pureza. Amor.
«Negro: nada é absolutamente negro.
«Folha verde: ainda mais louca, o mistério. Todos os fantasmas estão vestidos de roupas com esta cor... em todo o caso, as suas roupas interiores.
«Verde-escuro: cor de mas augúrios e de bons negócios.
«Azul-marinho: distância. A ternura e às vezes de um azul assim.
«Magenta: sangue? Quem sabe?»(1)
(1). Diário de Frida Kahlo
«Diego, começo
Diego, construtor
Diego, minha criança
Diego, meu noivo
Diego, pintor
Diego, meu amante
Diego, meu marido
Diego, meu amigo
Diego, minha mãe
Diego, meu pai
Diego, eu
Diego, universo
Diversidade na unidade
Mas por que é que eu digo Meu Diego?
Ele nunca será meu. Ele só pertence a si próprio.»
Excerto do livro DIEGO E fRIDA
De, J.M.G. Le Clézio
Relógio d' Água
para a sua noite.
Enquanto Diego Rivera está no centro da barafunda da sua vida mundana, Frida tem de se limitar a construir incansavelmente o seu alfabeto imaginário:
«Verde: luz tépida e boa.
«Roxo avermelhado: Tlapalli asteca. Sangue seco de figo-da-barbaria. O mais velho, o mais vivo.
«Café: cor de mole, de folha que cai. Terra.
«Amarelo: loucura, doença, medo. Parte do sol e da alegria.
«Azul-cobalto: eletricidade, pureza. Amor.
«Negro: nada é absolutamente negro.
«Folha verde: ainda mais louca, o mistério. Todos os fantasmas estão vestidos de roupas com esta cor... em todo o caso, as suas roupas interiores.
«Verde-escuro: cor de mas augúrios e de bons negócios.
«Azul-marinho: distância. A ternura e às vezes de um azul assim.
«Magenta: sangue? Quem sabe?»(1)
(1). Diário de Frida Kahlo
«Diego, começo
Diego, construtor
Diego, minha criança
Diego, meu noivo
Diego, pintor
Diego, meu amante
Diego, meu marido
Diego, meu amigo
Diego, minha mãe
Diego, meu pai
Diego, eu
Diego, universo
Diversidade na unidade
Mas por que é que eu digo Meu Diego?
Ele nunca será meu. Ele só pertence a si próprio.»
Excerto do livro DIEGO E fRIDA
De, J.M.G. Le Clézio
Relógio d' Água
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