Duas ou três coisas...
Domingo, recebi a visita de um amigo que me veio oferecer uns frutos secos da época da sua propriedade. Gentil. Entre dois dedos de conversa, que poderiam ter sido três... , falou-me da sua viagem à USA e do seu horror à forma como foi tratado no aeroporto e da destruição quase maciça da sua bagagem.
Nada que não soubéssemos.
Entretanto , ontem passei pela Gulbenkian, com a intenção de ainda participar um pouco no encontro qe tem como tema PORTUGAL E O HOLOCAUSTO, APRENDER COM O PASSADO, ENSINAR PARA O FUTURO. (aqui)
Bem , quando cheguei, fiquei em estado de choque com o aspeto e a real segurança ao vasculharem as malas e da passagem pelo detetor para ter acesso ao Auditório 2.
Fiquei sem saber se ía assistir a um concerto dedicado ao Holocausto, inauguração de uma belíssima exposição cronológica da história de Portugal e da Alemanha , desde 1926 até 1945 e ainda de um filme com testemunhos de judeus refugiados em Portugal , com histórias de vida e de guerra ou se ía embarcar para Nova York para assistir à tempestade Sandy.
Ora tendo o encontro sido organizado pela embaixada americana e pela fundação dirigida pela Lurdinhas de má memória... não espanta tão triste ostentação de segurança num país que ainda considero de acalmia no que concerne ao terrorismo...
Entre nós, terrorismo, só o que este governo implementa, para nos matar lentamente a uns e a outros fulminar.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
As imagens do João Viana.... Silhuetas..
Domingo, pela praia da Figueira da Foz, o João repete os seus passeios pela praia e pelo molhe norte à procura dos melhores momentos para um clik.
Sem exagero, na Figueira, vislumbram-se os mais belos pôr de sol que me são dados a ver....
Acontece no outono.
domingo, 28 de outubro de 2012
Notícias do Jaime... (continuação). A Europa alemã. Novas paisagens de poder sob o signo da crise
Amigos, antes de lerem este texto, podem passar por AQUI..... ,texto que antecede este, na magnífica tradução de Jaime Ferreira da Silva, professor universitário jubilado, Bochum, Renânia, Alemanha.
A luta para derrotar o Merkeavelismo...
.(Ulrich Beck, fotografia)
O livro ser-vos-à apresentado até à tradução final....
A luta para derrotar o Merkeavelismo...
.(Ulrich Beck, fotografia)
O livro ser-vos-à apresentado até à tradução final....
Beck, Ulrich (2012)
A Europa alemã. Novas paisagens de
poder sob o signo da crise
(Berlim:
Suhrkamp Verlag)
I. Como a crise do euro dilacera a Europa – e como
a liga [12-25]
1. A política de
austeridade alemã divide a Europa: os Governos aprovam-na, as populações
estão contra [12-15]
Ao contrário de reinos e impérios
históricos, cuja origem se encontra em mitos ou heróicas vitórias, a União
Europeia nasceu da agonia da guerra e como resposta ao horror do Holocausto.
Hoje é a ameaça existencial, provocada pela crise financeira e do euro, que
faz os Europeus cientes de que não vivem
na Alemanha, França, Itália, etc., mas sim na Europa. E na medida em que a
bancarrota do Estado, a crise económica e a decadência dos mercados de trabalho
colidem com expectativas mais ambiciosas, como consequência da expansão do
sistema educativo, a «geração da crise» experimenta também o seu destino
europeu.
Quase um em cada quatro Europeus, com
menos de 25 anos, não encontra trabalho e, além disso, muitos vão sobrevivendo
através de contratos de trabalho mal pago e a prazo. Na Irlanda e em Itália,
cerca de um terço dos jovens com menos de 25 anos está, oficialmente, sem
trabalho; na Grécia e em Espanha, em Junho de 2012, a taxa de desemprego dos
jovens rondava os 53%, em cada um destes dois países. Na Grã-Bretanha, desde o
início da crise financeira, em 2008, a taxa subiu de 15 para 22%. Em Tottenham,
onde rebentaram os distúrbios, no ano de 2011, para cada lugar de trabalho há
57 candidatos. (6)
Em toda a parte onde o precariado
académico acampou e ergueu a voz, reivindica-se justiça social – uma
reivindicação que em Espanha, Portugal, mas também na Tunísia, Egipto e Israel
é feita sem violência, mas de forma veemente. A geração do facebook transporta
este protesto, apoiada pela maioria da população dos respectivos países. A
Europa e a sua geração jovem estão unidas na ira contra uma política que salva
os bancos, com somas de dinheiro incalculáveis, mas que descura o futuro das
gerações jovens.
A crise e os programas para a salvação do
euro deixam sobressair os contornos de uma outra Europa, de um continente
dividido, [13] atravessado por novos fossos e fronteiras. Um destes fossos
ocorre entre os países do Norte e os do Sul, entre Estados credores e Estados
endividados. Uma outra fronteira separa os Estados da Zona Euro, obrigados a
agir, dos membros da UE que não aderiram ao euro e, agora, têm de assistir,
impotentes, por nelas não poderem participar, a tomadas de decisões-chave sobre
o futuro da União. Uma terceira cisão fundamental sobressai das eleições nos
países endividados, e vai ter consequências políticas duradouras: os
governantes aprovam os pacotes de medidas de austeridade, e as populações votam
contra. Torna-se visível, aqui, a tensão estrutural entre um projecto europeu
que é apresentado e gerido, de cima,
pelas elites político-económicas, e a resistência a ele, que vem de baixo. Os cidadãos defendem-se de uma
impertinência, sentida como altamente injusta, recusando-se a tomar um remédio
de efeitos provavelmente letais. Não só em Atenas, mas também em toda a parte,
na Europa, está a formar-se um movimento de resistência a uma política de
gestão da crise que – de acordo com o lema: socialismo de Estado para os ricos
e os bancos, neoliberalismo para a classe média e os pobres – está a abrir
caminho para levar a cabo uma nova repartição da riqueza de baixo para cima. O que fazem então os salvadores se os que devem
ser salvos não querem que os salvem? Em todo o caso, não da maneira apresentada
como sendo alegadamente «sem alternativa» pelos próprios Governos?
Outro paradoxo: assistimos a debates
apaixonados e a tremendas lutas de poder – e no fim de contas ficam todos a
perder. Na Alemanha, as pessoas estão furiosas por «dinheiro dos contribuintes
alemães» estar a ser desbaratado com «Gregos tesos», como se podia ler nas
parangonas sensacionalistas do Bild-Zeitung, apelando para os baixos instintos
dos leitores desse tablóide (neste trombone, porém, também tocou a revista
Stern, consumida por outro público da classe média, com uma capa que,
entretanto, assumiu uma lamentável notoriedade, mostrando a Afrodite de Milo de
dedo médio em riste, fazendo um gesto obsceno). Nos Estados em crise, por sua
vez, muitas pessoas consideram-se perdedoras, por a política de austeridade
alemã-europeia lhes roubar as bases da sua existência – e, simultaneamente,
também a sua dignidade. É assim que as populações, nos Estados membros da UE,
são manipuladas e instigadas umas contra as outras, a este nível rasteiramente
populista, sem se aperceberem de que elas todas,
no seu conjunto, são vítimas da crise financeira e das insuficientes
tentativas de a resolver.
[14] Portanto no futuro vai haver muitas
Europas, na Europa. Uma delas é a Europa de
baixo, a Europa dos cidadãos que
talvez nem sequer saibam (ou não queiram saber) que são cidadãos europeus.
Reside, aqui, um estado de espírito fatal, em que se misturam a insegurança, o
receio e a indignação, e que se manifesta na fórmula: «Não estou a entender
nada disto!» Crise dos bancos e crise financeira. A Europa em crise. O euro em
crise – cada dia outra coisa nova – ou é tudo, afinal, o mesmo? Todos estão
perplexos. E de certo modo desamparados. Em Agosto de 2011, o jornalista Holger
Gertz escreveu o seguinte, numa grande reportagem acerca do receio e da
confusão que reina na cabeça das pessoas: «É possível levar a cabo
manifestações contra a guerra, contra a energia nuclear, e de comovedora
clareza são estações de caminho de ferro ou pistas de aterragem já planeadas,
pois também é perfeitamente possível organizar manifs contra elas.» «Mas contra
a crise financeira?», e cita uma política de Berlim, do partido Die Linke. «O
que é que se pode então escrever nos cartazes de uma manif dessas? Crise, vai
pró raio que te parta?» (7)
Como é que se pode perceber que já mais
ninguém entenda seja o que for? Para encontrar resposta a esta pergunta, vou
seguidamente retomar teses que desenvolvi na minha obra teórica Sociedade de Risco e aperfeiçoei,
depois, em Sociedade de Risco Mundial.
Este não-saber que se está a difundir, segundo a minha interpretação, é uma
característica essencial de uma dinâmica a que estão expostas, no presente, as
sociedades ocidentais. (8) A sociedade de risco é, em determinado sentido,
também sempre uma sociedade do poderia
ser. As centrais de energia nuclear, cuja complexa vida interna nós não
compreendemos, poderiam avariar-se;
os mercados financeiros, que até mesmo os “virtuosos” das especulações da bolsa
parecem já não entender, poderiam
entrar em colapso. Aqui, o modo condicional é um estado permanente: estamos
constantemente a antecipar, hoje, catástrofes que, amanhã, poderiam vir a
acontecer. Este modo condicional catastrófico irrompe, com violência, no meio
de instituições e no dia-a-dia das pessoas – não se pode calcular com precisão,
está-se nas tintas para a constituição e as regras democráticas, está carregado
de um não-saber explosivo, e arrasta para o sorvedouro todos os pontos de
orientação.
Estas ameaças difusas instituem, ao mesmo
tempo, algo como um sentimento de comunidade. Tomemos como exemplo a crise do
euro: sociedades inteiras fazem a experiência comum de como, perante os
programas de austeridade, no [15] elevador, são transportadas para um piso
inferior. Em toda a Europa, uma geração inteira está a ser confrontada com o
facto de ninguém precisar dela, se as curvas da bolsa apontarem para baixo,
abruptamente. As consequências da crise não se detêm nas fronteiras nacionais,
porque as imbricações, no âmbito da sociedade globalizada, já são muito
estreitas. Então as pessoas perguntam-se: Se a Grécia cair na bancarrota, a
minha pensão de reforma, na Alemanha, ainda está garantida? Mas afinal o que é
que significa a «bancarrota de um Estado»? Que implicações é que ela tem para
mim? O facto de serem precisamente os bancos – que, normalmente, protestam, com
veemência, contra toda a intervenção do Estado – a pedirem ajuda a Estados
endividados, e o facto de estes Estados, efectivamente, disponibilizarem somas
astronómicas –, quem é que, ainda há poucos anos, seria capaz de pensar numa
coisa destas? Hoje são todos capazes. O que não quer dizer, porém, que haja
alguém que entenda isto. (9)
Como está exposto na minha obra Sociedade de Risco, a expectativa,
profundamente alojada no quotidiano, de uma catástrofe global, constitui uma
das grandes formas de mobilização do nosso tempo. Este tipo de ameaça,
percepcionada em todo o mundo, torna possível que se faça a experiência da
relação, não raro aborrecida, que há entre a nossa própria vida e a vida de
outros seres humanos, em outras regiões do mundo.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Fernando Botero vem aí... Novembro está próximo...
Nunca esquecerei a mega exposição de escultura que durante meses esteve patente na Praça do Comércio em Lisboa da autoria de Fernando Botero.
Além de passar todos os dias a caminho da minha escola, no Castelo de S. Jorge, também rapidamente lá chegava com os meus alunos que se divertiam imenso com aquelas figuras hiper redondas e lascivas...
Hoje, repetida , na beleza em que se tornou esta nossa Praça seria um outro desfrute ...
Isto para vos dizer que em novembro, 14, vai ser inaugurada uma nova exposição, como (Aqui) podem ver, mas de temática bem diferente....
Aguardemos pois....
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Notícias do Jaime... "A Europa Alemã", (continuação)
Como foi proposto AQUI, na primeira parte da tradução do livro do sociólogo alemão, Ulrich Beck," A Europa Alemã", hoje mais duas páginas chegaram atá mim...
Beck, Ulrich (2012)
A Europa alemã. Novas paisagens de
poder sob o signo da crise
(Berlim: Suhrkamp Verlag)
Introdução: [9-11]
A Alemanha perante a decisão do ser ou não ser da
Europa
«Hoje, o parlamento federal alemão decide
o futuro da Grécia», ouço dizer, no fim de Fevereiro de 2012, nos noticiários
radiofónicos. Nesse dia tinha lugar uma votação acerca do segundo «pacote de
ajuda», associado a imposições de austeridade e a condições obrigando a Grécia
a aceitar ingerências na sua soberania orçamental. É claro que é assim mesmo,
diz uma voz, no interior do meu peito. A outra, porém, pergunta, sem poder
acreditar no que acabara de ouvir: Como é possível uma coisa destas? Mas afinal
o que significa que uma democracia decide, pela votação, o destino de uma outra
democracia? Bem, os Gregos precisam de dinheiro dos contribuints alemães. As
medidas de austeridade impostas, porém, equivalem a uma limitação do direito de
autodeterminação do povo grego.
Nessa altura, chocante era não só o
conteúdo da asserção, mas também a maneira como tal situação, na Alemanha, era
considerada perfeitamente normal. Escutemos isto, de novo, com mais atenção: o
parlamento alemão – e não o grego – decide o futuro da Grécia. Será que uma
coisa destas faz sentido?
Vamos fazer um pequeno
“Gedankenexperiment”, ou seja, usemos uma palavra alemã que não se costuma
traduzir e que significa algo como uma simulação mental de uma experiência.
Admitamos então que os Alemães iriam ser convidados a decidir, por votação, se
a Grécia, agora (portanto no Verão de 2012, quando este texto está a ser
elaborado), haveria de sair do euro. O resultado previsível seria: «Acrópole,
adeus!” – como se podia ler na capa da revista “Der Spiegel”. (2) Vamos ainda
admitir que os Gregos iriam ter que responder à mesma pergunta, num plebiscito.
O resultado provável teria sido uma clara maioria (segundo uma sondagem de Maio
de 2012, cerca de 85%) a favor da permanência no euro. (3)
Como iria ser possível resolver estas
discrepâncias nas decisões de democracias nacionais? Qual é a democracia que
leva a melhor? Com que direito? Com que legitimação democrática? Ou será que as
constrições económicas desempenham, aqui, um papel-chave? Será que, afinal, a
retenção de créditos constitui [10] a alavanca de poder decisiva? Ou a Grécia,
o país que inventou a democracia, perde, por causa do peso das suas dívidas,
possivelmente também o direito à
autodeterminação democrática?
Em que país, em que mundo, em que crise
estamos nós a viver... quando uma tal interdição democrática, levada a cabo por
outra democracia, não provoca o menor
escândalo? Neste processo, a fórmula «Hoje, o “Bundestag” decide o destino da
Grécia» peca por insuficiência. É que, aqui, já não se trata apenas da Grécia.
Trata-se da Europa. «Hoje, a Alemanha decide o ser ou não ser da Europa» – esta
frase é que exprime, com precisão, o estado da atual situação mental e política
do momento histórico que atravessamos.
A União Europeia tem 27 Estados membros, com
os Governos e Parlamentos respectivos, dispõe de um Parlamento próprio, de uma
Comissão, de um Tribunal, de uma encarregada de Negócios Estrangeiros, de um
Presidente da Comissão Europeia, de um Presidente do Conselho Europeu, etc.,
etc. Mas a crise financeira e do euro catapultou a Alemanha, com o seu poderio
económico, para a posição de grande potência decisiva da Europa. Em escassos
setenta anos, a Alemanha que, depois da Segunda Guerra mundial e do Holocausto,
estava de rastos, tanto moral como materialmente, passou de aluno aplicado para
mestre-escola da Europa. De acordo com a autocompreensão dos Alemães, a palavra
«poder», tanto ontem como hoje, continua a ser considerada palavra suja,
preferindo-se por isso substituí-la por «responsabilidade». Os interesses
nacionais ficam discretamente escondidos por detrás de grandes palavras como
«Europa», «paz», «cooperação» ou «estabilidade económica». Quem ousar
pronunciar a fórmula de poder da «Europa alemã» quebra este tabu. Seria ainda
muito pior dizer: a Alemanha assume a «chefia» da Europa, porque a palavra
alemã «Führung», para “chefia”, faz logo lembrar o «Führer» Adolfo Nazista, ou
o «duce» do fascismo italiano. (4) Por isso só se poderá dizer, de acordo com
este código eufemista alemão: a Alemanha assume «responsabilidade» pela Europa.
A crise da Europa, porém, está a
agudizar-se e a Alemanha vê-se colocada perante a decisão histórica de: ou
revitalizar, contra todas as resistências, a visão da Europa política; ou
manter, porém, a política do ir-se arranjando no meio da crise e da táctica
domesticadora da hesitação – e isto «até que o euro nos separe». A Alemanha
tornou-se demasiado poderosa para poder dar-se ao luxo de não tomar qualquer
decisão.
[11] Na esfera pública alemã, o facto de
ter chegado este «momento de decidir» é raras vezes mencionado, embora o seja,
e muito claramente, nos comentários de observadores estrangeiros. Por exemplo,
Eugenio Scalfari, jornalista e escritor italiano, argumenta da seguinte
maneira: «Se a Alemanha levar a cabo uma política financeira que conduza ao
fracasso do euro, então os Alemães terão que assumir a responsabilidade pelo
fracasso da Europa. Isto seria a sua quarta culpa, depois das duas guerras
mundiais e do Holocausto. A Alemanha tem que assumir, agora, a sua
responsabilidade para com a Europa.» (5)
Ninguém deverá ter dúvidas quanto a este
ponto: numa «Europa alemã», a Alemanha seria sempre responsabilizada pelo
fracasso do euro e da UE.
(Tradução de Jaime Ferreira da Silva, professor jubilado , Bochum)
Divulgação... Auditório Sra da Boa Nova
Ontem assisti a um concerto no Auditório da Srª da Boa Nova pela Sinfonetta de Lisboa com
a participação de Pedro Jóia.
Foi um belo momento o da fusão de Pedro Jóia e da Orquestra, interpretando um Díptico de Lisboa : Barra do Tejo e Evocação do Fado Menor.
Ora o motivo desta conversinha convosco tem a ver com a divulgação de um espaço que precisa e ser frequentado.
Este auditório, pertence à Paróquia do Estoril e inclui um colégio, apoio a idosos e jovens em risco. (ocupa o antigo Bairro Fim do Mundo, antro de droga, consumo e venda, em S. João do Estoril).
Claro que também foi construído com o dinheiro dos munícipes.... pois a CMC colaborou.
É o único auditório do concelho de Cascais, com umas condições ao nível de um Centro Cultural de Belém, com uma programação erudita... mas com pouca frequência.
Ontem houve um apelo à sua divulgação... Penso que há um desfasamento , ou falta de comunicação, entre a entidade responsável, a Paróquia, e a CMC, pois a divulgação da programação nem sequer tem constado até aqui da Agenda Cultural. (coisa que não me espanta... )
4 de Novembro começará o Ciclo Mozart & Mendelssonhn.
18h 30m
1 de Dezembro 18h, Auditório Municipal Ruy de Carvalho
terça-feira, 23 de outubro de 2012
A Alemanha e as conversas do Jaime....
O HOMO TEUTONICUS actual
O Alemão contemporâneo,
ou seja, o HOMO TEUTONICUS representado por um universo de 82 milhões de
indivíduos, do qual também faço parte desde finais do século passado, pode
classificar-se em dois grandes grupos: o Alemão Burro e o Outro Alemão.
O Alemão Burro, em geral,
fala bávaro, suábio, alemânico, saxónico, turíngio, francónico, frísio...; os
seus bisavós e tetravós alcandoraram Hitler ao poder, legalmente, em 1933; hoje
satisfaz as suas necessidades intelectcuais lendo o maior tablóide da Europa,
que é também a maior nódoa da imprensa alemã e europeia, e em que Anja
Markiavel é taxada de “chanceler de ferro”, uma imagem fatal, porque vem aí
chuva abundante e aquele ferro vai apanhar muita ferrugem; vota nela, enquanto
não aparece o segundo Adolfo, que o ajude a dar cabo de tudo, outra vez, como
no “milénio” do III Reich, com maior eficácia e rapidez.
Não fala línguas
estrangeiras, a não ser, na melhor das hipóteses, um Inglês macarrónico, com
forte sotaque. Não se lhe peça que aprenda a falar Francês, por exemplo, porque
o Alemão Burro nunca irá entender os não Alemães, em geral, e muito em especial
os povos provenientes de culturas românicas. Mas gosta de passar férias em
Maiorca, lendo o maior tablóide para imbecis, e emborrachando-se de tal maneira,
após ter satisfeito as necessidades da pobre mioleira... que acaba por urinar
nos baldes de sangria... como os porcos na gamela. (Estas imagens, transmitidas
pelos canais privados de TV, foram proibidas, por serem demasiado chocantes).
O Outro Alemão descende
de uma elite intelectual, científica e artística que deu ao mundo génios como
Leibniz e Goethe, Einstein e Heisenberg, Kant e Hegel, Bach e Beethoven, Thomas
e Heinrich Mann, B. Brecht... e tantos outros que seria ocioso mencionar. Hoje
está representado por sociólogos como Ulrich Beck, professor jubilado da
Universidade de Munique, e docente da London School of Economics e da Harvard
University. Ou por filósofos como Jürgen Habermas, conhecido em todo o mundo
civilizado.
O Outro Alemão, na
Suábia, levou ao poder, recentemente, um político ambientalista (o
ministro-presidente Kretschmann) e, no domingo passado próximo, em Estugarda, o
primeiro burgomestre Verde, Fritz Kuhn.
O Outro Alemão prepara-se
para corrigir os desmandos da política desastrada de Anja Merkiavel, a filha do
pastor que bem gostaria de ter formato de estadista, coitada, mas que não passa
de mais uma banal cínica de poder, com um apetite ávido pelo tacho, como tanta
outra gentinha do nível rasteiro dela.
Resumindo: até Setembro
futuro próximo, o mundo irá assistir ao duelo entre o Alemão Burro e o Outro
Alemão.
Como militante do SPD
(mas tão desiludido que nunca ponho os pés nas reuniões organizadas pelos
zelosos funcionários para entreterem quem vai pagando as quotas)... espero que
o Outro Alemão leve a melhor.
Para bem da Europa e do
mundo. E... last but
not least... da própria Alemanha!
Afinal… também sou Alemão,
repito… não obstante os esforços desesperados do taxista sr. Schneider,
ativista nazi convicto... para tentar impedir-me de o fazer... uma cena tão
imbecil e grotesca... que nem vale a pena dar mais pormenores.
[Bochum, terça, 23 de
Outubro de 2012], Jaime Ferreira da Silva
domingo, 21 de outubro de 2012
Notícias do Jaime.... « A Europa Alemã», partes (0) e (1)
Vamos lá preparando a visita de "Merkiavel".... para Novembro...
Mão amiga.... lutador incansável desta "forma " de Europa, mas crente numa outra, se Merkel desaparecer nas eleições de 2013... , Jaime Ferreira um estudioso de filosofia e sociologia, apresenta-nos, "petit à petit"... a tradução de um pequeno livro saído na Alemanha, do sociólogo alemão, Ulrich Beck (1944)
Vão passando pois pelo Mar....
Beck, Ulrich (2012)
A Europa alemã. Novas paisagens de
poder sob o signo da crise
(Berlim: Suhrkamp Verlag)
(0)Índice [p. 5]
Prefácio
Introdução: a Alemanha
perante a decisão do ser ou não ser da Europa
I. Como a crise do euro
dilacera a Europa – e como a liga
1. A política de
austeridade alemã divide a Europa: os Governos aprovam-na, as populações
estão
contra
2. Os sucessos da União
Europeia
3. A cegueira da economia
4. Política interna
europeia: o conceito de política referida ao Estado nacional é anacrónico
5. A crise da União
Europeia não é uma crise de endividamento
II. As novas coordenadas
de poder na Europa: como se chega à Europa alemã
1. A Europa ameaçada e a crise da política
2. A nova paisagem de poder na Europa
3. «Merkiavel»: a hesitação como táctica
domesticadora
III. Um contrato social para a Europa
1. Maior liberdade através de mais Europa
2. Maior segurança social através de mais Europa
3. Mais democracia através de mais Europa
4. A questão do poder: quem é capaz de impor o
contrato social?
5. Uma Primavera europeia?
[p. 6 ]
(1)Prefácio [pp. 7-8]
Será
que, quando o leitor tiver este livrinho entre mãos, na Grécia se voltará a
efectuar pagamentos em dracmas ou, até na própria Alemanha, em marcos alemães?
Ou será que o leitor vai sorrir destes cenários sombrios, por a crise ter sido
superada, há muito, e a Europa política ter saído dela, fortalecida? Já o
simples facto de se fazerem estas perguntas, o andar às apalpadelas na névoa da
incerteza, diz muitas coisas acerca do estado volátil da Europa e do risco de
se querer entendê-lo.
Todos
sabem isso, mas dizê-lo, explicitamente, é o mesmo que quebrar um tabu: a
Europa tornou-se alemã. Ninguém o quis, deliberadamente, mas, em face do
colapso do euro, a potência económica que é a Alemanha «resvalou» para a
posição de grande potência europeia decisiva. O historiador inglês Timothy
Garton Ash escreveu o seguinte, sobre este assunto, em Fevereiro de 2012.
No ano de 1953, Thomas Mann proferiu, em
Hamburgo, um discurso perante estudantes em que lhes implorou que não lutassem
por « Europa alemã» uma mas sim por uma« Alemanha europeia» . Este
fórmula foi repetida, vezes sem conta, nos dias da reunificação alemã. Hoje,
porém, assistimos a uma variação dela que só poucos tinham previsto: uma
Alemanha europeia, em uma Europa alemã.(1)
Como é
que foi possível acontecer isto? Quais são as suas consequências? Que futuros
ameaçadores haverá, ou que vantagens aliciantes? Tudo isto são questões que
irei discutir, neste trabalho.
Presentemente, o debate público é quase exclusivamente dominado pela
perspectiva da economia, o que parece ser um pouco absurdo, se nos lembrarmos
de como os próprios economistas foram surpreendidos pela crise. O problema que,
aqui, reside, é o seguinte: a perspectiva económica não vê que não se trata
apenas de uma crise da economia [8] (e do pensamento económico) mas antes, muito
em especial, de uma crise da sociedade e da política – e da compreensão
predominante de sociedade e de política. Não sou eu portanto que, como
sociólogo, estou a fazer incursões no terreno alheio da economia, a economia é
que se esqueceu da sociedade de que ela trata.
A
minha intenção é propor, neste trabalho, uma nova interpretação da crise.
Gostaria de tentar analisar, detidamente, as notícias que se vêem, diariamente,
nos programas televisivos ou nas parangonas dos jornais, e investigar o seu
relacionamento mútuo. A leitura que ofereço assenta no quadro de referência da
minha teoria da sociedade de risco. Esta perspectiva, focada num modernismo sobre
o qual se perdeu o controle, que apresentei nas obras respectivas, vai ser,
aqui, desenvolvida em relação à crise da Europa e do euro.
Para
superar a crise precisamos, de acordo com um ponto de vista muito difundido, de
mais Europa. Este “mais Europa”, porém, encontra cada vez menos adesão nas
sociedades dos Estados membros. Poder-se-á pensar na consumação da união
política partindo destes pressupostos? Em uma política fiscal, económica e
social comum? Ou, no decurso da união política, deixou-se de fora, durante
muito tempo, a questão decisiva, ou seja, a questão da sociedade europeia,
ignorando-se o soberano, ou seja, o cidadão?
Put
society back in it! Não se esqueçam da
sociedade! O objectivo deste trabalho é dar visibilidade, na crise financeira,
às modificações do poder e à nova paisagem de poder, na Europa.
sábado, 20 de outubro de 2012
Manuel António Pina.... 1943-2012... As suas palavras...
Amor como em Casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina, in "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo. Calma é Apenas um Pouco Tarde"
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