quarta-feira, 12 de junho de 2013

O que eu tinha que saber de cor.... E viva o Santo António...




O PASSEIO DE SANTO ANTÓNIO


Saíra Santo António do convento,
a dar o seu passeio costumado
e a decorar, num tom rezado e lento,
um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
o divino sermão piedoso e brando,
e nem notou que a tarde esmorecia,
que vinha a noite plácida baixando...

E andando, andando, viu-se num outeiro,
com árvores e casas espalhadas,
que ficava distante do mosteiro
uma légua das fartas, das puxadas..

Surpreendido por se ver tão longe,
e fraco por haver andado tanto,
sentou-se a descansar o bom do monge,
com a resignação de quem é santo...

O luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
o Menino Jesus baixou do céu,
pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
ele trazia... o coração no peito.

Sem suspentarem de que alguém os visse,
trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
— Ó Frei António, o que foi aquilo?...

O santo, erguendo a manga do burel
para tapar o noivo e a namorada,
mentiu numa voz doce como o mel:
— Não sei que fosse. Eu cá não ouvi nada...

Uma risada límpida, sonora,
vibrou em notas de oiro no caminho.
— Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
— Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho...

— Tu não estás com a cabeça boa...
Um passarinho a cantar assim!...
E o pobre Santo António de Lisboa
calou-se embaraçado, mas, por fim,

corado como as vestes dos cardeais,
achou esta saída redentora:
— Se o Menino Jesus pergunta mais,
... queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
e contra aquele amor sem casamento,
pegou-lhe ao colo e acrescentou: — Jesus,
são horas...
------------ E abalaram prò convento.

Augusto GilLuar de Janeiro,
Sintra, Manuscrito Editores, 1984

(fotografia surripiada aos Amigos de Lisboa)

"subitamente" lembrei-me de Cipriano Dourado


Dia 13 está aí... e Lisboa plena de coisas boas. Entre elas...


                                       
                                                            ( clicar para ampliar)

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Como comecei a "comemorar" o meu 10 de junho...


No sábado fui até ao Padrão dos Descobrimentos à inauguração de uma exposição dedicada ao Infante D. Henrique. 
Poucas vezes atravesso para aquele lado do rio... Fico-me pelo jardim das Oliveiras , esplanada, e daí observo a grandiosidade do monumento das Descobertas da criação de Leopoldo de Almeida.













Uma pequena exposição à escala do espaço onde se insere, de concepção irrepreensível, mas altamente didática,.uma exposição que talvez devesse ter surgido mais cedo para poder ser visitada por escolas.

* Peço desculpa pela repetição de uma imagem. Mas é uma trabalheira apagar tudo. Nunca encontrei forma de corrigir estes erros no blogger.

domingo, 9 de junho de 2013

Bom domingo...

A minha manhã acabou aqui, à hora que faço uma adenda a este post. Prolongou-se mais do que o 
pensado...
Mas como resistir ao prazer destes manos, que consumi em doses foretes por volta dos meus 14, 15 anos e por aí fora.
E dei comigo a pensar alto: - Os únicos amores que são eternos,  são os clássicos das "nossas músicas"que em tempos idos aceleraram as nossas paixões diluídas no nosso mar ou num copo de água. 

sábado, 8 de junho de 2013

Momentos de ouro...

E... se vos não apetecer sair de casa, vejam , bem sentados no vosso sofá ou "orelhudo" o filme anteriormente falado. Isto, porque gosto de vós, ou não gosto, quem sabe(?)... 

Hoje, comi as minhas primeiras sardinhas. Perto de casa e com direito a sesta.
E não é que estavam muito boas!

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Bom fim de semana e bom filme se fôr caso disso...

                                 " O Latoeiro", De Mário Augusto, 1932, Museu Santos Rocha, Figueira da Foz

Delicioso filme. Gostei tanto que vos deixo aqui a dica para um destes dias esqueçam as agruras do dia a dia que vivemos neste país amaldiçoado pelos deuses e pensarem no vosso futuro....

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Faz hoje 45 anos que José Gomes Ferreira escreveu no seu diário. As palavras dos outros

6 de junho de 1965

Reunimos-nos todas as tardes na cave do Martinho - por necessidade de família fora da família.
Núcleo principal: o Abelaira, o Carlos, o Nikias, eu...
Muitas vezes o Manuel de Azevedo - leonino de  barba por rapar, desgravatado... Outros, o gigantão Baptista-Bastos cujos« soglans» indiscutivelmente contaminaram o actual  jornalismo portugês de sabor sensacional.
Volta e meia também vimos descer a escadaria o magramente solene Pinheiro Torres, de óculos desconfiados e pasta larga debaixo do braço.
O Magalhães Godinho aparece também com os seus trocadilhos de meia hora de férias diárias. Mas nenhum de nós quer ouvir trocadilhos! Só nos interessa discutir as últimas  notícias dos jornais, dissecar os boatos políticos, comparar opiniões sobre sobre o livro recém- saído...
Por fim, o Manuel Azevedo leva-nos de carro...
Tudo tão espectral, mesmo no momento  em que a vida se desenrola - objectiva e papável.

In, Passos Efémeros, Dias Comuns- 1
De José Gomes Ferreira
Publicações D. Quixote

Óleo de Nikias SkapinaKis, "25 de Abril", 1974


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Olhares...


                                                            Pintura de Georges Braque, 1905
"Na arte só uma coisa importa: aquilo que não se pode explicar"

Braque

A água e os direitos universais à mesma... Estórias e traições....


Para tradução, clicar em CC em baixo à direita.
Isto dá calafrios, gente!

Eu aprendi que o capitalismo havia de conseguir fazer dinheiro com a corda com que se há-de enforcar, mas até chegar à fase do enforcamento reparem na quantidade de possibilidades. Ontem eram as sementes, hoje é a água... o que será amanhã? Acho mesmo que só falta o ar que respiramos.

Acredito que não falte muito para termos de comprar botijas de ar respirável e quem não tiver dinheiro que se lixe a respirar o ar poluído.


terça-feira, 4 de junho de 2013

AZUL, um filme da minha vida...

Música do filme feita para reunificação da Europa.... 
Qual Europa?

Escultura exposta na ARTE MAR, paredão Cascais-Estoril

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Olhares, ideias....

 “Nos momentos de crises só a imaginação é mais importante que o conhecimento” -  Albert Einstein.

Óleos sobre tela de Giacomo Balla, pintor italiano (1871-1958), datadas de 1908.