Viver é...
Viver é uma peripécia. Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota. Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida. Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros. Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade. A vida não é fácil, nem justa, e não dá para a comparar a nossa com a de ninguém. De um dia para o outro ela muda, muda-nos, faz-nos ver e sentir o que não víamos nem sentíamos antes e, possivelmente, o que não veremos nem sentiremos mais tarde.
Viver é observar, fixar, transformar. Experimentar mudanças. E ensinar, acompanhar, aprendendo sempre. A vida é uma sala de aula onde todos somos professores, onde todos somos alunos. Viver é sempre uma ocasião especial. Uma dádiva de nós para nós mesmos. Os milagres que nos acontecem têm sempre uma impressão digital. A vida é um espaço e um tempo maravilhosos mas não se contenta com a contemplação. Ela exige reflexão. E exige soluções.
A vida é exigente porque é generosa. É dura porque é terna. É amarga porque é doce. É ela que nos coloca as perguntas, cabendo-nos a nós encontrar as respostas. Mas nada disso é um jogo. A vida é a mais séria das coisas divertidas.
Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'
Pintura de Ronaldo Mendes
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Efemérides... pois hoje um faria e outro faz hoje anos...
"Não se pode deixar a democracia unicamente entregue aos políticos".
domingo, 14 de outubro de 2012
Notícias da minha terra... tristes...
A casa onde Jorge de Sena passou férias...
Na Rua Fernandes Coelho, antiga Rua da Igreja. Foi nesta casa que o jovem Jorge de Sena passou férias no verão de 1936, ano do início da Guerra Civil de Espanha, no qual decorre a ação do romance "Sinais de Fogo".... já aqui falado neste Mar, em 2010 (AQUI).
Só agora o soube... Entrei nesta casa várias vezes... Vivia lá uma excelente professora e ao lado era a minha escola primária.
Na década de 90 as filmagens de "Sinais de Fogo" passaram por aqui...
Com tristeza assisto ao encerrar de uma livraria de referência na Figueira da Foz, "A Havaneza"...
Manteve-se sempre nas mãos dos mesmos donos... até ao envelhecimento da sua única herdeira e ao ter que se desfazer dela já por algumas dificuldades financeiras...
Só um romântico poderia ter pegado nesta pérola...
Não aconteceu... E, imagino, que o jovem Jorge de Sena também por aqui tenha passado...
Na Rua Fernandes Coelho, antiga Rua da Igreja. Foi nesta casa que o jovem Jorge de Sena passou férias no verão de 1936, ano do início da Guerra Civil de Espanha, no qual decorre a ação do romance "Sinais de Fogo".... já aqui falado neste Mar, em 2010 (AQUI).
Só agora o soube... Entrei nesta casa várias vezes... Vivia lá uma excelente professora e ao lado era a minha escola primária.
Na década de 90 as filmagens de "Sinais de Fogo" passaram por aqui...
Com tristeza assisto ao encerrar de uma livraria de referência na Figueira da Foz, "A Havaneza"...
Manteve-se sempre nas mãos dos mesmos donos... até ao envelhecimento da sua única herdeira e ao ter que se desfazer dela já por algumas dificuldades financeiras...
Só um romântico poderia ter pegado nesta pérola...
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Bom fim de semana...
Traz-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Cecília Meireles/Evelina Oliveira
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
" A Operação da Pedra" e "As Cores do Pensamento"
Hyeronimus Bosch (clicar) pintor de profissão, há mais de cinco séculos que intriga os espíritos sagazes que procuram decifrar-lhe os mistérios, descodificar-lhe a gramática, conferir enigmáticas profecias. Favorito de um rei beato, surrealista antes do tempo, a sua pintura é dieta inesgotável para estudiosos que nela encontram folclore, alquimia, a cabala, traço de alucinógeneos e até Freud ou Jung......
Assim o escreveu João Lobo Antunes....
domingo, 7 de outubro de 2012
Porque há domingos assim...
De Alexandre Cabanel , O Nascimento de Vénus
À flor da vaga, o seu cabelo verde,
Que o torvelinho enreda e desenreda...
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a razão se perde!
Pútrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.
O seu esboço, na marinha turva...
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os pés atrás, como voando...
E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co'a salsugem.
II
Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
_ Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.
E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
_ Ó fúlgida visão, linda mentira!
Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...
Vénus
Que o torvelinho enreda e desenreda...
O cheiro a carne que nos embebeda!
Em que desvios a razão se perde!
Pútrido o ventre, azul e aglutinoso,
Que a onda, crassa, num balanço alaga,
E reflui (um olfato que se embriaga)
Como em um sorvo, murmura de gozo.
O seu esboço, na marinha turva...
De pé flutua, levemente curva;
Ficam-lhe os pés atrás, como voando...
E as ondas lutam, como feras mugem,
A lia em que a desfazem disputando,
E arrastando-a na areia, co'a salsugem.
II
Singra o navio. Sob a água clara
Vê-se o fundo do mar, de areia fina...
_ Impecável figura peregrina,
A distância sem fim que nos separa!
Seixinhos da mais alva porcelana,
Conchinhas tenuemente cor de rosa,
Na fria transparência luminosa
Repousam, fundos, sob a água plana.
E a vista sonda, reconstrui, compara,
Tantos naufrágios, perdições, destroços!
_ Ó fúlgida visão, linda mentira!
Róseas unhinhas que a maré partira...
Dentinhos que o vaivém desengastara...
Conchas, pedrinhas, pedacinhos de ossos...
Poema de Camilo Pessanha
sábado, 6 de outubro de 2012
Uma visita que não tem data...

Fui ver e gostei muito, LISBOA STORY (AQUI).
No mesmo Terreiro, segundo uma opinião abalizada, poderia ter passado a existir o Museu da Cidade, localizado num belo Palácio, mas distante do coração da cidade...
Ficar no Páteo da Galé.... tão subaproveitado..., por exemplo...
Há que ir .... e desfrutar a praça mais linda em espaço e limpidez... O nosso Terreiro do Paço.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Memórias da linha de Cascais que se vão apagando...
Tenho assistido ao desmoronar lento e cuidado de um dos últimos redutos de Memória da II Guerra Mundial, o Hotel Atlântico, situado no Monte Estoril....
Vai dar lugar a um apartotel dizem, mas nas nossas memórias e só nas nossas , ficará a imagem daquele hotel que albergou espiões, neste caso os da Gestapo, porque os da Resistência instalavam-se no belo British Bar , uns metros à frente, e de lado oposto , hoje um restaurante de referencia ," O CIMAS."
Vai dar lugar a um apartotel dizem, mas nas nossas memórias e só nas nossas , ficará a imagem daquele hotel que albergou espiões, neste caso os da Gestapo, porque os da Resistência instalavam-se no belo British Bar , uns metros à frente, e de lado oposto , hoje um restaurante de referencia ," O CIMAS."
No seu Blogue, Irene Pimentel, traz uma completa história REVIVER O ESTORIL DURANTE A II GUERRA MUNDIAL. ( VER AQUI).
E eu acrescento algo que me toca profundamente... pois é o meu cantinho... "O Monte Estoril, génio dum outro século, conserva- se indenme da mácula estrangeirada. Conserva o seu ar de bucolismo português, de jardim de convento, de elegância antiga e recatada.
E não se sabe se o perfume do Monte Estoril, é essa graça saudosista de coisa portuguesa e de visão do passado - se o dos goivos, dos heliotrópios, das magnólias, dos lilases, das glicínias, do seu jardim de jardins... "
Este pequeno texto contrapõe -se a" um Estoril estrangeirado, enervante e banal como um mundo standardizado, cosmoplita e internacional"
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Subscrever:
Mensagens (Atom)






