quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Leituras breves...
O velho e o mar
Qui 13 Dezembro 2012
Até me fica mal dizer isto, mas confesso que, de quando em quando, chego a ter pena do professor Cavaco. O vetusto presidente passa a maior parte do tempo mudo e quedo, decerto em reflexão, tão profunda quando inócua, sobre o mundo e o país que ajudou a criar. E é um deus-nos-acuda: que ele não diz nada quando deve dizer; que só fala a propósito de minudências como o estatuto dos Açores ou a vulnerabilidade do correio electrónico; ou ainda que, tal como a polícia e os maridos enganados, o presidente só aparece quando não é preciso.
E se, vez por outra, o homem quebra o silêncio, é outro ai-jesus. Porque, dizendo, acabou por nada dizer, ou porque disse o que não devia ter dito, ou porque muito simplesmente não disse coisa com coisa, o que, aliás, já começa a ser um hábito.
Recentemente, o presidente Cavaco Silva voltou a falar, o que serviu para ficarmos todos a saber que ainda não morreu. Falou no dia da greve geral, para dizer que ia trabalhar, e numa entrega de prémios a jornalistas, onde até tentou fazer uma piada. Não resultou, mas conta a intenção.
Falou, ainda, num congresso de comunicações, para, entre outras coisas, exortar os portugueses a «ultrapassar o estigma que afastou Portugal do mar, da agricultura e da indústria.» Assim mesmo. Não disse, mas a gente sabe, que esse estigma foi ele próprio quem no-lo lançou –quando, nos anos que se seguiram à entrada do nosso País no mercado comum, se empenhou com grande zelo em cumprir e fazer cumprir as ordens de Bruxelas no sentido de desmantelar o tecido produtivo nacional.
Durante anos (sobretudo naqueles em que Cavaco Silvafoi primeiro-ministro), agricultores receberam (muito) dinheiro para deixar as terras ao abandono, centenas de fábricas foram encerradas em nome da«competitividade», a frota pesqueira foi metodicamente abatida para satisfazer os desejos das grandes potências europeias.
Ao mesmo tempo, a saborosa fruta dos nossos pomares foi obrigada a normalizar-se segundo os «padrões europeus», os jaquinzinhos passaram à clandestinidade e o seu consumo começou a ser visto como uma espécie de pedofilia piscícola, e até o vinho-a-martelo ganhou estatuto legal –tudo para mostrar à «Europa» que merecíamos ser acolhidos no seu seio farto.
Foram, ainda assim, bastantes as vozes que então se fizeram ouvir e que tentaram, debalde, fazer ver aos incautos que todo esse delírio alegadamente modernizador teria um preço. Estamos agora a pagá-lo.
Por tudo isto, não deixa de ser curioso que seja, hoje, Cavaco Silva a incitar os portugueses a ultrapassar o estigma que tem o seu nome e a sua marca. Poderia pensar-se que se trata de um saudável exercício de autocrítica, mas era exigir demais e o pobre não tem estudos para tanto.
Por tudo isto, não deixa de ser curioso que seja, hoje, Cavaco Silva a incitar os portugueses a ultrapassar o estigma que tem o seu nome e a sua marca. Poderia pensar-se que se trata de um saudável exercício de autocrítica, mas era exigir demais e o pobre não tem estudos para tanto.
De Marx, receio que o presidente apenas conheça algumas citações avulsas do mano Groucho e um ou outro trejeito de Harpo. Mas, de Hemingway, suspeito que nem um parágrafo lhe tenha, alguma vez, causado qualquer emoção. Fosse o presidente um homem de outras leituras para lá dos diversos tomos de relatórios-e-contas que já lhe terão passado pela ponta dos dedos, e admitiria vislumbrar um assomo de arrependimento no seu apelo.
Pode dar-se o caso, também, de Cavaco ter a esperança de que, regressando ao mar, a maioria de nós já não volte. Afinal, o ministro Gaspar e os outros têm-se esforçado em fazer tudo para que a vida dos portugueses se torne ainda mais insuportável do que já era. Se uns quantos optarem por se atirar ao mar, sempre são uns cobres que se poupam nos funerais. Isto, pelo menos, é o que devem pensar as cabeças desabitadas dos senhores do governo. Nesta comédia amoral, o presidente, coitado, tem de fazer o seu papel. Pardo, naturalmente.
Jornal do Fundão | 13.Dez.2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Pela Figueira... portas que se abrem e fecham...
A Figueira da Foz foi hoje notícia por boas e más razoes....
Uma, o Prémio da Leya para um jovem figueirense (ver aqui), Nuno Camarneiro.
Notícia ruim. A ultima edição do Jornal Figueirense, a 28 /12, único elo de jornalismo local , que mantém as pessoas informadas sobre os acontecimentos locais.
Lamento a CMFF não ter hipótese de ficar com o jornal... e, à distância que estou, ignoro se houve algum esforço nesse sentido.
domingo, 16 de dezembro de 2012
sábado, 15 de dezembro de 2012
Com gosto ou a contra gosto...o melhor possível para o vosso fim de semana
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny/Gabriel Pacheco
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
Mário Cesariny/Gabriel Pacheco
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
Coisas do Natal e de todos os dias....
.
Gosto muito de livros POP UP....
A minha coleção, a juntar aos que guardei do meu filho,aumenta....
Um dia , serão como a farinha PERDILETA... para a avó e para a neta (o)....
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
domingo, 9 de dezembro de 2012
Memórias da Figueira...
Hoje, no Centro de Artes da Figueira da Foz, uma viagem ao passado com um pé no presente...
Bacalhoeiros na doca pesca da Figueira, 1938, quando ainda eram pretos. Durante a guerra acordou-se que fossem brancos para não serem abatidos por se confundirem com os submarinos.
Seca de bacalhau nos anos 30.
O Primeiro bacalhoeiro desta série data de 1898.
"O presente recicla sempre tudo o que está atrás", acaba de o dizer Eduardo Lourenço na RTP2
sábado, 8 de dezembro de 2012
Bom fim de semana...
A norte, neva... Ao centro e sul um um doce quente/frio, num país em que o sol pode a.judar a retemperar a almas.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Mitos...EUROPA era uma princesa fenícia.... e...

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O rapto de Europa, de Ticiano Vecellio (1559-1562) |

Seu nome pode ser interpretado em grego como "rosto largo", referindo-se à lua como uma antiga deusa lunar,mas esta pode ser uma etimologia popular: Ernest Klein sugere uma origem semítica no acadiano erebu "pôr-se" (em referência ao sol), ou seja, "Ocidente".
O MITO, AQUI
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