quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Porque hoje é quinta feira...

O amor continua muito alto,
Muito acima, muito fora
Da vida, muito raro
E difícil: maravilhoso
Quando devia ser fiel,
Fiel em cada dia,
Paciente e natural em cada dia,
Profundo e ao mesmo tempo aéreo,
Verde e simples,
Como uma árvore!

Alexandre O´Neill/Kim Rosen

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Momentos de ouro.... De um ano para o outro cumpriram-se os anos , 85...


ERA UMA VEZ

A loisa negra em que o menino escreve
aquilo
que a razão,
por qualquer voz,
lhe ensinou.

E a esponja lava o que o menino escreve

O menino,
a esponja,
a loisa,
são tal e qual o que eu sou.

  Poema de Álvaro Feijó


Uma viagem ao mundo do artista António Viana



ANTÓNIO VIANA, artista plástico, com um original site onde pode ser feita uma viagem interessantíssima através do seu portefólio e biografia. (aqui)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Bom fim de semana...

                                                                   

Passo por aqui para vos deixar algumas cores que são de tal forma reparadoras de estados de alma, que espero que produzam o mesmo efeito junto de vós, se for caso disso. 
Aos amigos com casinhas virtuais onde costumo ir buscar o néctar do vosso sentir, digo:
- Não desapareci.... Somente, ando cansada . 

   Pintura de Vik Muniz 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

E, pelo mundo dos livros vamos continuando... Hoje, veio-me este à memória...

Memória, História e HistoriografiaCoimbra, Quarteto, 2001.

"O historiador só não se enrederá na sedução consensualizadora da memória e da legitimação da 'história dos vencedores' se tiver a ousadia de também perguntar: que versão do passado domina e quem é que a pretende preservar? E por quê? E o que é que, consciente ou inconscientemente, ficou esquecido?" (Da contra-capa)

Coimbra, Quarteto Editora, 2001

E, para saber mais da bibliografia  do Professor Fernando Catroga e  de outras  conversas, se estiver no FB, pesquise o mural com o nome AMIGOS E ADMIRADORES DO PROFESSOR DOUTOR FERNANDO CATROGA e associe-se.
É uma mais valia...

Pintura de Pedro Pascoinho, 2012


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Agora, livro meu, vai, vai para onde o acaso te leve."


Bairro Alto, subindo a Rua do Norte,deparamo-nos com relíquias... Alfarrabistas.
Livros intemporais e muito pó..

."Os leitores servem-se dos livros como os cidadãos dos homens. Não vivemos com todos os nossos contemporâneos, escolhemos alguns amigos."

Voltaire



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Olhares... especiais



Fotografias de LucienClergue, de 1978.
O grande fotógrafo acaba de ser nomeado Membro Superior da Academia de Belas Artes, em Paris.

É o primeiro fotógrafo a ocupar este cargo.
Clergue tem 78 anos e prepara um livro de fotografia sobre Oscar Niemeyer e Brasília.
Aos 18 anos encontrou Picasso depois de uma corrida. Segundo Clergue, diz que tudo deve a Picasso.
Mantiveram uma sã relação de amizade, até ao fim da vida do pintor.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

«-Como se chama o teu vinho? - Não se chama, assobia-se.»

Acabado de jantar. Um bom vinho para aquecer o corpo e alma.
Notícias terríveis. Mas resisto...
....
Dei este livro ao meu filho no Natal de  2007.
Sei que gostei dele porque sempre gostei de Bernard Pivot, mas à época, este conteúdo interessou-me. 
Pedi-o emprestado para  o ir lendo. Também acabo de ver na net que está à venda por 4,90 euros .
Agora está comigo.


Um livro escrito ao sabor da memória, cheio de histórias únicas, divertidas, culturais e saborosas.
Nesta obra, Bernard Pivot fala apenas do que conhece, do que gosta, e do que o apaixona. Há nela autobiografia, leituras, recordações de fermentação, de adega, de mesas e de balcões de taberna, retratos de homens amantes do vinho, de vinhateiros, de adegas, de garrafas, de saca-rolhas, de taças, de provas, de aromas, de todo este conjunto de objectos, de sensações e de palavras que acompanha Casanova na sua eterna conquista de boas garrafas. 
Mas o essencial é isto: o vinho é cultura. Cultura da vinha mas também cultura do espírito. É esta dimensão cultural de um produto de consumo universal que este livro tem a ambição de evocar. Nada ultrapassa o pão e o vinho na memória mítica e alimentar do homem. Os dois estão unidos no trabalho e no repouso, no esforço e no prazer, e sobre a mesa da refeição originária do milagre cristão. O vinho é uma recompensa e um interdito.


A propósito de reencarnação, atentemos nesta quadra de Ronsard:

 Quando a morte me vier levar
Se, pelo menos, sou digno  
 De que os deuses me venham transformar,
Quero ser uma flor de videira.-NNão se 

Pintura de Jacopo Bassano (1510-1592)

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Escritos intemporais... e, bom fim de semana




O que José Luís Peixoto escreveu hoje na sua página do FB.


Escrevi estas palavras há mais de 10 anos, no romance "Uma Casa na Escuridão". Também podia ter acabado de as escrever agora: 

"Ser feliz por momentos é algo de que não se deve ter vergonha. Momentos que o fim torna ridículos. A felicidade, como o amor, é um sentimento ridículo. Mas a felicidade, como o amor, só é ridícula quando vista de fora. A felicidade, como o amor, só é ridícula antes ou depois de si própria. A felicidade são momentos que, no seu presente fugaz, são mais fortes do que todas as sombras, todos os lugares frios, todos os arrependimentos. Ser feliz em palavras que, durante essa respiração breve, mudam de sentido. E nem a forma do mundo é igual: o sangue tem a forma de luz, as pedras têm a forma de nuvens, os olhos têm a forma de rios, as mãos têm a forma de árvores, os lábios têm a forma de céu, ou de oceano visto da praia, ou de estrela a brilhar com toda a sua força infantil e a iluminar a noite como um coração pequeno de ave ou de criança. Momentos que o fim torna ridículos. Momentos que fazem viver, esperando por um dia, depois de todas as desilusões, depois de todos os arrependimentos e fracassos, em que se possam viver de novo, para de novo chegar ao fim e de novo a esperança e de novo o fim. Não se deve ter vergonha de se ser feliz por momentos. Não se deve ter vergonha da memória de se ter sido feliz por momentos."



Imagem google sem autor


José Gomes Ferreira ... o poeta

Agora, apodrecer

Agora, apodrecer.
Nas ruas, no suor das mãos amigas dos amigos, na pele dos espelhos...
desespero sorrido, carne de sonho público, montras enfeitadas de olhos...

...mas apodrecer.

Bolor a fingir de lua, árvores esquecidas do princípio do mundo...
"como estás, estás bem?", o telefone não toca! devorador de astros...

... mas apodrecer.

Sim, apodrecer
de pé e mecânico,
a rolar pelo mundo
nesta bola de vidro,
já sem olhos para aguçar peitos
e o sol a nascer todos os dias
no emprego burocrático de dar razão aos relògios,
cada vez mais necessários para as certidões da morte exata,

Sim, apodrecer ...

"...as mãos, a còlera, o frio, as pálpebras, o cabelo
a morte, as bandeiras, as lágrimas, a república, o sexo...

... mas apodrecer!

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