quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Chove e a noite caiu sobre mim...

            "Umbrella", de Marc Chagall

As coisas mais simples, ouço-as no intervalo
do vento, quando um simples bater de chuva nos vidros rompe o silêncio da noite, e o seu ritmo
se sobrepõe ao das palavras.

Nuno Júdice, Poema

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Para os tempos que correm....


Fevereiro proverbial .... O povo era quem mais ordenava...

Água de Fevereiro, mata o Onzeneiro.
Ao Fevereiro e ao rapaz, perdoa tudo quanto faz.
Aproveite Fevereiro quem folgou em Janeiro.
Em Fevereiro, chega-te ao lameiro.
Em Fevereiro, chuva; em Agosto, uva.
Fevereiro é dia, e logo é Santa Luzia.
Fevereiro enxuto, rói mais pão do que quantos ratos há no mundo.
Fevereiro quente, traz o diabo no ventre.
Fevereiro recouveiro, afaz a perdiz ao poleiro.
Janeiro geoso e Fevereiro chuvoso fazem o ano formoso
.

DESENHO DE JOSÉ PENICHEIRO, 1968

Leituras breves e actuais

"Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas.
Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.
Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.
Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."

Padre António Vieira

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Fim de semana a caminho.... Boa viagem

"Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno do tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha não escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Me olhas, de perto me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, se aproximam entre si, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando confundidos, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas onde um ar pesado vai e vem com um perfu
C
me antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de frangância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce, e se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta, e eu te sinto tremular contra mim, como um lua na água."

Julio Cortázar

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Utopias... O pássaro azul nunca virá. Coisas de poeta

O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível

Ruy Belo, O Portugal Futuro
Colagem de Fernando Azevedo, A cigarreira breve, 1986

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

"Medo"...

"pela janela, entre acácias e piteiras, vejo os barcos surgindo na bruma. o coração aéreo dos pássaros passa rente ao mar, e o mar põe-se a fulgurar, arde, cobre-se de plumas, levanta voo com os pássaros."

Pinturas de Mário Cesariny e excerto do livro "Medo" de Al Berto

Boa semana...


domingo, 2 de fevereiro de 2014

A cada um a sua casinha amarela.... João, lá tinha a sua...

Mão amiga lembrou que João César Monteiro faria hoje anos.
Somos conterrâneos.

 De quando em quando há conversas com "gentes" de família que foram seus colegas de escola e de loucuras já postas em prática à época.
Anos mais tarde viemo-nos a encontrar para os lados do Castelo de S. Jorge onde ambos trabalhávamos mas cada qual em seu "métier"...
Pena não ter registado o absurdo dos "talk shows" à mesa da "Tasquinha", em Santiago...Eu, sempre de corrida , pois só tinha 1h de almoço. Mas chegava para matar a minha curiosidade.
Sei, que devido às suas birras, ele não permitiu a estreia" As Bodas de Deus" num festival de cinema de que já não me lembro e fe-lo estrear na sala de cinema do Casino Peninsular da F. da Foz onde eu estava,  por acaso,  de fim de semana.
Na sala, só eu e a minha Mãe.
Por isso, posso gabar-me... que na estreia mundial do dito filme, só 2 espectadoras, "je" and" mammy...."

sábado, 1 de fevereiro de 2014

“Se os senhores representantes da Nação mais uma vez nos votarem ao olvido, resta-nos a certeza de que os marmeleiros ainda crescem nos pauis” Alfredo Costa em 1903

Manuel Buíça e Alfredo Costa foram assassinados (faz hoje 105 anos) porque -----> lutaram, ousaram lutar, pela liberdade

“Se os senhores representantes da Nação mais uma vez nos votarem ao olvido, resta-nos a certeza de que os marmeleiros ainda crescem nos pauis”
Alfredo Costa em 1903

– "Sou pelas greves, como sou por todos os meios de resistência empregados pelo fraco, pelo oprimido, em defesa dos seus mais legítimos interesses quando extorquidos pelo forte, arvorado em opressor. […] Sempre que um Patife tenta ferir a nossa dignidade ou um ladrão nos quer tirar a bolsa, é dever sagrado atirarmo-nos a ele sem olharmos às forças de que dispomos e às consequências da luta.[…] Para os patrões burgueses que nos exploram, e nós servimos sabujamente, vai o meu mais activo ódio e a minha viva repulsa."
Alfredo Costa - nas páginas de um jornal da época


Fonte , O Jornal a Batalha, Página do FB

Fim de semana possível... Bom de preferência

             Não conheço outra
linguagem que não seja 
                            a do orvalho

Jorge Sousa BragaArtist: 
Completion Date: 1930