quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Para presentinho , se for caso disso... Nobel da Literatura 2013



Uma poeta, na sua primeira festa literária em território inóspito, é resgatada por um colunista de jornal, acabando por partir numa incursão pelo continente que a leva a um inesperado encontro. Um jovem soldado, ao regressar da Segunda Guerra Mundial para os braços da sua noiva, sai na estação de comboio anterior à sua, encontrando numa quinta uma mulher com quem começa nova vida. Uma jovem mantém um caso com um advogado casado, contratado pelo seu pai para gerir os seus bens. Quando é descoberta, encontra uma forma surpreendente de lidar com a chantagista. Uma rapariga que sofre de insónias imagina, noite após noite, que assassina a irmã mais nova. Uma mãe resgata a sua filha no exacto momento em que uma mulher tresloucada invade o seu quintal. «Quem é capaz de dizer a um poeta a coisa perfeita acerca da sua poesia? E sem uma palavra a mais ou a menos, apenas o suficiente.»Alice Munro, «Dolly», in "Amada Vida" **


** Não conhecia Alice Munro, ficou o desejo....

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

De Bruges para Portugal.... ou a repetição da História , ou seremos mesmo assim, nem tanto ou ainda piores...




 No fundo, bem no fundo, nestas questões nada parece ter mudado muito desde 1426...

Carta enviada de Bruges, pelo Infante D. Pedro a D. Duarte, em 1426, resumo feito por Robert Ricard e constante do seu estudo «L’Infant D. Pedro de Portugal et “O Livro da Virtuosa Bemfeitoria”», in Bulletin des Études Portugaises, do Institut Français au Portugal, Nova série, tomo XVII, 1953, pp. 10-11).
 "O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspeção, atenta a estes aspetos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na ação do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício."




Texto chegado via email  por mão amiga

terça-feira, 8 de outubro de 2013

"a condição de português assemelha-se... " 8 de outubro de 1965

Um postal de Cardiff do querido Alexandre Pinheiro Torres que realizou finalmente o seu sonho de se libertar deste colete-de-forças que lhe deram por pátria.
O pior é que, a estas horas, já deve estar a vomitar fel e saudades...
A condição de português assemelha-se muito à do escaravelho, agarrado à bola da própria merda espiritual. ( O espírito também excrementa.)

de José Gomes Ferreira, em Passos Efémeros, Dias Comuns - 1

Fotografia tirada no Paredão do Estoril em Junho, ARTEMAR

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Aconteceu... Olhares

Fotografia surripiada ao Grupo Amigos de Lisboa, no FB.
Foi tirada ontem, no bairro Alto, na procissão de S. Roque, cujas relíquias vão sob o pálio.

domingo, 6 de outubro de 2013

sábado, 5 de outubro de 2013

"to be or not be", feriado," that is the question..."

Este artigo retoma o pressuposto segundo o qual o republicanismo português 
quis ser a tradução política de uma revolução cultural de raiz neo-iluminista. 
No entanto, aqui, esta característica foi dada como adquirida e partiu-se dela 
para se descrever a sua objectivação constitucional. Para isso, procurou-se 
sublinhar o modo como se seleccionou o passado que pudesse ser usado 
como precursor e, em simultâneo, sublinhar as novidades que a demarcavam 
do regime monárquico; o que exigiu tanto a análise comparativa com outras 
Constituições republicanas (e, em particular, com a francesa de 1875), como 
a chamada a terreiro de um outro condicionante, nem sempre devidamente 
sopesado quando se explica o cariz parlamentarista da Constituição de 1911: 
o fantasma dos excessos do poder moderador e do recurso frequente às 
“ditaduras administrativas” praticado sob a vigência da Carta Constitucional

Resumo

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Outono proverbial... Bom fim de semana

Ø    Com a vinha em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.
              
Ø    Em Outubro centeio ruivo.
              
Ø    Em Outubro não fies só lã; recolhe teu milho e feijão, senão de Inverno tens a tua barriga em vão.
                      
Ø    Em Outubro o fogo ao rubro.
            
Ø    Em Outubro o lume já é amigo.
                  
Ø    Em Outubro ou secam as fontes, ou passam os rios por cima das pontes.
                    
Ø    Em Outubro, S. Simão, favas no chão.
                                                              
Ø    Em Outubro, S. Simão; semear, sim; navegar, não.
                        
Ø    Em Outubro sê prudente; guarda pão, guarda semente.
                       
Ø    Em Outubro semeia e cria, terás alegria.
           
Ø    Outubro chuvoso torna o lavrador venturoso.
          
Ø    Outubro erveiro, guarda para Março o palheiro.
                      
Ø    Outubro nublado, Janeiro molhado.
                                                
Ø    Outubro pega tudo.
                          
Ø    Outubro quente traz o Diabo no ventre.
                          
Ø    Outubro secão, negaças de verão.
                                                      
Ø    Outubro sisudo, recolhe tudo.
                                                     
Ø    Outubro vaca para o palheiro e porco para o outeiro.

Pintura de Giuseppe Arcimboldo
"Outono", 1573

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Dia Mundial da Música. Tanta coisa para "OUVER"...

                                 Cartazes de Ópera de Rafal Olbinski

"AMOR ESCREVE-SE COM ÁGUA" ... Vai um gin tónico?



Querida

Acabo de receber a carta que me enviaste pelo cabo submarino. Vinha um pouco húmida, mas dada a enorme distância líquida que nos separa, é perfeitamente compreensível.
Senti-me contente por te saber bem, assim como os pequenos, nessa calma profunda e silenciosa de que tanta saudade tenho.

... ... ...

Creio que esta parte do continente em breve começará a oscilar, a desaparecer nas águas, o que marcará o verdadeiro início do Grande Salto para o Fundo.
... ... ...
Segundo informações concretas que aqui obtive, fiquei a saber que as Brigadas de Choque dos tubarões-martelo estão já a concentrar-se nas zonas previstas. Isto, por enquanto, é segredo rigoroso como calculas, claro.
... ... ...

Apenas temos de lamentar certos golfinhos que se tornaram colaboracionistas, o que nos obrigou a expulsá-los. Felizmente são apenas casos esporádicos, talvez até recuperáveis.
Como vês, estamos realmente trabalhando para um futuro em que os povos de todos os mares possam vir a ter uma vida livre e digna.

... ... ...
Águas transparentes para ti, meu amor
                 do teu

                Estêvão

De Mário-Henrique Leiria, em Novos Contos do Gin   , excertos


domingo, 29 de setembro de 2013

Para o fim de tarde...

Enquanto aguardam...

Ai o meu nariz de "Cleópatra"... e as" palavras" soltas da calçada...


OS CALCETEIROS

Escrevem na rua:
juntam
cuidadosamente
palavras.

Pegam-lhes
sílaba a sílaba,
escolhem, unem,
completam,
tocam
ao de leve por cima
e continuam.

Com o maço
e o suor
assinam.

António Osório, de A Ignorância da Morte, 1978

*** Atenção, levantem bem os pézinhos, pois anarigar é doloroso...