sábado, 2 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Escritos intemporais... e, bom fim de semana
O que José Luís Peixoto escreveu hoje na sua página do FB.
Escrevi estas palavras há mais de 10 anos, no romance "Uma Casa na Escuridão". Também podia ter acabado de as escrever agora:
"Ser feliz por momentos é algo de que não se deve ter vergonha. Momentos que o fim torna ridículos. A felicidade, como o amor, é um sentimento ridículo. Mas a felicidade, como o amor, só é ridícula quando vista de fora. A felicidade, como o amor, só é ridícula antes ou depois de si própria. A felicidade são momentos que, no seu presente fugaz, são mais fortes do que todas as sombras, todos os lugares frios, todos os arrependimentos. Ser feliz em palavras que, durante essa respiração breve, mudam de sentido. E nem a forma do mundo é igual: o sangue tem a forma de luz, as pedras têm a forma de nuvens, os olhos têm a forma de rios, as mãos têm a forma de árvores, os lábios têm a forma de céu, ou de oceano visto da praia, ou de estrela a brilhar com toda a sua força infantil e a iluminar a noite como um coração pequeno de ave ou de criança. Momentos que o fim torna ridículos. Momentos que fazem viver, esperando por um dia, depois de todas as desilusões, depois de todos os arrependimentos e fracassos, em que se possam viver de novo, para de novo chegar ao fim e de novo a esperança e de novo o fim. Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ter sido feliz por momentos."
Imagem google sem autor
José Gomes Ferreira ... o poeta
Agora, apodrecer
Agora, apodrecer.
Nas ruas, no suor das mãos amigas dos amigos, na pele dos espelhos...
desespero sorrido, carne de sonho público, montras enfeitadas de olhos...
...mas apodrecer.
Bolor a fingir de lua, árvores esquecidas do princípio do mundo...
"como estás, estás bem?", o telefone não toca! devorador de astros...
... mas apodrecer.
Sim, apodrecer
de pé e mecânico,
a rolar pelo mundo
nesta bola de vidro,
já sem olhos para aguçar peitos
e o sol a nascer todos os dias
no emprego burocrático de dar razão aos relògios,
cada vez mais necessários para as certidões da morte exata,
Sim, apodrecer ...
"...as mãos, a còlera, o frio, as pálpebras, o cabelo
a morte, as bandeiras, as lágrimas, a república, o sexo...
... mas apodrecer!
Sujar estrelas.
Agora, apodrecer.
Nas ruas, no suor das mãos amigas dos amigos, na pele dos espelhos...
desespero sorrido, carne de sonho público, montras enfeitadas de olhos...
...mas apodrecer.
Bolor a fingir de lua, árvores esquecidas do princípio do mundo...
"como estás, estás bem?", o telefone não toca! devorador de astros...
... mas apodrecer.
Sim, apodrecer
de pé e mecânico,
a rolar pelo mundo
nesta bola de vidro,
já sem olhos para aguçar peitos
e o sol a nascer todos os dias
no emprego burocrático de dar razão aos relògios,
cada vez mais necessários para as certidões da morte exata,
Sim, apodrecer ...
"...as mãos, a còlera, o frio, as pálpebras, o cabelo
a morte, as bandeiras, as lágrimas, a república, o sexo...
... mas apodrecer!
Sujar estrelas.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Leituras breves e plenas de atualidade.
Cada vez mais desesperado. Olho, olho, e só vejo negrura à minha volta. Fé? Evidentemente... Enquanto há vida, há esperança — lá diz o outro. Mas, francamente: fé em quê? Num mundo que almoça valores, janta valores, ceia valores, e os degrada cinicamente, sem qualquer estremecimento da consciência? Peçam-me tudo, menos que tape os olhos. Bem basta quando a terra mos cobrir! — Ah! mas a humanidade acaba por encontrar o seu verdadeiro caminho — dizem-me duas células ingénuas do entendimento. E eu respondo-lhes assim : Não, o homem não tem caminhos ideais e caminhos de ocasião. O homem tem os caminhos que anda. Ora este senhor, aqui há tempos, passou três séculos a correr atrás dum mito que se resumia em queimar, expulsar e perseguir uns outros homens, cujo pecado era este: saber filosofia, medicina, física, astronomia, religião, comércio — coisas que já nessa época eram dignas e respeitáveis.
Miguel Torga, in "Diário (1942)"
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Olhares...
Gertude Kasebier, uma das maiores fotógrafas do princípio do séc. XX, americana, que tentou ao máximo aproximar a fotografia da pintura.
Ver AQUI
Ser ou não ser.. Leitura breves
Sermos nós próprios, unicamente nós próprios, é algo de extraordinário.
Mas como chegar a isso, como alcançá-lo? Ah!, eis o truque mais difícil de todos. Difícil , precisamente, porque não envolve qualquer esforço. (...)
E eis que de repente lhe surgiu a ideia - tão simples! - Que ser um Zé-ninguém ou ser Alguém ou ser mesmo toda a gente não o impedia de ser ele próprio. Se era realmente um palhaço, então sê-lo ía sempre, desde a hora madrugadora do levantar até ao momento noturno de fechar os olhos
Excerto do livro de Henry Miller, O SORRISO AOS PÉS DA ESCADA
Pintura de Pedro Pascoinho, pintor figueirense, 2012
Mas como chegar a isso, como alcançá-lo? Ah!, eis o truque mais difícil de todos. Difícil , precisamente, porque não envolve qualquer esforço. (...)
E eis que de repente lhe surgiu a ideia - tão simples! - Que ser um Zé-ninguém ou ser Alguém ou ser mesmo toda a gente não o impedia de ser ele próprio. Se era realmente um palhaço, então sê-lo ía sempre, desde a hora madrugadora do levantar até ao momento noturno de fechar os olhos
Excerto do livro de Henry Miller, O SORRISO AOS PÉS DA ESCADA
Pintura de Pedro Pascoinho, pintor figueirense, 2012
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Momentos...
"o suporte da música pode ser a relação
entre um homem e uma mulher"
Vasco Graça Moura/Joyce Hesselberth
domingo, 27 de janeiro de 2013
Mozart, nasceu a 27 de Janeiro de 1756
As paixões sejam elas violentas ou não nunca se devem expressar quando chegam a um ponto desagradável; a Música, mesmo nas piores situações, nunca deve agredir aos ouvidos, mas sim cativá-los e continuar sempre Música.
Mozart, citação
Mar, sim...
sábado, 26 de janeiro de 2013
Tréguas à chuva... Bom domingo
E.. para sorrir, a partilha de um comentador (a) "anonymus" ...
Por este Mar, passa gente boa, muito boa e outros que o gostariam de o ser...
Esta é a minha visita, pela primeira vez aqui. Eu encontrei tantas coisas interessantes no seu blog especialmente a discussão sua. Do toneladas de comentários em seus artigos, eu acho que não sou o único a ter todo o prazer aqui! manter o bom trabalho.
Pintura de Leonid Afremov
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Olhares...
Fotografia de Cristiana Ceppas
Paro, escuto, mas não te olho.
Paro, olho, mas não te escuto.
Olho, escuto, mas não paro...
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