domingo, 22 de setembro de 2013
"que as quatro estações te dêem alegria"
Não vivas nesta terra
Como um inquilino,
Ou em férias
Na natureza.
Vive neste mundo
Como se ele fosse a casa do teu pai.
Acredita na terra, no mar, na terra,
mas sobretudo no homem.
Sente a tristeza
Do louro que seca,
Do planeta que se apaga,
Do animal doente,
Mas antes de tudo, a tristeza do homem.
Que todos os bens terrenos
Te dêem alegria.
Que a sombra e a claridade
Te dêem alegria
Que as quatro estações
Te dêem alegria,
Mas sobretudo que o homem, que o homem
Te dê alegria.
NAZIM HIKMET
sábado, 21 de setembro de 2013
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
ó mar "Salgado"...
são lágrimas de Portugal .
Por ti, choramos quase todos...
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
O que a(s) campanha(s) eleitoral me sugeriu....
(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim
terça-feira, 17 de setembro de 2013
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
"Educai bem as criancinhas, para não punir os adultos"*
Libertação
Menino doido, olhei em roda, e vi-me
Fechado e só na grande sala escura.
(Abrir a porta, além de ser um crime,
Era impossível para a minha altura...)
Como passar o tempo?...E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me,
Desfiz trapos, arames, serradura...
Ah, meu menino histérico e precoce!
Tu, sim! Que tens mãos trágicas de posse,
E tens a inquietação da Descoberta!
O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta aberta!
José Régio, Poemas de Deus e do Diabo
* Por acaso ouvi esta frase de Pitágoras, hoje, duas vezes. Algo me disse que a tinha que partilhar.
Dizem, que não há duas sem três...
O que fez a Escola e pais, para termos a "gente" que temos?
domingo, 15 de setembro de 2013
"a vida é cousa tão séria"...
As imagens aqui, valem para mim, uma boa dezena de palavras...
Na arte procuramos os efeitos para cada momento do que vamos vivendo no dia a dia e que queremos destruir pela incomodidade sem fim a que nos conduz.
De homicidas(aqui) que são, gostava de ver gentes a transformarem-se em suicidas porque não merecem viver.
(as duas últimas fotos foram tiradas na exposição "O RISO", excerto de trabalho de Eduardo Batarda)
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
A ela virei mais tarde...
ETIQUETA: NATÁLIA CORREIA
Natália Correia — O encontro
O Encontro
Como se um raio mordesse
meu corpo pêro rosado
e o namorado viesse
ou em vez do namorado
um novilho atravessasse
meus flancos de seda branca
e o trajecto me deixasse
uma açucena na anca
como se eu apenas fosse
o efeito de um feitiço
um astro me desse um couce
e eu não sofresse com isso
como se eu já existisse
antes do sol e da lua
e se a morte me despisse
eu não me sentisse nua
como se deus cá em baixo
fosse um cigano moreno
como se deus fosse macho
e as minhas coxas de feno
como se alguém dos espaços
me desse o nome de flor
ou me deixasse nos braços
este cordeiro de amor
in. Poemas a Rebate, Natália Correia
Tirado do site Etiquet. Natália Correia
Pintura de Artur Bual
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Olhares pelo outono da vida...
Fotografia de Édouard Booubat,( 1923-1999)
O fotógrafo da época (anos 50, ?)
Aquele mar da minha infância
Bom camarada e meu irmão...
... ... ... ... ... ... ...
Eu sorrirei, calmo e contente
Se ouvir e vir. perto, bem perto
O mar fraterno, o mar eterno, o livre mar...
João de Barros, poeta e pedagogo, nascido na Figueira da Foz
O fotógrafo da época (anos 50, ?)
Aquele mar da minha infância
Bom camarada e meu irmão...
... ... ... ... ... ... ...
Eu sorrirei, calmo e contente
Se ouvir e vir. perto, bem perto
O mar fraterno, o mar eterno, o livre mar...
João de Barros, poeta e pedagogo, nascido na Figueira da Foz
terça-feira, 10 de setembro de 2013
O olhar dos outros...
Nazaré, do fotógrafo Edouard Boubat, 1947
Esse outro Portugal não escaparia à objectiva de Edouard Boubat, que na praia da Nazaré fez uma das suas mais conhecidas fotografias, que haveria de figurar na capa do deu primeiro livro - Ode Maritime - publicado no Japão em 1957. (Eduardo Lourenço)
De Stanley Kubrick, 1957, Nazaré
Jean Dieuzaide, 1954, Nazaré (fotografia em baixo)
Venham a mim as criancinhas... Mas quais, Senhor?
Todos iguais... Uns mais do que outros.
(cartaz a ver na exposição no Museu do Oriente. Além deste há mais 99...)
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